História Um caso perdido (Hopeless) -- Norminah - Capítulo 49


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton
Tags Dinah, Fifth Harmony, Normani, Norminah
Visualizações 142
Palavras 2.174
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hellooo, como vocês estão, hein? Espero que bem e que não tenham sentindo muita falta das fics <3

Capítulo 49 - Segunda-feira, 29 de outubro de 2016, 16h35.


 

 

— Não se atreva a encostar nela, porra!

Dinah está gritando e fazendo pressão nos meus braços. A voz está bem perto, então sei que está me segurando. Solto as mãos nas laterais do corpo e sinto a grama entre os dedos.

— Linda, abra os olhos. Por favor. — A mão de Dinah está acariciando meu rosto. Lentamente, abro os olhos e ergo o olhar. Ela está olhando para mim, com meu pai em pé bem ao seu lado. — Está tudo bem, você acabou de desmaiar. Preciso que se levante. Temos de ir embora.

Ela me ajuda a me levantar e não tira o braço da minha cintura, praticamente segurando todo o meu peso.

Agora meu pai está bem na minha frente, me encarando.

— É mesmo você — diz ele, olhando para Dinah e depois para mim. — Hope? Se lembra de mim? — Seus olhos estão cheios d’água.

Os meus não.

— Vamos — diz Dinah mais uma vez.

Eu resisto à sua força e me solto. Olho para meu pai… um homem que agora está demonstrando emoções como se tivesse me amado um dia. Deixe de mentira, porra.

— Você se lembra? — repete ele, dando mais um passo para perto de mim. Dinah me puxa um pouco para trás a cada passo que meu pai dá. — Hope, você se lembra de mim?

— Como eu poderia esquecer?

A ironia é que eu o esqueci sim. Completamente. Esqueci de tudo sobre ele, das coisas que fez comigo e da vida que tive aqui. Mas não quero que saiba disso. Quero que saiba que eu me lembro dele e de todas as coisas que fez comigo.

— É você — diz ele, mexendo a mão nervosamente ao lado do corpo. — Você está viva. Você está bem.

Ele pega o rádio, para relatar o caso, presumo. Mas antes que seu dedo pressione o botão, Dinah estende o braço e derruba o rádio da mão dele. O aparelho cai no chão, meu pai se abaixa, o pega e dá um passo defensivo para trás, apoiando a mão no coldre mais uma vez.

— Se fosse você, não avisaria a ninguém que ela está aqui — diz Dinah. — Duvido que queira ver o fato de que não passa de um pervertido filho da puta estampado nas primeiras páginas dos jornais.

Meu pai fica completamente pálido de repente e olha para mim com medo nos olhos.

— O quê? — Ele olha para mim sem acreditar. — Hope, quem quer que tenha levado você… essa pessoa mentiu. Disse coisas sobre mim que não eram verdade. — Agora ele está mais perto, os olhos desesperados e suplicantes. — Quem foi que a levou, Hope? Quem foi?

Dou um passo confiante em sua direção.

— Eu me lembro de tudo o que você fez comigo. E, se me der o que quero, juro que vou embora e nunca mais vai ouvir falar de mim.

Ele continua balançando a cabeça, sem acreditar que a própria filha está bem diante dele. Tenho certeza de que também está tentando processar que agora sua vida está correndo risco. A carreira, a reputação, a liberdade. Como se fosse possível, seu rosto fica ainda mais pálido no instante em que percebe que não é possível continuar negando. Ele sabe que eu sei.

— O que você quer?

Olho para a casa e depois para ele mais uma vez.

— Respostas — digo. — E quero tudo que ainda tem de minha mãe.

Dinah está segurando firme minha cintura mais uma vez. Estendo o braço e seguro sua mão, precisando me assegurar de que não estou sozinha nesse momento. Minha confiança se esvaece depressa a cada minuto que passo na presença do meu pai. Tudo a respeito dele — a voz, as expressões faciais, os movimentos — faz meu estômago doer.

Meu pai lança um breve olhar para Dinah e se vira outra vez para mim.

— Podemos conversar lá dentro — afirma ele baixinho, olhando rapidamente para as casas ao redor. O fato de estar demonstrando nervosismo só prova que analisou suas opções e percebeu que não tem muita escolha. Ele inclina a cabeça para a porta e começa a subir os degraus.

— Deixe a arma — diz Dinah.

