História Underworld - Capítulo 2


Escrita por: ~

Postado
Categorias EXO, Mamamoo
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Chanbaek, Demonios, Exo, Hunhan, Kaisoo, Sobrenatural, Sulay, Taoris, Terror, Xiuchen
Visualizações 43
Palavras 7.304
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Lemon, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá!
Devo dizer que me sinto muito (muito mesmo) insegura com essa fic pq é um plot bem arriscado, então qualquer coisa que achem um pouco confuso, por favor, me avisem. Opiniões são mais do que bem vindas!
Gosto de ir com calma nos eventos, mas prometo que terá muitas cenas de cair o queixo (ou assim espero!) e também planejo colocar bastante ação.

Essa fic está sendo possível graças a minha beta (e também minha sensei) Leh ~exolutely que tá me apoiando desde o início, sem ela eu provavelmente teria desistido do projeto, então quero deixar meus maiores agradecimentos a essa garota que tá me inspirando e me ajudando a me tornar uma escritora melhor! Obrigada Leh, eu te amo demais, sensei!!!

Capítulo 2 - Cidade do Inferno


 

 

 

Nunca tinha tido um dia tão corrido em toda minha vida! Até agora não havia dormido quase nada.

Passamos a tarde toda presos nos aeroportos. Nunca pensei que existiam tantas burocracias para poder sair do país, mesmo que fosse um não muito longe da Coreia. Nesse tempo, corremos pelo local inteiro procurando onde deixar as malas, onde assinar as permissões e outros documentos. Só conseguimos dar uma pausa alguns minutos antes de embarcarmos no avião, acompanhado de Junmyeon. Ele tinha sumido por boa parte do dia e só apareceu quando o voo foi chamado. Estranhamente, parecia usar o mesmo terno de antes. De acordo com Hwasa, ele provavelmente tem um guarda-roupa composto somente por aquele tipo de roupa. E poderia mesmo, já que não havia nem mesmo um amassado no tecido, estava tudo perfeitamente liso e alinhado, como se tivesse acabado de comprar.

Após o embarque, pensei que poderia tentar descansar um pouco, mas acabei com os pensamentos presos em Junmyeon. Ele havia nos colocado na primeira classe e se sentava há alguns bancos a frente. Podia ver apenas sua cabeça ao longe.

Byul e as meninas acabaram por cair no sono durante a viagem. Tentei adormecer, nem que fosse por uns minutos, mas toda vez que fechava os olhos começava a me sentir inquieto, portanto acabei desistindo. Liguei a TV, que havia anexada na traseira da poltrona a minha frente, e comecei a assistir a um filme aleatório. Apenas olhava a tela, sem realmente prestar atenção ao que estava passando.

Tive vontade de acordar a loira ao meu lado, mas ela precisava daquele descanso. Não queria despertá-la só para fazê-la escutar minhas paranoias.

Depois do que me pareceu horas, o piloto anunciou que havíamos chegado. Quase dei um grito em comemoração. Tinha sido minha primeira viagem de avião, mas não estava aguentando ficar preso ali, precisava estar em movimento.

Uma vez no aeroporto chinês, a mesma correria se iniciou. Mas, por sorte, Junmyeon nos auxiliou na maior parte do tempo, o que foi ótimo porque ninguém ali era fluente em mandarim e iríamos perder o dia todo tentando nos achar.

Assim que colocamos os pés para fora do aeroporto, Byul veio até mim, abraçando-me e colocando o celular a nossa frente para tirar uma foto. Estava com os olhos inchados por não ter dormido, mas não poderia negar as amadas selcas de minha irmã. Ela adorava tirar fotos, portanto havia uma quantidade absurda de fotos em seu celular. Byul tinha mais fotos no celular do que qualquer um de nós. Até mesmo fotos minhas distraído ela tinha. Byul era realmente obcecada por fotografias.

