História Uma dose violenta de qualquer coisa - Capítulo 26


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Adolescente, Amizade, Assassinato, Colegial, Drama, Lgbt, Romance, Tragedia
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Palavras 1.974
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 26 - Eu não consigo ficar longe de você


88 dias antes.

Marina havia acabado de sair do hospital e estava exausta, tinha ido visitar a mãe novamente e ficara feliz com o que vira. A mãe fez muitas perguntas sobre o que tinha acontecido mas a garota havia sido orientada pelos médicos e pelo pai a evitar responde-las e achou que conseguiu lidar bem com a situação. Passou algumas boas horas com a mãe e sentia que ela estava estável e entendia sua condição apesar de ter falado algumas vezes sobre o quanto queria ir para casa e ficar com sua família. Mas a garota estava cansada, era desgastante ter que parecer bem o tempo todo e dar força à sua mãe ao mesmo tempo. Não entendia como o pai conseguia fazer isso tão bem...

A loira se assustou quando escutou a campainha tocar. O pai estava trabalhando até tarde naquele dia para compensar as horas que teve que ficar no hospital com a sua mãe. Marina andou até a sua janela em silêncio e espiou entre as cortinas, relaxou quando viu que era Eli quem estava parado na porta.

Correu para atender a porta e, quando o viu parado na sua frente, disse:

-Você quase me matou, eu estou sozinha em casa.

-Era esse o objetivo – ele riu e continuou –Eu estava aqui perto e pensei em te chamar pra tomar um milk-shake comigo ou alguma coisa assim...

-Você vai pagar? – ela perguntou tentando conter o sorriso.

-Sim – ele concordou.

-E você vai me salvar da raiva do meu pai se ele chegar em casa mais cedo e ver que eu não estou aqui?

-Com certeza – ele sorriu enquanto a loira pegava o celular e saía de casa para o seu carro.

***

Marina e Eli estavam sentados nas mesas do lado de fora da sorveteria, um prédio rosa todo de vidro cujo interior estava lotado. Mas a garota estava gostando de ficar do lado de fora e sentir o vento da noite soprar junto com aquele cheiro da chuva que estava por vir, era quase reconfortante.

Eli tinha pedido um milk-shake de flocos enquanto ela se contentara com um de morango, ambos tinham chantilly no fundo e em cima. A loira concluiu que era o melhor milk-shake que tomara em toda a sua vida mas pode ser que estivesse sendo influenciada pela companhia...

Levantou os olhos involuntariamente e deu por si olhando Eli enquanto o garoto estava distraído. Não conseguiu desviar o olhar por mais que tentasse, ele era lindo quando estava relaxado. Quer dizer, ele podia ser bem assustador às vezes com aquele jeito sério mas ele também era doce e gentil e isso a fazia se perguntar o que mais haveria nele que ela ainda não vira. Percebeu a cicatriz do seu pescoço se contrair enquanto ele tomava o milk-shake, tinha vontade de tocar a pele naquele lugar, ver se era tão áspera quanto parecia ser. A cicatriz era realmente grotesca mas isso não o fazia mais feio, pelo contrário, fazia ele parecer mais alcançável, mais vulnerável e ela achava que tinha algo de excitante nisso, ver um cara forte como ele marcado daquele jeito horrível.

Surpreendeu-se quando os olhos dos dois se encontraram e tentou desviar o seu o mais rápido possível mas deve ter parecido ridícula pois o ouviu rindo. Ela o encarou novamente com um sorriso sem graça no rosto.

-O que foi? – ele perguntou ainda rindo um pouco.

-Só pensando... – Marina cutucou o chantilly no fundo do copo de plástico, achava essa a melhor parte.

-Eu também estive pensando, sabe? – ele pousou seu copo vazio na mesa e a encarou firmemente, não havia risada ou sorrisos dessa vez apenas uma hesitação leve –Fiquei sabendo que você meio que fez as pazes com o Guilherme, de novo...