Meu pai para, mas não se vira. Devagar, põe a mão ao lado do corpo e retira a arma do coldre. Ele a coloca nos degraus do pórtico e começa a subi-los.

— As duas — exige Dinah.

Meu pai para novamente antes de chegar à porta. Ele se curva até o tornozelo, levanta a perna da calça e pega a outra arma. Depois que as duas estão fora do seu alcance, entra em casa e deixa a porta aberta para nós. Antes de eu entrar, Dinah me vira para si.

— Vou ficar bem aqui, com a porta aberta. Não confio nele. Só vá até a sala.

Balanço a cabeça e lhe dou um beijo rápido e forte antes que ela me solte. Entro na sala, e meu pai está sentado no sofá, as mãos na frente do corpo. Está encarando o chão. Vou até o sofá mais próximo e me sento na beirada, me recusando a relaxar. Estar dentro dessa casa, na presença dele, deixa minha mente confusa e meu peito apertado. Respiro fundo várias vezes, tentando acalmar o medo.

Uso o momento de silêncio entre nós para encontrar algo em suas feições que pareça com as minhas. A cor do cabelo, talvez? Ele é bem mais alto que eu, e, quando ele consegue olhar para mim, vejo que seus olhos são verde-escuros, diferente dos meus.

Tirando a cor castanha do cabelo, não me pareço em nada com ele. Sorrio com essa constatação.

Meu pai ergue os olhos até os meus e suspira, mudando de posição, constrangido.

— Antes que diga qualquer coisa — começa ele —, precisa saber que eu a amava e que me arrependo do que fiz cada segundo da minha vida.

Não respondo verbalmente ao que ele diz, mas preciso me conter para não reagir fisicamente a tanta merda. Ele poderia passar o resto da vida pedindo desculpas, mas nunca será o suficiente para apagar nenhuma das noites em que a maçaneta girou.

— Quero saber por que fez aquilo — digo com a voz trêmula. Odeio estar soando tão ridiculamente fraca. Pareço mais a garotinha que implorava para ele parar. Não sou mais aquela garotinha e não quero de jeito algum parecer fraca na frente dele.

Ele se encosta no assento e esfrega as mãos nos olhos.

— Não sei — diz ele, irritado. — Depois que sua mãe morreu, voltei a beber muito. Só foi acontecer um ano depois, quando bebi demais numa noite e acordei no dia seguinte sabendo que tinha feito algo terrível. Estava esperando que tivesse sido apenas um sonho horroroso, mas, quando fui acordá-la naquela manhã, você estava… diferente. Não era mais a garotinha feliz de antes. Da noite para o dia, se tornou alguém que morria de medo de mim. Passei a me odiar. Nem sabia ao certo o que tinha feito, pois estava bêbado demais para lembrar. Mas sabia que tinha sido algo horrendo e peço mil desculpas. Isso nunca se repetiu e fiz de tudo para compensar. Passei a comprar presentes o tempo inteiro e dava tudo o que você desejava. Não queria que se lembrasse daquela noite.

Seguro meus joelhos numa tentativa de não pular até o outro lado da sala e estrangulá-lo. O fato de estar tentando fingir que só aconteceu uma vez me faz odiá-lo mais que antes, se é que isso é possível. Está tratando aquilo como se tivesse sido um acidente. Como se tivesse quebrado uma caneca ou arranhado a porra do carro.

— Era noite… após noite… após noite — digo. Estou tendo de juntar todo o controle que tenho para não gritar do fundo do peito. — Eu tinha medo de me deitar, medo de acordar, medo de ir tomar banho e medo de falar com você. Eu não era uma garotinha com medo de monstros dentro do armário ou debaixo da cama. Morria de medo do monstro que devia me amar! Enquanto você devia estar me protegendo de pessoas como você!

Agora Dinah está do meu lado, segurando meu braço enquanto grito com o homem do outro lado da sala. Todo o meu corpo está tremendo, e eu me inclino para perto de Dinah, pois preciso sentir sua calma. Ela massageia meu braço e beija meu ombro, me deixando colocar para fora as coisas que preciso dizer, sem tentar me impedir nenhuma vez.

Meu pai afunda mais no sofá, e lágrimas começam a escorrer-lhe dos olhos. Ele não se defende, pois sabe que tenho razão. Não tem absolutamente nada para me dizer. Só é capaz de cobrir o rosto com as mãos e chorar, lamentando por estar, enfim, sendo confrontado, mas sem se lamentar de nada do que fez.

