História Um clichê nem um pouco clichê - Capítulo 1


Escrita por: ~ e ~BusanCity

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook
Tags Busancity, Clichê, Coly-unnie, Jikook, Jikookinvertido, Jikooknovemberproject, Jimin Barraqueiro, Jungkook Medroso, Kookmin
Visualizações 752
Palavras 7.957
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Fluffy, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Primeiramente: TIA CAROL MUITO OBRIGAD POR ESSA CAPA, TÁ LINDA DEMAIS, PQ VC EH PERFEITA ASSIM MEU, ISSO NÃO TEM SENTIDO MAS CONTINUA QUE TO ADORANDO

Segundamente: Olá coisa linda que abriu a fic mesmo depois de ler essa sinopse de merda a

Bem, vou explicar aqui o que é que tá invertido, porque essa fic é do challenge do BusanCity de novembro e o tema do mês é Universo Invertido! Vou deixar o link do jornal nas notas finais, participem pq tá bom demais! <3

Essa fic é o inverso do popular corajoso socador de caras e nerd indefeso medroso que precisa ser protegido. Ah, e talvez também possa ser do: seme corajoso socador de caras e uke indefeso medroso que precisa ser protegido. Acho que é os dois ekekeke

Boa leitura, beijinhos~

Capítulo 1 - Cara, esse tal de Jimin é um anão assassino!


Foi realmente um alívio ouvir o professor de coreano finalmente encerrar sua longa e cansativa aula de quarta-feira.

Na verdade, aulas e estudos não costumam me cansar muito. Eu até gosto das matérias e tarefas. De verdade, eu amo!

Só que hoje eu não amei por um pequeno — porém de grande importância — motivo: a falta do meu querido moletom. Amanheceu quase que congelante essa manhã e meu casacão havia sido esquecido (por mim) no armário. Eu só tive a blusa social de tecido fino para me cobrir e sentia que, de verdade, iria congelar.

As pessoas a minha volta começaram a se levantar, animadas enquanto se dirigiriam para a saída. Observei elas enquanto permanecia parado, aguardando-os.

Sempre fora assim. Eu preferia permanecer no meu lugar até que os seres com quem eu convivia fossem embora. Com certeza é melhor me atrasar um pouco do que ser empurrado e ridicularizado por aí pelos lixos-humanos-sem-futuro, como sempre acontecia comigo na hora da saída.

Eles esbarravam em mim e pediam desculpas. “Foi sem querer”.

Tá, mas, acontece que nunca é sem querer.

Eu já ‘tô super informado de que nada nessa selva bruta acontece por acidente, e que se esbarram em você, é porque estão querendo ser engraçadinhos ou apenas irritantes.

Isso não é engraçado. Não é legal.

Eu sei dessas coisas, é realmente na maior cara de pau, porque é só eu me virar que as risadinhas surgem, acompanhadas de apelidos maldosos. Eles me chamam de passarinho e de beiçudo, cara! Por Deus, isso já é demais.

Não que eu dê ouvidos. Não mesmo, nunca dê uma foda para o que dizem! Eu não dou. Apenas sei que é tudo inveja desses meus lábios volumosos. Não fode.

E entre deixar-me ser empurrado, ficar um pouco mais na sala, e arrumar um barraco e arremessar uma mesa em alguém… Eu prefiro mil vezes ficar mais um pouco na sala.

— Jimin oppa! Você furou a orelha. — Minji disse, se aproximando com seus livros nos braços.

Minji, uma gentil colega de classe. Até então, a mais nova é uma das poucas pessoas que continuam a vir puxar papo comigo.

Acabou que ela virou uma rotina. Sim, porque todos os dias era a mesma coisa. A garota vinha até mim no fim das aulas e dizia algo, para depois ficarmos em um silêncio constrangedor. E para fechar, Minji sentia-se constrangida e apenas se despedia, tropeçando e gaguejando um pouco ao decorrer das palavras. Ela apenas era assim.

Ou talvez, eu causasse aquilo nela. Costumo deixar as pessoas encabuladas e desconfortáveis com o meu jeito de ser.

O porquê?

Vejamos… Deve ser porque eu sou assim, afinal.

Um pouco quieto, reservado e muito CDF, quando irritado, minha língua enrola e as palavras saem de maneira engraçada e bizarra. Eu também encurto diálogos com pessoas desconhecidas. Além de que minha mãe vive dizendo que sou antipático e bicudo, o que me dá um ar de menininho mimado e chato.

Isso afasta muita gente.

E eu realmente não me importo com isso, porque passar o ensino médio como um verdadeiro fantasma/cara invisível sempre foi o meu objetivo. Eu apenas não queria treta e confusão para o meu lado, só gostaria de ter minhas notas altas e a mente em paz. É por isso que eu acho que me esguiar de pessoas e relações é uma ótima maneira. Uma ótima maneira de conquistar isso.

Ah e por favor, não pense que sou raso ou triste. Não tive o coração partido para desejar algo como isso.

“Antes eu sofria, agora sou fria.”

Não, não é este o meu caso.

É só que… Eu não queria ser vítima de bullying, e também não queria surtar de irritação e ser violento. Então, eu só me esguio, entende?

Mas com Minji era diferente, porque eu… Acho que somos, de certa forma, iguais. Só que continua sendo meio estranho quando estamos perto um do outro.

— Sim… Foi ideia de uma das minhas irmãs. — respondi. — Uma delas, porque tenho três irmãs e elas adoram me usar. Pintam meu cabelo, fazem minhas sobrancelhas e até mesmo me maquiam. Eu sou… Uma cobaia. — disse, fazendo alguns gestos com as mãos. Minji riu um pouco. — Só que dessa vez, inventaram de furar minha orelha. Ainda dói um pouco. — choraminguei, massageando o lóbulo da minha orelha esquerda.

Nada além da verdade. As minhas irmãs são um pouco malucas e adoram um truque de beleza, ainda mais quando é para testar em mim antes. Abusivo, mano. Mas eu aceito porque amo aquelas coisinhas, elas são minhas caçulinhas preciosas. Não consigo negar quando pedem!

Minji balançou a cabeça positivamente e olhou em volta, o silêncio constrangedor habitual era palpável.

Por passar tanto tempo na minha, aprendi a ler ou pelo menos compreender as pessoas. E eu compreendia Minji. Ela era bochechuda, um pouco estudiosa demais e muito quietinha.

Eu — tenho quase certeza de que — sei o que acontece e o porquê de eu ter sua presença diariamente. Ela se atrasa porque mexem consigo na saída, então, fica aqui pois não quer lidar com as possíveis piranhas lá fora, que a caçoavam por um motivo inexistente.