Algo na voz dele fez com que ela não gostasse da forma como ele falava mas decidiu deixar pra lá e ver o que ele tinha a dizer.

-Eu só queria que você tivesse cuidado – ele continuou depois do silêncio dela –Não confio nele, sabe o que eu penso e eu me preocupo que...

-Eli – ela o interrompeu, seus olhos azuis enfrentavam os olhos ferozes dele –Eu tenho tudo sob controle, não vou mais aturar as coisas de antes e ele sabe disso.

-Mas não é disso que tenho medo, é de que aconteça alguma coisa! – ele falou e ela quase conseguiu vislumbrar tristeza nos olhos dele mas não soube explicar porque –Olha, não quero te falar o que fazer nem dar mais um dos meus sermões. Só quero te dizer que é pra você me chamar se precisar de alguma coisa... Ou de alguém pra te defender.

Marina congelou ao ouvir isso. Não achava que Guilherme fosse capaz de fazer qualquer coisa ruim pra ela mas, com Eli falando desse jeito, uma sensação horrível tomava conta dela e a fazia pensar em todo tipo de coisa horrorosa.

-Você sabe que é a primeira pessoa que eu chamaria, não sabe? – ela disse sem pensar sentindo-se mal logo em seguida, não era o tipo de coisa que uma garota com namorado deveria falar, era? Mas ao ver como o rosto dele se iluminou e vislumbrando aquele sorriso doce que sabia ser tão difícil ver, ficou feliz por ter dito aquilo.

-É nisso que eu confio – ele respondeu mantendo seus olhos nos dela até Marina ser obrigada a desviar o olhar quando começou a ficar vermelha.

Ouviu a risada dele e sentiu seu peito esquentar como se a voz dele fosse mel ou alguma coisa do tipo.

***

86 dias antes.

Rafaela lia um livro deitada na cama, a casa estava em completo silêncio e sabia que, se houvesse alguém na rua essa noite, a única luz a ser vista seria a do seu quarto já que Luciana acabara de voltar de um plantão de duas noites e estava desmaiada de sono na cama do quarto ao lado. A garota não podia ter certeza mas tinha a ligeira sensação de que a mãe adotiva a estava evitando desde todo aquele drama com a mãe biológica que não voltara a procurá-la desde então. Rafa até chegara a acreditar que a mulher fora embora da cidade e desistira de falar com ela mas acabou escutando Luciana no telefone outro dia e tinha certeza que ouvira ela chamar a pessoa do outro lado de Rita e sabia que não existiam muitas Ritas na vida de Luciana.

Tentou se concentrar na leitura, precisava se distrair de todos os problemas que tinha na cabeça mas logo seus pensamentos tomaram rumos inesperados e encontraram Luana...

“Eu sinto tanta falta dela”, pensou enquanto fechava o livro pois sabia que não conseguiria mais ler. Sabia que tinha sido uma idiota e, quando procurou a loira para se desculpar pelas merdas que tinha falado, quem passou a evitar essa conversa foi Luana. Rafa sentia-se vazia, como se faltasse uma parte dela e não sabia o que fazer para consertar as coisas entre as duas.

Enterrou o rosto no travesseiro desejando que pudesse amassar todos esses pensamentos e jogá-los fora mesmo sabendo que não era possível.

***

Luana estava escondida atrás de uma árvore enquanto pensava no que estava prestes a fazer. A casa de Rafaela estava na sua frente e via que a única luz acesa era a do quarto da garota mas o carro de Luciana se encontrava na garagem e, caso Rafa ficasse puta pela invasão da loira e começasse a gritar com ela, não queria que a mãe da amiga acordasse e chamasse a polícia. Tentava se convencer a desistir, dizia a si mesma que era uma péssima ideia mas sentia o peito se apertar ao pensar em ficar mais um dia sem falar com a amiga. Desde o incidente no lago, evitou Rafaela, Marina e Eli o máximo possível mas não sabia quanto tempo ainda conseguiria fazer isso, já começava a se sentir mal novamente e tinha medo de ter mais uma daquelas suas crises...