— Você tem outros filhos? — pergunto, fulminando aqueles olhos tão envergonhados que nem conseguem se virar para mim. Ele abaixa  cabeça e pressiona a mão na testa, mas não me responde. — Tem? — grito. Preciso saber se não fez isso com mais ninguém. Se ele não continua fazendo isso.

Ele balança a cabeça.

— Não. Não me casei de novo. — Sua voz parece devastada, e, pelo jeito, ele também está se sentindo assim.

— Só fez aquilo comigo?

Ele mantém os olhos fixos no chão, evitando minhas perguntas com pausas longas.

— Você me deve a verdade — digo com calma. — Fez aquilo com alguém antes de mim?

Percebo-o ficar inexpressivo. A insensibilidade em seus olhos deixa claro que não tem nenhuma intenção de revelar mais nada. Apoio a cabeça nas mãos, sem saber o que fazer em seguida. Parece tão errado ir embora e deixá-lo viver sua vida, mas também tenho muito medo do que pode acontecer se eu o denunciar. Tenho medo do quanto minha vida pode mudar, de que ninguém acredite em mim, pois já faz tantos anos. No entanto, o que me deixa mais apavorada é o medo de que eu o ame demais para querer arruinar o resto da sua vida. Estar com ele não me faz lembrar apenas de todas as coisas terríveis que fez comigo, mas também do pai que era, fora tudo isso. Ficar dentro dessa casa está fazendo um furacão de emoções rodopiar dentro de mim. Olho para a mesa da cozinha e começo a me lembrar das coisas boas, de conversas que tivemos sentados ali. Vejo a porta dos fundos e me lembro de correr até lá fora para ver o trem passar no campo atrás da nossa casa. Tudo ao meu redor está me enchendo de memórias conflitantes, e não gosto de amá-lo tanto quanto o odeio.

Enxugo as lágrimas dos olhos e fixo o olhar nele mais uma vez, que está encarando o chão silenciosamente. E, por mais que não queira, começo a enxergar vislumbres do meu papai. Vejo o homem que me amava da maneira como me amava… bem antes de eu começar a ter medo da maçaneta girar.

 

Catorze anos antes.

 

— Shh — diz ela, pondo o cabelo atrás das minhas orelhas.

Nós duas estamos deitadas na cama, e ela está atrás de mim, me aconchegando em seu peito. Passei a noite inteira acordada por estar doente. Não gosto de ficar doente, mas adoro como minha mamãe toma conta de mim quando fico assim.

Fecho os olhos e tento dormir para me sentir melhor. Estou quase pegando no sono quando escuto a maçaneta virar, então abro os olhos. Meu papai entra e sorri para mamãe e para mim. No entanto, seu sorriso some ao me ver, pois ele percebe que não estou me sentindo bem. Meu papai não gosta quando fico doente porque ele me ama, então fica triste.

Ele se senta nos joelhos ao meu lado e toca meu rosto.

— Como está minha garotinha? — pergunta.

— Não me sinto bem, papai — sussurro. Ele franze a testa quando digo isso. Devia ter dito que me sentia bem para ele não franzir a testa.

Ele olha para minha mamãe, deitada atrás de mim, e sorri para ela. Ele toca o rosto dela da mesma forma como tocou o meu.

— Como está minha outra garota?

Sinto ela tocando a mão dele enquanto fala com ela.

— Cansada — diz ela. — Passei a noite acordada com ela.

Ele se levanta e puxa sua mão até ela também se levantar. Fico observando-o pôr os braços ao redor dela e abraçá-la, e depois a beija na bochecha.

— Eu assumo a partir de agora — diz ele, passando a mão no cabelo dela. — Vá descansar um pouco, está bem?

Minha mamãe concorda com a cabeça, dá outro beijo nele e sai do quarto. Meu papai dá a volta na cama e deita na mesma posição em que mamãe estava. Põe os braços ao meu redor assim como ela e começa a cantar sua música preferida. Ele diz que é sua música preferida porque é sobre mim.

“Já perdi muito na minha longa vida.

Sim, já vi sofrimento e já vi conflitos.

Mas nunca vou desistir; nunca vou me entregar.

Porque sempre terei meu raio de esperança”.

Sorrio, apesar de não estar me sentindo bem. Meu papai continua cantando para mim até eu fechar os olhos e pegar no sono.

 


Notas Finais


Até... :)


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