Junmyeon nos disse que precisava resolver algumas coisas antes de voltar ao hotel e que teríamos que seguir até lá por nossa conta. Ele pediu muitas desculpas por isso, mas garantiu que o motorista nos deixaria em frente ao hotel e que pagaria o aluguel do carro para nos compensar. E foi uma enorme recompensa, pois o veículo era enorme e certamente deveria ter um aluguel bem maior do que poderíamos sonhar em pagar.

Uma vez no carro, fui sentado no banco traseiro junto a Hwasa e a Whee In, enquanto Byul e Solar iam na dianteira, nos bancos ao lado do motorista, que parecia ser um senhor de idade que aparentava ser bem simpático. Enquanto o carro começou a entrar em movimento, aproveitei para buscar informações sobre o hotel na internet, mas o sinal estava péssimo, tanto que nenhuma das páginas que acessei carregou. As meninas até tentaram coletar informações do hotel com o motorista, mas este pouco sabia, até mesmo estava a se guiar pelo GPS para chegar até o local. Pelo visto seria tudo na base da surpresa, não saber o que esperava por nós era bem frustrante, ainda mas quando tínhamos um total de zero informação sobre o local. Isso me deixava agoniado e temeroso.

Suspirei cansado. Pense positivo, Baekhyun!

Voltei minha atenção para a janela, observar a paisagem aliviaria minha agonia e me fazer esquecer de minhas aflições de momento. Afinal, era a primeira vez que eu pisava em um país estrangeiro e, no fundo, estava animado com a ideia.

Passamos por ruas bem bagunçadas, na verdade as pistas por lá eram bem bagunçadas, muito lotadas também, mas tinha seu charme. Não era muito diferente de uma metrópole comum. Havia prédios enormes e cinzentos, placas luminosas, que deveriam ligar somente a noite, e lojas por todos os lados. Também havia um estranho odor no ar, acho que era algo para diminuir o cheiro forte de poluição.

— Parece que estamos no caminho certo. – anunciou Byul animada e nós batemos palmas, coisa que fez o motorista rir. – Pelo menos é o que diz no GPS. – Apontou para o aparelho.

— Estamos sim, senhorita. — Respondeu o motorista de pronto.

Sabia que demoraria mais um pouco até encontrarmos o hotel, então relaxei no banco e tentei descansar um pouco. Observava as ruas passando, mas minha atenção não estava realmente nelas, visto que o sono estava a nublar minha vista. Em um certo ponto, meus olhos começaram a arder bastante, podia jurar que eles, agora, estavam vermelhos que nem pimentões. Os esfreguei um pouco e soltei um bocejo. Finalmente o cansaço estava batendo e eu poderia ter um tempo de sono, pelo menos para aguentar o resto da viagem inteiro.

Cruzei os braços e me ajeitei melhor no banco enquanto sentia meus olhos ficarem cada vez mais pesados até que fui engolido pelo sono.

 

 

 

Quando acordei, a primeira coisa que senti foi meu corpo dormente. Desvantagens de dormir encolhido em um carro.

Lentamente abri meus olhos, que, mesmo abertos, ainda estavam a pesar pelo sono recente. Passei as mãos pelo rosto e notei que havia escurecido há um bom tempo. Estiquei um pouco as pernas e peguei meu celular, olhei a hora e vi que passava das dez da noite. Meus olhos se arregalaram e me sobressaltei. Olhei para frente para perguntar a Byul se havíamos chegado, mas ela não estava ali. Só então notei que o carro estava parado. Olhei para o lado e não encontrei as outras meninas também, muito menos o motorista. Eu estava completamente sozinho ali dentro. Nem mesmo os faróis estavam acesos.