Nunca vi. Ser estudioso e dedicado é como pedir para ser ridicularizado no ensino médio. Tinha que ser coisa de adolescente, porque, olha…

— Bem… A-até amanhã, então. — sorriu e gaguejou. — Tchau!

— Tchau. — eu disse e, por fim, apenas vi-a ir.

Depois de ter recolhido minhas coisas, me levantei e saí da sala, meio preguiçoso. Ao que andava pelo corredor, meu telefone vibrou algumas vezes e tive uma nova notificação.

Vídeo novo… Jeon…

Abri no mesmo instante, reduzindo os passos, mas ainda caminhando enquanto aconchegava os fones nos meus ouvidos. Sorri, me escorando no meu armário para assistir o vídeo.

Jeon Jeongguk marcou quase todos os pontos da última partida contra a cidade vizinha e eu já estou tão acostumado com o sucesso do mais novo que já nem fico mais surpreso com isso. Ele é a definição de talento. O bonitinho manda bem em tudo; joga tão bem e fica tão charmoso naqueles shorts. Era um pecado, mas um milagre também... Aquelas coxas… Céus.

Ri desajeitado, arrumando o óculos de grau no meu rosto e repuxando minha gravata escolar, relaxando mais ao notar que o corredor estava praticamente vazio. Voltei o olhar para a tela, observando quando o jogo terminou, com Jeongguk marcando o último ponto e salvando nosso colégio da derrota.

Nossa equipe comemorou e uma música tocava no fundo da quadra, logo Jeongguk não se segurou e começou a dançar. Não era uma dança comum, engraçada e festiva. Porra, o gostoso do Jeon estava dançando Chris Brown, ondulando aquele quadril feito por Jesus e sendo o homão de sempre que ele é. Era tão sensual. A arquibancada foi a loucura e… Confesso, eu também.

Ah… Jeon Jeongguk. O maior clichê desse colégio.

E comigo ao seu enlaço… Ele é, de fato, um clichê.

Mas o que eu poderia fazer?

Era inevitável. Eu me amarrava em como ele saía andando, todo cheio de postura com seu jeitinho confiante, mas sem ser um babaca com os demais. Jeongguk sempre foi muito amigo de todo mundo. Como capitão do time, ele era respeitado e rodeado de amigos tão bonitos quanto ele mesmo. Jeongguk praticamente era modelo naquela escola, a maioria das garotas tinham uma queda por ele e alguns meninos também, vale ressaltar. E ele era tão gentil, ah, ninguém resistia.

Eu acho que sempre ignorei a parte dele ser popular, porque aquilo não era importante para mim, uma vez que até acho que tudo acontece da melhor forma quando ninguém além de você fica sabendo. Popularidade é fachada, não serve para nada.

Então, com certeza não me interesso por ele por sua popularidade. É porque ele é um doce.

E é tão óbvio como eu também sou um clichê. Ele é aquele cara charmoso, popular e que conquista as pessoas com seu sorriso de dentinhos avantajados. Além de ser capitão do time, inteligente e amigo da escola inteira, o Jeon é rico.

E eu? Eu sou o cara que senta lá na frente, não fala com ninguém, usa um óculos gigante e tá sempre engomadinho. Anda com os livros agarrados contra o peito, fica de cabeça baixa… Esse sou eu. Aliás, não tenho sequer um puto ‘pra comer pastel de queijo, imagina para dizer que sou rico?

Nerd e Popular. Era tão comum que chegava a ser patético.

Na verdade… Era completamente patético.

E acho que apenas não abominava o que éramos porque não rolou como em qualquer outro romance…

Afinal, não é como se minha paixão fosse platônica e tivesse sido eu quem me apaixonei primeiro. Foi o Jeon que veio atrás de mim. Foi só aí que eu o notei e, desde então… Fiquei caidinho.

A verdade é que eu tenho meio que um rolo com o capitão do time há um tempo. Eu não sei ao certo como ou quando começou, a única coisa que sei é que eu fiquei derretido pelo mais novo quando começou a me paquerar.

Eu sou reservado, mas não sou de ferro. É claro que gostei de ser encarado pelo bonitinho do segundo ano.

Foi no começo desse ano… Na biblioteca.

Eu estava lendo algo do autor Scott Fitzgerald quando senti que estava sendo observado.

Eu sabia que poderia ser um trombadinha de merda do primeiro ano que pensava que, por eu ser um terceiranista consideravelmente baixinho e todo CDF com meus óculos de grau redondos e cabelo “comum” castanho, poderia facilmente cometer a famosa intimidação.

Qual é? Quem não conhece essa ceninha de intimidação? Maior clichê. O valentão puxa o nerdzinho indefeso ‘pro banheiro e ameaça bater no pobre coitado caso negue fazer todas as suas lições de casa caprichosamente. Então o CDF concorda, porque não quer ter o rosto esmagado. Aí ele chora, fica traumatizado, enfim…

Pau no orifício anal de quem achava que poderia fazer algo desse nível absurdamente baixo comigo por eu ser do jeito que sou. Eu sou pequeno, fraquinho e posso até ter uma aparência frágil e inocente, mas a minha mão é pesada e minha língua afiada; se mexerem comigo, eu resolvo na base da porrada e ainda completo com tortura psicológica.

, na verdade, eu não sou de dar socos. Não, não sei brigar. Eu até que acerto uns tapas ardidos, mas minha mão é tão minúscula e gordinha que acho que explodiria caso eu metesse o punho na fuça de alguém. Entretanto, isso não é problema quando se tem um pedaço de pau ou qualquer coisa que sirva de arma por perto. É assim que se faz, amigos.

Uma vez mexeram comigo quando eu tinha doze anos. O problema para o moleque era eu estar sentado sozinho lendo um livro quando deveria estar brincando. A peste branquela — vulgo o probleminha daquele dia — encheu tanto meu saco que eu só levantei, peguei a cadeira e taquei na cabeça dele até que fechasse a matraca. Uma cadeirada e o bichinho já ‘tava assustado, chorando como um bebê.

Ninguém mexeu comigo depois daquilo no fundamental e foi assim que entendi como as coisas funcionavam. Ou você é espancado, ou você espanca. E, cá entre nós, é bem melhor espancar. Só quando necessário, é claro.

E, olha, eu admito ser um baita de um estudioso esquisito, mas nunca admito que me desrespeitem ou me tirem do sério por conta disso. Tá doido, comigo não.

