História Under the Crown - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Palavras 2.004
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bem vindos!
Caros leitores, espero que gostem da história que vos apresento. Vamos levar nossos jogadores à Idade Média transformando-os em mocinhos, outros em vilões, bravos guerreiros ou meras vítimas das adversidades da época.
Se envolva, se apaixone ou morra de ódio de alguns deles!

Boa 📚

Capítulo 1 - Cavaleiro sem feitos


Germânia 
              Século XII d.C. 


O cômodo em pedras úmidas exalava um cheiro embolorado misturado a algo ardente que emanava da bacia de ferro fundido onde um líquido borbulhava soltando uma neblina densa ao redor. O sacerdote repetia baixinho versos decorados com cuidado, era como uma oração mas suas palavras soavam desconexas. 
Michael tremia por dentro, odiava coisas místicas. De canto ele observava o interesse quase desesperado do rei Rummenigge nos encantamentos do prisioneiro que poucos sabiam que habitava o casebre depois da montanha. 


- E então, o que vês? - o rei pressionou diante da quietude do homem. 


- Majestade, temo que a visão... 


- Não ouse esconder nada! 


- Há uma menina, uma criança com uma coroa na cabeça... - o sacerdote começou a contar porém temia por sua vida - ... Ela tem o seu estandarte no peito mas... A criança carrega uma cabeça nas mãos. 


Michael engoliu em seco.

 
"Que visão detestável." - pensou consigo mesmo na desejando que o sacerdote fosse levado a masmorra. 


- Ela possuí uma tatuagem? - o rei se apressou. 


- Sim, como sabe? Digo, vossa majestade consegue ter a visão? - o homem se corrigiu e baixou a fronte. 


- Eu tenho uma filha... - o rei andou pelo lugar como se estivesse em um devaneio - ... Guardas! Reúnam os homens, temos uma expedição a fazer! 


Michael seguiu os cavaleiros que faziam a guarda do rei, com certa dificuldade levando suas lanças pesadas numa amarração de couro. Logo que retornaram foi enviado à chamar dez cavaleiros a qual seu lorde comandante tinha grande estima, dizendo que aguardassem de frente à imponente construção de pedras, a fortaleza da Germânia. 
Os dez homens passaram a noite reunidos em secreto com o rei e quando retornaram trouxeram a notícia de que o jovem escudeiro se tornaria cavaleiro da guarda real. Não mais um carregador de lanças ou lustrador de espadas, finalmente o jovem Michael de sobrenome sem importância, saído de família pobre poderia sentar-se entre os honrados do reino. 


... 


Na sala real onde o trono domina o lugar mais alto Michael se ajoelha ao fim da escada diante de sua espada sob os olhares dos outros guardas e da família real. O rei Rummenigge está prestes a nomea-lo Sir Ballack, uma honra para um homem de origem humilde e família desconhecida. Por outro lado, o ato causou estranheza por parte dos nobres por onde correu a novidade, mas principalmente do primeiro na linhagem de sucessão ao trono, o príncipe Bastian. O jovem rapaz olhava com desdém seu pai pegar a espada de diamante e por sobre a cabeça de um homem sem nenhuma tradição, sem nenhum feito heróico que justificasse o título. 


- Isto não passa de uma grande sandice... Loucura... - cochichou para seu irmão Toni. 


O príncipe mais novo não entendia muito bem o motivo do ato de seu pai mas considerava Sir Ballack um bom homem, talvez o mais fiel à sua casa dentre todos os escudeiros. Já o havia visto servindo aos cavaleiros diversas vezes. 


- Sir Ballack merece uma chance. - sibilou para o mais velho. 


- Idiota! Um título como este é para homens importantes, não nascidos em currais... Se bem que tu não nasceu num curral mas fede como se fosse...


O príncipe Toni aprendeu a ignorar os desprezos que recebia do irmão, mas nesse último quesito até concordava com ele, nascera em berço de ouro porém se agradava mais em estar com seus cavalos. 


Um dos guardas mais antigos lia o juramento a qual Sir Ballack deveria dali em diante se submeter. Eram juras de honra e fidelidade ao reino, comprometimento ao rei a ponto de negar sua própria vida, não poderia se casar, constituir família, possuir terras ou lidar com mercadores, teria que dar sua existência para que o reino da Germânia fosse o maior até o fim de seus dias. 