Olhei pela janela e vi que estávamos na cidade ainda. Apesar de que essa cidade parecia ser bem diferente da qual estávamos antes. Mas seria normal, já que viajamos por tanto tempo. Aproximei o rosto do vidro, mas não tinha nem sinal delas por perto. Tentei procurar com o olhar por algum mercado ou posto de gasolina, mas não tinha nenhum. Poderiam ter ido procurar? Mas Byul não me deixaria ali sozinho, não mesmo. Se estivesse com pena de me acordar, teria pedido para Hwasa e Whee In permanecerem comigo. Ela sempre fazia isso e não seria diferente agora. Isso me inquietou demais, ainda mais que o motorista havia sumido. Será que ele tinha algo haver com o sumiço delas?!

Levei a mão ao celular, mas não havia sinal. Não tinha como ligar para elas. Poderia ligar para a polícia, mas não sabia o número de emergência na China e muito menos falar mandarim. Droga! Guardei o aparelho novamente no bolso da calça e segurei firme a beirada do banco.

Respire fundo, Baekhyun, respire fundo. Precisava descobrir o que tinha ocorrido enquanto eu estava dormindo, precisava descobrir isso agora!

Meu corpo tremia e lágrimas ameaçavam embaçar minha vista enquanto mil e uma possibilidades se passavam em minha cabeça, cada uma delas era mais apavorante do que a outra.

Sacudi a cabeça para afastar tais pensamentos.

Com o coração acelerado, comecei a verificar o carro em busca de alguma pista do que havia ocorrido com as meninas e com o motorista. Chequei por todo o banco traseiro, mas não havia nada ali. Inclinei o corpo para frente, apoiando as mãos nos bancos dianteiros para olhar nos bancos da frente, mas não encontrei nada onde Solar estava sentada nem nada nos painéis. Quando olhei para o assento de Byul, prendi a respiração por um instante.

Levei minha mão em direção ao colar delicado com o pingente de notas musicais e o ergui. Meu peito se apertou e eu soube que algo realmente sério havia acontecido com elas. Aquele colar foi um presente antigo dos pais de Byul, ela sempre dizia que esqueceria tudo, menos de colocá-lo. E se o deixou ali, foi para me avisar que algo terrível havia ocorrido.

Meu corpo tremia tanto que, por vezes, pensei que fosse desmaiar, lágrimas ardiam em meus olhos, mas eu não podia chorar. Tinha que fazer alguma coisa.

Coloquei o colar em meu pescoço e logo o tampei com a gola de minha blusa. Sentia as batidas aceleradas do meu coração sobre minha mão. Não demorou para que minha respiração começasse a ficar ofegante e os pensamentos coerentes se tornassem algo distante. Só queria berrar o nome das meninas em plenos pulmões ou correr para pedir ajuda, mas sabia que ambas as coisas era algo arriscado a se fazer.

Me inclinei novamente para frente e procurei pelas chaves do carro, mas não estavam ali. Provavelmente quem levou as meninas também levou a chave. Novamente a imagem do motorista me veio a mente, seria ele quem pegou as meninas? Mas porque me deixaria para trás? Teria sido por pedido da Byul? Ou, na verdade, eu sou o objetivo dele? Ele está esperando por mim do lado de fora?

Aproximei novamente o rosto do vidro. Não havia sinal de alguém ali por perto. Só conseguia ver as luzes da cidade brilhando intensamente. Não tinha carros passando, mas conseguia ouvir o ruído deles ao longe. De um lado tinha apenas uma cidade comum durante a noite, do outro lado do carro vi quase a mesma coisa, exceto por uma diferença que fez meu coração acelerar ainda mais.

Conseguia ver “Lotto”, em letras vibrantes e enormes, ao longe. O hotel estava ali.

Precisava correr até aquele hotel, precisava de ajuda.

Inspirei profundamente. Precisava ser rápido e isso me deixava ainda mais nervoso. Coloquei as mãos sobre o trinco da porta e expirei o ar rapidamente. Abri a porta calmamente e, num salto, desatei a correr desesperadamente pela rua escura.

Em um certo ponto da correria desenfreada, acabei por tropeçar em algo que me fez cair e sentir uma ardência absurda em meus joelhos, que acabaram por serem arranhados na queda.