Mas eu — acho que — não gosto muito de ser violento. Sei lá, dá muito trabalho, não? É por isso que fico tão na minha. Só quero paz.

Mas então, voltando ao dia da biblioteca, quando eu notei que estava, de fato, sendo observado, me preparei para o provável embuste que surgiria na minha frente. Com um bom alongamento no corpo e olhos atentos, eu estava pronto para A Treta. Já ‘tava até com a lapiseira afiada nos dedos, pronto para enfiá-la no olho do inimigo caso necessário.

Atrás das estantes, ele me olhava. E fiquei surpreso por não ser probleminha.

Capitão do time de vôlei. Eu não sabia quem ele era, mas a jaqueta chamativa o entregava.

Tá, eu sei, eu sei que deveria olhar para um capitão de time popularzinho e automaticamente considerá-lo um probleminha. É um clichê, e os clichês existem, e costumam sempre estar certos, embora isso seja um saco. E o popular sempre é babaca, não é mesmo?

Só que… Não. Eu sabia que ele não era probleminha, soube de primeira.

E, olha, naquela época eu não fazia ideia de quem Jeongguk era. Sério, eu não dava a foda para rumores ou famosinhos.

Ainda não ligo… A não ser, é claro, que o famosinho da história seja o Jeongguk.

Jeon, trajando seu uniforme organizado, estava me paquerando no meio da biblioteca. E não tinha nenhum pingo de vergonha na cara por fazer aquilo.

Não que ele estivesse piscando, mordendo os lábios e tentando ser sexy. Negativo. O maldito estava sorrindo, todo meigo, e isso foi, ainda é, difícil ‘pra mim, cara. Ele parece um neném de corpo gostoso, isso é uma perdição, Deus.

Foi apenas isso na primeira vez. Sorrisinhos seus e eu tentando retribuir. Mas tirando a hora de ser violento, sou bastante tímido, então dá até ‘pra imaginar a dificuldade, não é? Um garoto daqueles, bicho.

Os dias foram seguindo e isso continuou. Era na biblioteca — que ele estranhamente começou a frequentar mais —, nos corredores, no refeitório e até na minha classe ele ia. Não para falar comigo, na verdade, o Jeon só ficava escorado na porta me encarando enquanto trocava algumas palavras com Taehyung, seu colega de time e meu colega de classe.

Eu não pensei que minha vida viraria um total clichê depois da aparição dele, mas confesso que não é tão ruim assim. É bom, até. Acredite, era aquela coisinha de borboleta na pança mesmo quando trocávamos olhares.

E foi evoluindo. Uma hora, ele aparecia ao meu lado de repente, acariciava-me a cabeça, arrumava meu óculos de grau torto no meu rosto, dava bom dia em um sussurro no pé da orelha, e até rolou aquela famosa esbarrada.

Essa mesmo, onde a gente se bate e todo os materiais escolares — no caso, minhas anotações — vão ao chão e o outro ajuda-me a recolher e, por acidente, as mãos se tocam. Eu sempre xinguei tanto esse clichê que jamais pensei que viria a acontecer comigo. E com um homem daqueles ainda por cima.

Não demorou muito para chegarmos onde estávamos hoje.

Sério. Ficamos para ajudar a bibliotecária um dia… Sozinhos em uma sala cheia de livros… Seu jeitinho compreensível, meu nervosismo… Suas mãos delicadas, toques leves, lábios doces… Foi a primeira vez na qual nos beijamos.

E agora… Acho que sempre que nos esbarramos, a gente dá um jeito de sumir e ficar juntinho. Conhecemos-nos bastante… Chega a ser assustador para mim às vezes. Sempre pensei que não me relacionaria com ninguém no colégio… Ainda mais com alguém como o Jeon.

Foi pensando nisso que abri meu armário, guardando os livros grossos lá e puxando meu casaco cuidadosamente guardado. Vesti-o antes de pegar a pasta que precisava levar para casa. Então, eu só fui em direção a saída.

Estava passando ao lado do vestiário quando minha visão foi cortada por uma mão pesada, que me puxou por trás e cobriu meus olhos e boca.

Tentei gritar, claro, mas não consegui por estar sendo calado por dedos finos e longos. Ofeguei totalmente surpreso e meu coração já palpitava assustado.

Seria agora que finalmente me dariam um soco no meio da fuça?

Minha mente já trabalhava nas possíveis fugas que eu poderia dar naquela situação de merda. Eu precisava urgentemente de um plano. Então, a primeira coisa que fiz foi abrir a boca e morder com força a mão que tampava meus lábios. Em seguida eu gritaria, obviamente.

— A-au! Hyung! — fui solto de imediato e virei-me na direção do agressor.

Que na verdade, não era agressor algum.

— Oh! Jeongguk!

Não creio que finquei os dentes violentamente no meu quase-namorado!

Jeon encarava sua mão e tinha uma leve expressão dolorosa no rosto. Ofeguei encabulado e só pude me sentir mal pelo mais novo.

— J-Jimin hyung, os seus dentes são… Muito afiados. — choramingou, uma meia careta dolorosa em sua face. Logo larguei a pasta de plástico sobre o banco de madeira que havia naquele cômodo, indo até ele.

Não era a primeira vez que Jeongguk me puxava daquele jeito para algum lugar. No entanto, por estar duas semanas fora para o campeonato estadual, não esperava tê-lo fazendo isso novamente tão cedo. Esqueci totalmente que o jogo de ontem havia sido o último.

— Céus, eu não sabia que era você, Kook! — segurei-lhe o pulso, vendo claramente a marca dos meus dentes na palma de sua mão. — Perdão. Perdão. — trouxe-a comigo até meus lábios, enchendo de beijinhos por sobre o machucado.

Ouvi-o rir baixinho e levar a outra até minha cabeça, afagando com carinho.

— Tudo bem. — ele me segurou com ambos os braços, me abraçando e aconchegando meu rosto em seu peito.

— Eu não sabia que havia voltado. — confessei, olhando para si sem desfazer o enlaço. Tão masculino naquelas vestes. — Você me assustou. — disse, deixando-me ser puxado para o cantinho do vestiário por ele.

Jeongguk estava com as madeixas levemente úmidas e o uniforme de vôlei, provavelmente chegara no colégio há pouco tempo, se banhou e já teria outro treino. Eu me preocupava com o mais novo sempre. Sei lá, era muita pressão e exercícios, não?

Mas Jeon sempre me confortava, dizendo que tudo estava bem e que ele curtia uma correria. Então, eu procurava não ficar tão apreensivo.