Com olhos marejados Sir Ballack jurou e levantou-se do chão como um nobre e honrado cavaleiro da guarda real da Germânia. 
O título de nobreza do jovem cavaleiro não era apenas um juramento, uma espada sobre a cabeça. Sir Ballack ainda precisava provar a si mesmo e a todo o reino que o rei não estava louco ou precipitado, sua primeira missão era a melhor oportunidade pra isso. 


... 


- Preciso que encontre ela... Não quero que fira a tribo ou que traga qualquer coisa deles. Só quero que traga a minha filha. - o rei detalhava a primeira missão do jovem. 


- Majestade, se me permite... - Ballack não queria soar como um covarde mas atravessar o rio Reno e enfrentar as tribos isoladas em florestas e pântanos não lhe parecia uma missão mas sim um suicídio. 


- Sir Ballack, todos os nomes que carregamos trazem um peso sobre a nossa história. Todos os grandes homens tiveram que enfrentar seus medos, seus fantasmas... Quer ser lembrado? Quer que façam canções sobre seu nome nas tavernas? Então atravesse o Reno e traga minha filha dentre aqueles malditos feiticeiros selvagens! 


- Majestade como vou encontrar a princesa? 


O rei andou de um lado para o outro na saleta. 


- Não será tão difícil... Encontre a mulher que me seduziu... Lorna. A mais bela feiticeira que já vi... Já faz cinco invernos... Paramos para descansar, os animais estavam exaustos e o rio tinha uma neblina densa... Ainda lembro de vê-la se banhando, completamente nua... Era linda, sua pele clara se misturando a neblina, seus cabelos avermelhados e olhos verdes... Eu sabia que ela era uma selvagem mas era a criatura mais bela que meus olhos já tinham visto, saiu da água sem se esconder, não cobria o corpo por vergonha ou qualquer outro motivo... Entrou pela floresta e eu... Bem, eu... - pausou constrangido. 


- UM CORVO!!! - alguém gritou anunciando a chegada de uma mensagem. 


O rei saiu ao encontro ansioso. 
Um pequeno pergaminho atado à uma das patas de um corvo semi depenado por algum tipo de peste, poderia ser muitas coisas mas era quase certo ser algo ruim. Ao sul as tribos estavam insatisfeitas em fazer parte de um reino, queriam sua independência a todo custo. 
Porém o bichano arisco trazia consigo a pesada atmosfera de magia com o tecido vermelho atado à pata que indicava de onde estava vindo, das tribos selvagens do Norte, um povo isolado além do Reno que guardava as antigas tradições celtas. Quase nenhum homem ousou tocá-lo apenas o principe Bastian, primogênito do rei, foi capaz de tomar a ave e obter a mensagem.

Na presença do rei, seu conselheiro e guardas pessoais o principe leu as palavras com sua pressa jovial, sem titubear: 


- Maldito sejas, rei da Germânia! Minha irmã carrega o fardo de ter dado à luz como uma qualquer por tua causa. Enquanto ostentas teu reino, uma pobre donzela deflorada trouxe à esse mundo infeliz duas crianças que não encontrarão descanso por carregar teu sangue maldito, por serem bastardas do rei. Que faremos? Que faremos com o garoto da tua linhagem? Que destino terá a meni... - neste momento o príncipe pausou sua fala. 


- Continue, meu filho. - pediu atento. 


O jovem herdeiro gaguejou e finalmente prosseguiu: 


- Que destino terá a menina? Faz cinco invernos que não temos onde repousar, pois todos dizem que a criança é o cumprimento das profecias antigas. 


- Uma menina! - o rei apontou para o seu conselheiro - Como na profecia! 


- Pai, o que significam tais palavras? - o principe se encheu de ira. 


O conselheiro do rei foi até o jovem e pôs a mão em seu ombro esquerdo numa demonstração de pena. Era óbvio que, na possibilidade de ter uma rainha, o povo da Germânia aclamaria a menina ao trono quando o rei fechasse os olhos para este mundo. O antigo costume da família real, desde que vencera a última rebelião, dava ao povo o direito de escolher, a cada coroação, se queria ser regido por um rei ou uma rainha. Por causa de uma profecia antiga, o povo ansiava por esse dia, em que uma rainha traria justiça ao reino. 
Cada oficial da guarda mantinha seus olhos distantes porem estavam tão chocados quanto o principe. O rei era um adúltero. 