Assim que retornei os sentidos e olhei para o quê havia me feito cair me arrependi amargamente e senti uma vontade absurda de vomitar. Havia acabado de tropeçar em um corpo, mas especificamente no corpo do motorista, que agora estava a me encarar com os olhos que jamais voltariam a piscar. Seu olhar estava vítreo no mais puro espanto enquanto um líquido vermelho, vindo de sua garganta cortada, enegrecia sua camisa verde oliva.

Um grito se desprendeu de minha garganta antes mesmo que eu me desse conta do que havia acabado de fazer. Movido pelo horror, fiz com que minhas pernas voltassem a correr. Eu precisava sair dali. O assassino do motorista ainda podia está por ali a minha espera.

Lágrimas de desespero escorriam pela minha face enquanto eu corria, sem olhar nenhum minuto para trás. Corria o mais rápido que conseguia em direção ao hotel, que parecia estar há um infinito de distância.

Por mais horrorizado, cansado e perturbado que estivesse, não parei de correr. Rezava, para qualquer santo que me ouvisse, para minha irmã e as meninas não terem tido o mesmo fim que o motorista. Meu Deus! Elas não poderiam ter o mesmo fim que eles!

Quando estava prestes a atravessar a rua, fui atirado com uma força absurda contra o asfalto, fazendo com que som do baque de meu corpo reverberasse pelas ruas desertas.

Minha cabeça doía pelo choque repentino com o chão, enquanto meus olhos lutavam para entrarem em foco, mas antes que pudesse virar o corpo para olhar para meu agressor, mãos fortes seguraram meus braços e os puxaram para trás. Logo senti meus braços sendo amarrados. Comecei a gritar o mais alto que podia, mas a mesma mão puxou minha cabeça para trás e passou um pano sobre minha boca. Continuei gritando, mas agora o som saía abafado. Tentei me debater, mas tudo que conseguia era remexer o corpo e as pernas, inutilmente tentando chutar alguém. Um pano cobriu meu rosto por completo e meu desespero aumentou ao ver que não conseguia ver nada. Comecei a balançar a cabeça tentando me livrar daquilo, mas não adiantava nada. Eu estava preso e não fazia a menor ideia de quem era meu agressor.

Senti as mãos erguerem meu corpo do chão e me puxar para algum lugar. Tudo que conseguia ouvir era minha respiração e os passos pesados da outra pessoa, provavelmente um brutamonte. Ele me ergueu mais e empurrou meu corpo contra alguma coisa, fazendo-me cair de costas. Fiquei me remexendo incessantemente, mas ele não fez mais nada. Tudo que ouvi depois foi o bater da porta de um carro e só então entendi onde ele tinha me jogado. Quando o veículo ronronou embaixo de mim, tive certeza que deveria estar num porta-malas ou na traseira de alguma caminhonete. Mas ainda podia sentir o vento assoviar em meus ouvidos, então devia ser uma caminhonete. Tentei me debater com toda força que tinha, mas sabia que isso não adiantaria de nada. Precisava pensar em um outro plano de fuga.

Poderia ser Junmyeon ali? Não, as mãos pareciam ser muito mais pesadas do que as dele. E por que me vendar sendo que sei quem ele é? Só se fosse algum fetiche doentio por sequestrar pessoas. Minha mente estava entrando em pane, temia tanto pelas meninas e me perturbava com a lembrança do corpo morto do motorista. Agora temia por minha própria pele.

Quando o veículo estacionou, pude contar no máximo uns vinte minutos desde que fui pego. Deveria estar ainda mais distante do hotel e nunca que conseguiria correr de volta a ele. O carro foi desligado e pude ouvir várias vozes masculinas conversando não muito distante dali. Ouvia também o som de música tocando um pouco abafado, como se estivéssemos perto de um clube ou um bar.