Juntando toda a coragem que tinha, atravessou a rua e se pôs a caminhar até o carro de Luciana. Olhou em volta para ter certeza que estava sozinha e ninguém a observava e pulou suavemente para o capô do carro. Esticou-se até conseguir alcançar o telhado e içou-se para cima, um vento gelado soprou nesse instante e fez seus ossos reclamarem mas continuou mesmo assim. Chegou perto da janela do quarto da amiga e espiou por dentro, Rafa tinha a cabeça enterrada em travesseiros e por um momento teve medo de que ela estivesse dormindo mas então a garota levantou e ficou encarando a parede com os braços apoiados no joelho. A loira deu batidinhas suaves na janela e logo os olhares das duas se encontraram.

Rafa pareceu estar completamente confusa mas correu para abrir a janela, antes que a amiga pudesse falar qualquer coisa Luana cuspiu as palavras o mais rápido que pôde:

-Sei que sou uma idiota e que vacilei feio dessa vez, sei que o fato de eu fazer as mesmas coisas sempre não fazem isso ser menos errado e não quero me justificar mas eu estava mal, eu precisava de um tempo e acabei não estando presente quando você e Marina precisaram de mim sendo que vocês duas sempre me ajudaram. Não sabe o quanto me odeio por isso! Não posso prometer que eu não vou mais errar, sabe que eu sou um desastre e ainda vou fazer muita merda, mas quero te pedir desculpas. De verdade! Não sabe o quanto sinto tua falta, o quanto preciso de ti. Pode me xingar se quiser mas não me atira da sua janela, pelo menos deixa eu me explicar, deixa eu me desculpar...

Rafaela a olhava sem saber direito o que falar, saiu da frente da janela e fez sinal para que a loira entrasse. Luana passou pelo espaço e viu-se no quarto da amiga, sentou na beira da cama e suspirou.

-Sinto muito mesmo, não sabe o quanto a minha cabeça dói de tanto pensar nas merdas que estão acontecendo...

-Você disse que quer se desculpar – Rafa a interrompeu –Não quero um pedido de desculpas, só preciso que você seja sincera. O que houve naqueles dias? Por que você some de vez em quando?

Luana pareceu congelar, encarou Rafaela sem conseguir formular uma única frase. Rafa estava preocupada, sabia há semanas que tinha algo que Luana se esforçava para esconder de todo mundo e estivera perto de descobrir o que era em tantas ocasiões diferentes que perdera a conta mas agora estavam ambas ali e tudo que a garota pedia era a verdade. Mesmo assim, Luana parecia travada e assustada.

-Eu tenho essas fases ruins de vez em quando... – começou a olhar para o chão –E estou tentando melhorar. O única jeito de fazer isso é sumindo de vez em quando...

-O que quer dizer com fases ruins? – Rafa tentou falar com mais suavidade. Se aproximou e intrometeu-se no campo de visão da loira, agora ela não tinha opção senão olhar diretamente para Rafaela.

-Eu não sei o que é, só sei que eu começo a... Surtar! – Rafa viu as lágrimas se formarem nos olhos da loira e ficou sem palavras –Por favor, isso é tudo que eu consigo contar...

-Tudo bem – Rafaela a envolveu em um abraço –Sinto muito que você tenha essas fases ruins, Luana, e sinto muito que eu tenha sido dura demais com você. Eu estou mais calma agora e não vou ficar descontando nos outros.

A loira fungou tentando evitar que as lágrimas caíssem e Rafaela a abraçou mais apertado, o alívio tomava conta de ambas. Rafa quase sentiu seu coração partir quando Luana confessou em um sussurro:

-Senti tanto a sua falta...

Rafa sentiu algo engasgado na sua garganta, todas as palavras e sentimentos com os quais lutava havia muito tempo mas apenas sorriu tristemente e respondeu:

-Também senti a sua.



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