- QUE MALDIÇÃO SUA MAJESTADE TROUXE SOBRE NÓS??? - Bastian bradou com ódio. 


- Cale-se, Bastian! Ainda sou seu rei! - andou rápido até o filho e o encarou com severidade. 


- Uma vadia celta, pai??? Com tantas prostitutas em teu reino, foste te deitar com uma feiticeira? 


- Ela não é feiticeira. - rosnou. 


- Ah não? Como explicas o fato de um rei se sujeitar a cama dela? Um rei com uma família... 


O rei não teve argumentos e o jovem continuou a desafiá-lo na frente de seu conselheiro e dos homens da guarda. 


- Pensava que nenhum homem sobre a terra era mais digno que tu... Enganei-me... Tu não passas de um imundo que te deitas com estrangeiras sujas. Que vais dizer à minha mãe, tua rainha? 


O príncipe havia passado dos limites e num golpe o rei agarrou o pescoço do filho e apertou com raiva por causa das palavras de desrespeito proferidas por ele. 


- Ainda sou teu rei! E a partir de hoje, somente teu rei, não tens mais meu amor de pai, tampouco te quero no meu trono. 


- Quem colocarás em meu lugar para reinar? Toni??? Bem sabes tu que ele não almeja nada além de uma cocheira fedendo a esterco! Entrega teu reino a ele e serás lembrado como o rei louco que deserdou o verdadeiro rei da Germânia! - grunhiu quase sem ar - Este trono me pertence e sabes disso! Eu sou o rei quando Deus te levar ao mundo dos mortos, velho! O povo espera por isso! 


O rei parou e deu um meio sorriso soltando a garganta do filho. 


- O povo esperava por isso... Porem tu mesmo sabes... "Das terras de neve e gelo nascerá uma menina, uma rainha virá à Germânia, nascida em ouro mas experimentada em sofrimento. Virá de longe para destronar o injusto e... se assentará no trono de prata. Fará justiça ao necessitado, dará abrigo ao órfão e pão ao faminto. Nos dias do seu reinado os corpos dos perversos servirão de alimento as aves de rapina desde a Saxônia até o grande mar e então haverá paz até o fim dos seus dias. " - recitou. 


- São só palavras de um velho herege que eu mesmo queimarei no dia em que for coroado. 


O rei gargalhou. 


- Bastian, Bastian... São palavras de um velho sacerdote que arrastou multidões após si... 


- Um feiticeiro louco que arrastou loucos iguais a ele! Aquele porco proferiu mentiras que nunca se cumpriram e agora esconde-se na Agulha do diabo! 


- Não importa! - o rei o encarou bem de perto - Quando o povo conhecer a menina, sua irmã, eles acreditarão. 


O rapaz apertou os dentes irrigecendo o maxilar ao ponto de pulsar suas veias e seu rosto avermelhar-se de ódio. Imediatamente virou-se e foi em direção a saída sendo interrompido pelo bradar do rei. 


- NÃO O AUTORIZEI SAIR! NUNCA DÊ AS COSTAS PARA O SEU REI! 


Ele parou diante da enorme porta de madeira. Virou-se e olhou o pai com olhos turvos. 


- Permissão para sair, majestade. 


- Permissão concedida. 


Assim que o rei viu o filho desaparecer pelos corredores de pedra, chamou seu conselheiro e sir Ballack em particular. 


- São dois filhos que tenho no meio dos selvagens. Eu preciso tê-los aqui... Essas crianças podem ser a esperança para o reino... - o velho Rummenigge ponderou. 


- Majestade... - o conselheiro pediu permissão para falar - ... O príncipe Bastian nunca permitirá que um bastardo suba ao trono. O povo não aceitará um rei, ou uma rainha, com sangue de feiticeiros... O bispo de Roma também... 


- Sir Ballack, reúna dez homens de sua escolha e vá além do Reno... Somente retorne a esta fortaleza quando tiver meus filhos... Custe o que custar. 


...................................


Notas Finais


O que acharam?
Até o próximo!


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