— Bem, não é como se eu houvesse te avisado que voltaria. — sorriu um pouco. — Você. É. Um. Tigre. — disse, me mostrando outra vez sua mão. Por Deus, havia ficado totalmente marcada.

Escondi o rosto em minhas mão ao que ele ria baixinho. Suspirei constrangido e deixei-o tirar meus óculos, como sempre fazia.

— Desculpa. — pedi, outra vez, lhe olhando no rosto. Ele estava meio embaçado, mas continuava bonito. Ainda mais quando chegou perto e pude vê-lo melhor. Uau.

— Hum? Eu gosto. — Jeongguk só podia ser um masoquista por gostar de mim. É sério. — Olha, Park Jimin hyung, vou te mandar a real. Só irei desculpá-lo quando me olhar. Hum? — disse, afinal, eu ainda estava totalmente escondido por trás de minhas mãos.

Meu rosto ardia tanto que eu podia jurar que estava plenamente vermelho. E não. Não é fofo. Entretanto, aquilo já era trivial na presença de Jeongguk, por isso não tardei a retribuir seu olhar.

Percebi que estava totalmente encurralado e preso entre o armário do vestiário e o corpo alto do capitão, que me olhava com atenção. Era terrível ‘pra mim ter aqueles olhinhos grandes e redondos me encarando tão atentos e tão de perto. Eu, do jeito que sou, já imaginava que o mais novo estava percebendo todos os pequenos erros em minha pele.

Mas Jeon sorriu grande e deixou um selar tão carinhoso na ponta do meu nariz que eu só desmanchei. Oh, é impossível pensar em qualquer coisa quando estou com ele.

Às vezes fico com uma raiva enorme do outro por ser tão fodidamente lindo e charmoso. Mas que porra, ele quer que meu coração exploda ou o quê?

— Eu senti sua falta. — disse, sua franja caindo sobre minha testa. — Estava com saudades de mim? — indagou, só sendo maldito demais ao inclinar o rostinho adorável para roçar com o nariz na minha bochecha.

Jeongguk ficava um absurdo de tão gato naquela regata do time. Tenho certeza de que só curto a peça por causa da liberdade que ela dá aos seus braços definidos. Liberdade para ele e para mim olhar, é claro.

— Hum-hum. — sorri um pouco, virando o rosto e recebendo um beijo úmido na maçã do rosto.

Jeongguk esfregou seu nariz com o meu, em um beijinho de esquimó carinhoso. Sorri um pouco.

— Furou a orelha, é? — notou e confirmei com a cabeça, fazendo uma meia careta quando tocou o lóbulo com o indicador. — Dói?

— Sim, foi hoje de manhã… — suspirei um pouco quando segurou meu rosto entre suas mãos.

— O direito está doendo?… — neguei com a cabeça e ele claramente gostou disso pois logo inclinou-se e me deu um beijo estalado no pescoço, tomando um suspiro meu.

Sua boca subiu até minha orelha e era sempre tão gostoso ali. Minha mão que estava em seu ombro tremeu um pouco. Ele não fez nada, a única coisa que acarinhava minha orelha era sua respiração quente, mas ainda era maravilhosamente bom.

— Jimin-ah…

Gentilmente chupou o lóbulo da minha orelha e gemi baixo, mordendo o lábio afim de me silenciar um pouco. Jeongguk notou isso e me segurou com mais força, deixando um beijo molhado por trás da minha orelha e, em seguida, mordiscando mais uma vez. Dessa vez gemi manhoso e isso o fez sorrir sobre minha pele.

Maldito...

— Como foi… — parei para ofegar um pouco, lhe puxando a camiseta. — Jeonggukie, como foi jogar na capital? — pelo menos, consegui perguntar. É que estava tão bom aqueles beijinhos e mordiscadas no pé da minha orelha… Ah, era muito gostoso.

— Foi bom, mas, como eu disse… Senti sua falta. — falou. Por Deus, ele era muito filho da mãe.

— T-também… — e lá estava eu, gemendo e gaguejando.

Jeon se afastou um pouco e logo voltou, selando seus lábios nos meus e pondo ambas as mãos em minha cintura. Deixei que me beijasse de forma íntima e entreabri os lábios quando sugou meu inferior, tendo sua língua tocando a minha e, vez ou outra, chupando. Ele sabia me deixar totalmente arrepiado apenas com beijinhos. E que beijinhos, huh…

Ele se afastou um pouco e abri os olhos, ofegando ao olhar seus lábios finos vermelhinhos e úmidos; uma perdição e tanto. O outro riu um pouco e me fez voltar a olhá-lo nos olhos.

— Me assistiu ontem, hyung? — perguntou, acariciando minha cabeça. Voltei a olhar para sua boca.

— Sim... — respondi e ele riu baixinho. Foi só então que o fitei, apenas admirando aquele sorrisinho de dentes grandes e retribuindo-o. — Você estava demais. — e realmente estava.

Ele tombou a cabeça para a esquerda, sendo o fofo de sempre por deixar suas bochechas tomarem um tom carmesim após receber um elogio meu. Eu não sei o motivo, mas Jeongguk sempre ficava abobalhado e coradinho quando eu o paparicava. Eu adoro.

— De verdade? — ele com certeza queria ouvir mais uma vez.

— De verdade. — abracei seu pescoço e o beijei nos lábios, que pareciam curiosamente mais macios quando de encontro com os meus.

Eu sei que fico bem diferente de quem sou quando estou com ele, mas Jeongguk me deixa amoroso, tímido e manso. O que posso fazer? É assim. Ele me toca e eu viro um docinho.

Mas não é como se ele não conhecesse Park ácido venenoso violento Jimin. É, ele sabia perfeitamente o meu tipo.

Foi por causa de uma vez, na aula de educação física. Eu joguei uma bola de basquete na cabeça de uma líder-de-torcida — ela chamou Minji de gorda — e Jeon viu isso, ficou chocado. Foi uma bolada violenta, eu coloquei força naquela merda e a piranha magrela ficou até tonta depois, sem entender de onde veio aquele baque turbinado.

Jeon ficou estático e eu pensei ter estragado tudo com ele. Acho que ele pensava que eu era um anjinho. Realmente, esperei que ele só sumisse por medo, mas no fim daquele dia, Jeon me levou em casa e disse que eu era demais. “Radical e quente”.

Era simplesmente impossível não me apaixonar.

— Vamos no cinema no final de semana? — perguntou, ainda deixando alguns selos por meu pescoço. Ofeguei por sua voz acariciar minha pele já marcadinha e arrepiada, com sopros ardentes. Oh, como era bom. — Depois… Tomamos sorvete. E passeamos pelo centro… — continuou, puxando um pouco minha cintura e abaixei o olhar quase surpreso. Afinal, ele estava totalmente animadinho.

Já havia acontecido antes, mas como nunca… Sabe, fizemos, eu sempre me surpreendia um pouco mais. Qual é? Nunca tive um pau me tocando daquele jeito, mesmo que por cima das vestes. A não ser por quando era o meu próprio, mas isso é óbvio.

— Sim… — respondi. — Agh, Jeon… — gemi manhoso assim que fui mordido. Porra, assim não sairíamos dali nunca.

Ele subiu os beijinhos por toda a extensão do meu pescoço, deixando selos úmidos e algumas sugadas sutis no caminho. Deu uma mordida deleitosa no meu queixo e beijou meus lábios, tendo-os finalmente para si.

O sinal bateu e ele mal se importou com isso, continuando a me dar uma amasso depois de repuxar meu beiço inferior com os dentes, chupando ao mesmo tempo. Não sei como era possível a boca do Jeon ter sempre o mesmo gosto de balinha de menta com morango, mas eu procurava apenas apreciar.

Eu continuava apertando seu ombro, tendo sua perna no meio das minhas. Ele a movia e, às vezes, erguia-a e me tocava com o joelho de forma deleitosa. Ele estava me provocando e é claro que estava dando certo.

Vez ou outra eu abaixava a cabeça e afundava-a em seu ombro para gemer baixinho, logo apenas voltamos a nos beijar, afoitos. Quando ele estava apertando minha cintura sob o moletom, prendendo seus dedos diretamente contra minha pele, eu suspirei surpreso ao ouvir alguns passos.

Alguém estava se aproximando.

Eu só virei os olhos um pouco, sentindo prazer quando Jeongguk apertou com força minha bunda e se empurrou contra mim. Fechei os olhos com força, e quando os abri, vi que já não era apenas eu e meu quase-namorado.

Mesmo que eu e o mais novo estivéssemos aqui, bem por entre os armários, escondidinhos e meio apertados, outra pessoa apareceu. E esta pessoa era Kim Taehyung.

O de cabelos loiros que aparecera também trajando o uniforme de vôlei, nos observou e bufou um pouco.

— Jeongguk-ah! Já está na hora. — o Kim disse e eu só escondi-me atrás de Jeongguk, envergonhado.

Eu estudava com Taehyung há três anos, e embora ele não me conhecesse, ainda me sentia constrangido por ele sempre me pegar no flagra com o Jeongguk.

— Fica quieto, Tae… — Jeongguk murmurou manhoso e voltou a me dar um cheiro no pescoço, me fazendo arfar.

— É sério, Jeongguk-

— Depois eu vou… Só sai daqui, hyung… — o Jeon respondeu para o outro, me dando um chupão e fazendo minhas pernas vacilarem um pouco.

Poderia ser estranho continuarmos. Afinal, tinha uma terceira pessoa ali! No entanto, Tae sempre aparece nesses nossos momentos e até que era quase comum, por isso não parávamos. Embora eu ache que deveríamos.

Tentei afastar Jeongguk, porque ele estava me deixando excitado demais, mas minhas mãos acabaram por acidente — ou não — o puxando mais.

Taehyung resmungou alto, batendo o pé.

— Jeongguk! Vamos, cara. Depois você namora. Já estamos super atrasados-

— Shh. — Jeongguk lhe cortou.

— Jeongg- — Tae não desistiu.

— Shh.

— Jeon-

— Shhh!

Apenas me deixei ser acolhido nos braços de Jeongguk enquanto observava seu colega de time bufar antes de ir embora, emburrado. Eu também estaria caso tivesse sido cortado repetidamente daquele jeito pelo capitão. Eu suspirei um pouco baixo e o Jeon voltou o olhar para mim.

— Não trate seus amigos assim. — falei, fazendo um biquinho com os lábios, que logo foi beijado.

— Tudo bem, é que não suporto quando insistem em me apressar quando estou com você. — tocou levemente meu nariz com a ponta do indicador, procurando me deixar menos bravinho. — Merda. Você cheira tão bem.

Ele me deu mais um beijo no pescoço e sorri aos suspiros, mas quando voltou a me apertar o bumbum e chupar-me o ombro, o afastei apenas um pouco.

— Vamos, Jeon… Você tem de treinar. — eu disse, o tendo erguendo o rosto e olhando em meus olhos. — Final de semana… Huh? — relembrei e vi-o fazer um beicinho.

— Não preciso treinar agora… — sussurrou, preso a mim. Ri um pouco.

— Você sabe que precisa…

Ele balançou a cabeça de um lado ao outro, meio indeciso.

— Hum… Tá. — afastou-se um pouco, exatamente dois passos. — Mas tenho que esperar um pouco. Estou duro.

Cobri os lábios, rindo um pouco e abaixando meu moletom até minhas calças, porque eu me encontrava do mesmo jeito. Puxei meu cabelo castanho para trás e vi-o suspirar alto, me olhando.

— Hey, não faça isso. — ele falou.

— Fazer o quê? — encostei-me na parede, querendo ficar um pouco mais afastado. Ele era muito quente.

— Não seja gostoso. — pisquei um par de vezes e coloquei o óculos de grau, que estava sobre minha cabeça. Ajeitei-o no meu rosto, podendo ver Jeongguk melhor. Ele mordeu o lábio. — Park Jimin, eu pedi para você não ser gostoso e você coloca seus óculos?! Está me ouvindo por acaso? — eu quis rir, porque ele parecia estar brincando, mas também parecia indignado. — Você só tá piorando minha situação.

Andei até ele e o abracei brevemente, dando um beijinho estalado na sua bochecha.

— Preciso ir. — murmurei.

— Não precisa não… — mais insistente que Jeon Jeongguk não existia.

— Sim, preciso. E você também. — dei dois tapinhas em seu peito. — Nos vemos amanhã, tudo bem?

— Não me abandone! Ahhh! — pfft, apenas Jeon Jeongguk para fazer um drama daqueles.

Depois de uns beijos atrapalhados e eu tentando sair muitas vezes, Jeon deixou-me ir quando lhe mordi no pescoço. Ele ficou meio desnorteado e distraído, e usei isso ao meu favor, apenas correndo de lá em seguida. Era difícil ir embora, ok?

Antes peguei minha pasta e coloquei no meio das minhas pernas. Só que eu logo me aliviei e, então, eu já estava no ônibus, indo para casa, já calmo.

Ao que cheguei, tive de me banhar rapidamente e me trocar mais apressado ainda por causa do horário. Eu estava muito atrasado para o curso e a culpa é todinha do Jeongguk. Aish. Quando arrumado, eu apenas peguei minha bolsa masculina e fui para o centro da cidade. Estudar. Era maravilhoso.

Devia ser quase quatro da tarde quando eu enfim saí da aula, um pouco sonolento e faminto. Comprei um sorvete de casquinha e comecei a andar em direção ao ponto que levaria-me até em casa, que graças aos céus, ficava perto de onde eu estava.

Eu odiava ter de passar por ruas vazias todos os dias após o curso, porque costumava ter muitos assaltos e valentões por aqui. Bem, eu não me preocupava com os valentões, e sim com os bandidos. Se eu fosse roubado, minha mãe me lascaria um tapa tão forte na fuça que partiria-a ao meio. Ela é o único valentão o qual me deixa amedrontado e covarde. Ô mulher, viu!

Eu havia acabado meu sorvete, então logo limpei meus dedos com o pequeno guardanapo. Procurei por uma lixeira para poder jogar fora, e fui até o beco. Eu me aproximei e joguei o lixo no lixo, me virando para sair e seguir a rotina, como sempre fazia.

Isso claro, antes de um grito choroso e alto tomar totalmente a minha atenção.

O som estridente soara atrás de mim e logo me virei, vendo claramente dois caras gigantes no fundo do beco. Tinha alguém… No chão?!

Roubo?

Peguei meu celular de imediato e a primeira coisa que fiz foi ligar para a polícia. Quando me aproximei, vagamente e me escondendo um pouco por detrás das lixeiras e móveis velhos e quebrados, notei que na verdade, não era um roubo.

Era claramente bullying!

Estalei a língua, irritado.

A polícia atendeu e de imediato falei minha localização e o que estava acontecendo. Aqueles caras estavam pisando violentamente no pobre garoto e isso era inadmissível. Eu não conseguia ver o rosto do menino, pois ele estava totalmente virado para o lado oposto, abraçando seu próprio corpo enquanto tremia um pouco.

Agh, pobrezinho...

— Estaremos aí em breve.

A polícia encerrou a ligação e eu já estava pronto para sair dali. Porque… Não deveria me meter em confusão, certo?

— Ahw! P-por favor, parem- AH! — o outro choramingou, a voz do rapaz estava desafinada e gritante.

Ele estava sofrendo.

Eu corri até as ruas, um pouco afoito e olhei em volta, decepcionado por ainda não ter nenhuma viatura. Quando eles chegariam?!

Ao que voltei para o beco e vi que os trombadinhas não haviam parado com a agressão, comecei a ficar vermelho e suspirando de raiva. Eu simplesmente abomino isso, eu odeio e juro que… É impossível de suportar.

Simplesmente não dá.

Mas eu sabia que eles eram gigantes e que eu sou um tampinha e… Poderia acabar apanhando junto. Isso ajudaria em algo?

Ouvi os choramingos do menino e ajeitei o óculos em meu rosto antes de soltar minha bolsa no chão.

Não posso só ficar olhando. Não devo apenas olhar!

Eu comecei a andar na direção deles e passei a escutar suas risadas e comentários maldosos, assim como o choro do menino estirado no chão, que vez ou outra implorava para os outros pararem.

Olhei para os lados e me deparei… Com um cano de ferro.

E uma garrafa de vinho vazia.

A primeira coisa que fiz foi tirar os óculos, enxergando meio mal, mas ainda sim enxergando, e quando peguei a garrafa de vidro no chão, o mais baixo entre os dois babacas me notou. Eu já estava bem próximo.

— Ei, Seunghyun, tem um anão-

Antes que o outro, de fato, entregasse minha presença, eu joguei com força a garrafa na sua direção e, se ele não tivesse se abaixado naquele momento, eu o acertaria em cheio.

A garrafa foi de encontro com a parede e se quebrou em vários pedacinhos. O estrondo fez ambos pararem e se entreolharem surpreso antes de me fitarem assustados.

— Mas que porra, você… — ele franzia o cenho e eu peguei mais uma garrafa, agora de cerveja. — Ow, mas que-

Ele se calou no segundo seguinte em que joguei a garrafa nele. Ele se encolheu, mas o vidro bateu em suas costas e se quebrou, fazendo-o gemer de dor.

— Youngbae! — o mais alto se abaixou até o outro e aproveitei a distração para me aproximar.

Quando a sua frente, ergui o cano de ferro e bati com ele na nuca do “Seunghyun”.

Ele foi ao chão no segundo seguinte.

Golpe na nuca, cara. Desmaiam na hora.

Depois eu joguei o cano no chão com força, querendo que o que ainda estava de pé recebesse umas pauladas naquela cara de rato. Mano, eu juro que ouvi ele chamando o rapaz no chão de “viadinho de merda” e, olha, não tenho pena de gente assim não. Cuzão.

Me distraí por um momento quando a vítima continuou a chorar muito alto, me deixando um pouco amuado e finalmente fazendo-me olhar em seu rosto.

Jaqueta… Laranja e preta.

Do time? Do meu colégio?

Meu Deus!

— Jeongguk! Por Deus, bebê! — eu gritei desesperado, me abaixando até ele.

Não creio que era ele quem estava sofrendo naquele beco! Se eu soubesse, teria aparecido bem antes. Droga!

Jeongguk tremia muito e estava com o rosto molhado de choro. Eu nunca o vi assim antes. Tão… Indefeso.

Mas o que diabos estava acontecendo, afinal?

Tá, eu sei que eram dois garotos contra um. Só que o Jeongguk é muito forte! E ele até luta — sim ele está no clube de luta do colégio —, como não pôde revidar? Céus, ele estava apenas jogado, chorando encolhido. O que aconteceu com ele para ficar assim?

Não sei como não percebi que era Jeongguk ali antes. Nunca ouvi o Jeon gritar daquele jeito, muito menos presenciei um choramingo seu tão vulnerável e frágil. Acho que a falta dos meus óculos também atrapalhou o processo, mas… Isso não importa!

Uma atitude assim não parece nada com uma do Jeon. O Jeongguk que conheço se safaria na primeira oportunidade, com certeza se levantaria e daria o bote nos caras!

Porque Jeongguk é assim, ele só se resolve, e resolve direito.

Mas lá estava ele, jogado ao chão e berrando de tanto chorar.

Toquei-o no rosto, tendo-o abraçando meu pulso com força e chorando mais, como se estivesse desesperado.

— H-hyung, por favor, faça-os ir embora! — suplicou entre soluços.

Deus.

Ele parecia muito uma pessoa indefesa e realmente fraca.

Coisa que ele não era.

Ou eu pelo menos achava que não…

— Mas o que é que está acontecendo, porra?! — o valentão que até então estava quieto, massageando seu quadril onde lhe acertei com a garrafa, perguntou.

Nem eu sei, mano.

Levantei de supetão e vi o trombadinha ficar completamente confuso, percebendo só agora que seu amigo estava apagado no meio do chão — babando aliás, ew —, e quando ele ficou distraído com este, peguei um pedaço de pau. Sério… Era um pedaço de pau.

Parecia mais com a perna de uma cadeira, mas aquilo não importava.

O menino fechou os olhos quando acertei sua cabeça. Depois gritou quando continuei, agora com força e acertando seus braços. Não sei quantas pauladas eu acertei naquele filhote de puta, mas que foram muitas e que carregavam força, eu não posso negar. Eu me sentia muito, muito furioso.

Furioso por terem mexido com meu querido dongsaeng.

Ele então avançou contra mim e a única opção que tive no momento fora a de começar a correr. Não para fora do beco, claro que não, eu não podia e nem queria simplesmente abandonar Jeongguk sozinho ali! Mas eu ainda sim corri.

Eu estava correndo em círculos, tendo-o na minha cola.

Eu subi em cima da lixeira e fiquei desequilibrado, vendo o mais alto tentar me puxar. Dei um pisão no dedo dele e ele gritou de dor. Ele estava virado, então peguei a cadeira que ‘tava praticamente quebrada ao meio dentro da lixeira ao lado e ergui-a.

Quando ele se virou, eu joguei aquela bagaça com tudo na cabeça dele.

Comecei a respirar ofegante — correr demais não é lá o meu forte, sou sedentário — e pude escutar o menino choramingar. Desci da lixeira, peguei a cadeira que já nem era mais uma cadeira e me pus na sua frente.

Eu estava pronto para acertá-lo, mas a movimentação atrás de mim me alarmou e eu parei.

O amigo do outro — que pensei que estava desmaiado — se levantou e, meio tonto, veio para perto. Dei dois passos para trás, ainda com o móvel quebrado nas mãos e este apenas disse:

— Cara, esse tal de Jimin é um anão assassino!

E quando eu pensei que fosse me atacar, ele apenas começou a correr e, depois de passar direto por mim e seu amigo, ele fugiu do beco. O encolhido no chão logo tratou de se levantar e me fitou amedrontado antes de apenas sair correndo, aos tropeços.

Mano.

Sério?

É cada uma, viu…

Logo soltei aquela coisa e suspirei, um pouco cansado. Minha perna doía um pouco e acho que bati com ela na lateral da lixeira. Ou talvez apenas estivesse dolorido por não correr daquele jeito nunca. Uau, preciso me exercitar mais!

Logo me lembrei do mais novo e de imediato o fitei. Corri até seu corpo e me sentei no chão, ao lado de Jeongguk, que puxava os cabelos de sua cabeça com força. Ele parecia desesperado. Por quê?

— Tudo bem, Kook-ah… Estou aqui. Já está tudo bem. — eu segurei seu rosto e tive-o apenas se erguendo um pouco, escondendo o rosto em minha barriga.

Jeon continuou chorando um pouco e eu, de verdade, estava muito confuso.

Queria saber o que diabos havia acabado de acontecer.

— E-eu sinto muito, hyung… — choramingou agarrado a mim.

Ele parecia tão desesperado… E aquilo era tão novo para mim.

Eu definitivamente preciso descobrir o que aconteceu.

[…]

Nessa tarde, eu fiz com Jeongguk o mesmo que minha mãe sempre fazia comigo quando eu era pequeno e havia um dia realmente ruim.

Nós lavamos seu rosto, limpamos seus machucados, e viemos comer fritas e hambúrguer.

Acho que estávamos sentados ali há mais de duas horas. Ele ainda estava muito assustado, e vez ou outra arregalava os olhos e começava a transpirar, tremer. Eu colocava minha mão sobre a sua e apenas assim ele parecia realmente voltar a realidade, se acalmando ao que me olhava nos olhos.

E depois de eu insistir, Jeongguk me contou o porquê de sua reação… Digamos, um tanto incomum e exagerada diante de uma briga.

E, bem, até que havia muito sentido.

Acontece que Jeongguk, desde criança, possui um histórico de sentir-se desconfortável ao visualizar, seja na vida real ou em filmes, cenas de sangue e de violência. À medida que ele foi crescendo, o problema começou a piorar. Ele já não sentia apenas um mal estar, mas um medo desproporcional e intenso. E foi o que aconteceu hoje.

Pelo que fiquei sabendo, os agressores eram do colégio vizinho e perseguiram Jeongguk por este ter zombado um pouco deles quando vencemos a última partida de vôlei que teve entre as duas escolas. O mais novo me contou que, quando um dos dois lhe acertou um tapa ardido no rosto, ele já não conseguia respirar direito. Ficou sem ar na hora.

Porque era violento.

Foi quando sentiu a dor, notou que estava em um beco e viu que seria espancado que Jeongguk… Apenas se jogou no chão, começou a chorar e proteger a cabeça com os braços, desesperado. Ele disse que mal viu quando cheguei e que também, não se lembrava totalmente da briga ou dos golpes.

— Era como se… Eu estivesse dormindo e acordando, constantemente. Eu só me lembro de sentir dor, apagar, ver tudo em um borrão e depois, deixar de sentir os golpes. Então vi você. Foi só depois que você apareceu que parei de ficar… Desmaiando.

Jeongguk me contava os detalhes, meio tímido e vez ou outra ficava amuado. Eu perguntei várias vezes se ele gostaria de ir para casa, pois o que vivenciou hoje, o que sofreu, era algo realmente árduo para si. Ainda mais por conta dos problemas que tinha. Ele precisava descansar.

— Eu posso te levar em casa. — eu disse, olhando em seus olhos e segurando sua destra com ambas as mãos, querendo aquecê-lo.

Ele balança a cabeça, negando.

— Minha casa… Está vazia agora. — murmurou, os ombros caídos e os olhos alagados. — Se eu ficar sozinho, certamente, terei um ataque de pânico.

— Jeonggukie…

— Apenas fique comigo mais um pouco.

Eu, obviamente, não neguei aquilo.

Ainda fiz mais perguntas a ele sobre aquele fato. Tipo, como ele lutava se não gostava de violência? Jeongguk disse que era totalmente diferente, e que dentro do nosso clube, as coisas eram leves e alunos se divertiam entre si e, por isso, Jeon não enxergava tal coisa como violência. Mas ele não conseguia ir em nenhum festival ou olimpíada, porque se sentia enjoado e amedrontado.

E ele não sabia o porquê de ser assim. Nunca soube.

Simplesmente não havia, sob a ótica psicanalítica, nenhuma relação entre os seus sintomas e experiências da sua infância que pudessem ter provocado um trauma que evoluísse à fobia. Ele só… Só era assim.

Parecia-me suspeito. Mas eu não queria questioná-lo muito.

Afinal, ele já passou por muita coisa hoje.

Atualmente, estávamos caminhando juntos em silêncio pelo centro, já anoitecido. Ele tomava um sorvete e eu o observava, me sentindo um pouco preocupado demais. Depois de saber sobre todas aquelas coisas, ele me parecia tão… Frágil. Eu simplesmente queria abraçá-lo até tudo passar.

Eu queria protegê-lo.

Jeon me percebeu lhe olhando e suspirou. Ele estava chateado.

— Aposto que agora você acha que eu sou um bundão sem charme. Não é? — riu sem ânimo. — Tudo bem. Você não precisa… Forçar nada. Se não gosta mais de mim… Eu entendo.

Eu quase quis rir.

— Jeongguk, deixa de ser idiota. Eu gosto muito de você. — acariciei os seus cabelos. — Me diz… Você se sente bem agora? Acha que está um pouco melhor?

Ele deu de ombros.

— Eu não sei… — de repente, ele ficou cabisbaixo. — É que eu realmente não penso em nada quando você está por perto.

Ahw…

Abracei seu braço, passando a caminhar ao seu lado.

— Eu sinto muito. Por que nunca me contou antes? — perguntei, meu óculos estava meio torto no meu rosto, então o ajeitei.

— Não é algo legal de se saber.

Suspirei, chateado.

— Bem…

Jeongguk parou por um momento onde estava e eu acompanhei-o, lhe fitando no rosto.

Suas bochechas estavam coradas e ele engoliu em seco antes de me encarar, por um momento.

— Jimin hyung… — lambeu os lábios, sua hesitação era palpável. — Eu… Você poderia começar a me acompanhar, por favor?

Franzi o cenho, confuso.

— Acompanhar?…

Jeongguk mordeu a casquinha do sorvete e entrelaçou seus dedos aos meus.

— É que eu não tenho coragem de… Ir sozinho. — ele começou e forçou mais seus dedos contra os meus. — Minha vó… Faz um tempo que ela quer que eu vá ao psiquiatra… Tentar me tratar. — fechou os olhinhos com força.

Acariciei sua cabeça e sussurrei:

— Tudo bem. Continue.

Ele voltou a me fitar e apenas fiquei em silêncio. Ele parecia querer dizer algo importante, mas… De certa forma, tornava-se difícil para ele.

— Embora eu ache que não irá adiantar… Ela quer muito que eu tente. — disse, mordendo o lábio indeciso. — Sabe… Você… Poderia ir comigo? Nas consultas?

Ele me queria por perto nas suas consultas?

— Jeonggukie…

— É que eu… Apenas não quero ter de passar por tudo isso sozinho.

Naquele momento, eu apenas abracei Jeongguk com muita força.

Jeon me parecia tão solitário naquele momento que eu fiquei amuado. Eu nunca o vi assim e, realmente, nunca cheguei a cogitar a ideia de alguém como ele (popular) ser uma pessoa solitária. A aparência e expressão facial alheias estavam tão melancólicas que eu quase quebrei em milhões de pedacinhos.

Seus olhos transmitiam tanto medo… Solidão.

Ele descansou a cabeça em meus cabelos e fungou um pouco.

— É claro… Eu te acompanho, meu bem.

Naquele noite, eu fiquei até tarde na rua com Jeongguk.

Foi só quando deu o horário de sua mãe chegar em casa que eu deixei-o em frente ao seu condomínio, ainda meio hesitante em deixá-lo sozinho. O mais novo me parecia tão frágil que eu sentia que ele poderia quebrar a qualquer momento.

E talvez eu esteja exagerando, mas… É que ele é importante.

Antes de entrar, ele finalmente me deu um beijo na boca e foi diferente do comum. Era um toque calmo, tímido. Eu fiquei abobalhado.

Ele olhou em meus olhos antes de me abraçar mais uma vez.

— O-obrigado… — murmurou e tive certeza de que ele chorou um pouco ali, no meu ombro. Dei batidinhas em suas costas e fiquei consigo até que se acalmasse. Tão vulnerável…

Quando Jeongguk entrou para casa e eu fui até o ponto para pegar um ônibus e ir para a minha, fiquei pensando em tudo que acontecera hoje.

E em como eu estava errado sobre o quê éramos.

O clichê que eu pensava que nosso romance era não passava de uma grande mentira.

Pois Jeongguk era o popular charmoso, forte, de reputação preciosa e muito sexy.

Já eu, era o nerd atrapalhado, que tinha a língua meio enrolada, um óculos gigante na cara e aparência frágil.

Mas no fim, foi o nerd que salvou o popular.

Isso me fez rir depois daquela noite tão fodidamente tensa. Eu sei lá, de certa forma, tinha graça. Minha perna doía pela força que coloquei nela nos chutes e eu me sentia preguiçoso, porque...

Eu era sedentário. Eu não praticava esportes. E era um CDF.

Mas salvei alguém como Jeon Jeongguk.

Sorri, me sentindo realmente capaz de fazer muitas coisas.

De fato, eu continuaria salvando-o de agora em diante. Mesmo que minhas pernas sejam fracas e curtas para correr sempre até Jeongguk e salvá-lo, eu daria o meu melhor para apenas estar ao seu lado. E também, para bater em valentões com um pedaço enorme de pau.

Porque eu era o nerd super-protetor dele. E Jeongguk era o meu popular medroso.

Eu cuidaria dele, e faria que nossa relação problemática e estranha continuasse tão apaixonada quanto antes.

Porque no fim, eu amo como somos e sempre seríamos Um clichê nem um pouco clichê.


Notas Finais


era pra ser engraçadao mas acabou que ficou meio melancólico no final nao eh msm¿

Link do jornal: https://spiritfanfics.com/jornais/bchallenge-universo-invertido-10850154

obrigada por betar @Vianne <3 você é do caralho te amo

Espero que tenham gostado, sei lá, essa fic ficou meio pombo mas belê. Beijinhos e até a próxima~


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