Ouvi os passos pesados se aproximando e logo mãos pegaram em meus braços e me puxaram. Caminhava aos tropeços e me debatia constantemente, mesmo que isso não adiantasse nada. O homem continuou me puxando, agora parecia mais impaciente do que antes. Passei perto das vozes conversando, mas eles não fizeram nada.

Conforme era arrastado, ouvia a música ficando mais alta. Quando parei de sentir o vento noturno soube que devia estar dentro de algum lugar. O homem me arrastou por mais um tempo até que, finalmente, paramos e ele me empurrou, fazendo-me cair sobre uma cadeira dura. Podia sentir as batidas da música reverberando pelo chão e o ambiente estava consideravelmente mais quente do que antes. Senti o suor escorrendo pelo meu rosto e minha camiseta ficando molhada. Isso me incomodava, mas estava longe de ser a minha maior preocupação.

Felizmente, o homem retirou o pano do meu rosto e eu soltei o ar em um ofego, agradecido por conseguir respirar devidamente. Meus olhos se arregalaram e se apressaram a analisar tudo ao meu redor. Estava em uma espécie de sala, mas não havia somente eu ali. Outros rapazes estavam em outras cadeiras, também amarrados e amordaçados. A luz era bem precária e tornava o lugar ainda mais assustador.

Vi uma sombra se aproximar de mim e consegui visualizar o rosto do meu agressor. Era um homem bem mais velho do que eu, possuía uma barba grossa e aparentemente suja. Vestia roupas escuras e um coturno preto, por isso o som de seus passos eram tão altos e pesados. Ele não possuía expressão alguma e seu olhar era como se analisasse um produto em uma loja. Passou por todos que estavam sentados, um a um, como se procurasse algum defeito em nós.

Ouvi alguém batendo a porta e rapidamente o homem foi abrir. Outros dois brutamontes entraram também, seus olhos nos analisando como o outro fizera.

Subitamente, uma raiva começou a queimar dentro de mim. Não somente raiva por estarem fazendo isso, mas um ódio, um ódio tão grande que eu poderia me sufocar nele. Minha cabeça parecia que ia explodir a qualquer momento, nunca havia sentido um sentimento tão intenso e negativo dentro de mim.

O agressor se aproximou de um dos garotos, o que mais chorava, este parecia extremamente assustado e seus olhos davam a impressão que saltariam de seus globos oculares a qualquer momento. Ouvi a risada fria do homem barbudo enquanto mirava o jovem a baixo de si. O homem colocou a mão grande sobre o rosto do garoto e o apertou de forma dolorosa, fazendo o menor chorar ainda mais. Após isso, retirou a mão e esticou bem seus dedos instantes antes do baque da mão pesada reverberar pela sala. Rapidamente a bochecha pálida do rapaz foi invadida por um vermelho vivo antes deste urrar de dor. Eu podia sentir sua dor e aquilo só fez meu ódio crescer cada vez mais. Minha garganta pegava fogo, não conseguia raciocinar direito, apenas sentia as ondas do ódio arderem em minhas veias.

Uma voz incessante tomou conta de minha mente. Como um sussurro.

Mate-o. Mate-o. Mate-o.

Fixei meu olhar sobre o homem, que agora ria com os outros brutamontes, o vi começar a tossir. Primeiro devagar, mas depois de uns segundos a tosse foi ficando cada vez mais intensa. Ele colocou as mãos sobre a própria garganta e seu rosto começou a ficar vermelho, seus olhos arregalados, enquanto não parava de tossir. Caiu de joelhos sobre o chão e sua língua ficou presa para fora da boca, como se estivesse lentamente sufocando. Seu rosto começou a ficar arroxeado e eu soube que faltava pouco para que ele se asfixiar.

Por alguma razão não conseguia desviar a atenção daquele homem lutando para fazer o ar entrar em seus pulmões. Se por um lado estava gostando de vê-lo naquele estado, por outro me reprovava por estar a gostar de ver alguém se asfixiando. Aquilo era errado! E tinha que parar.

O som de um tiro, próximo dali, me fez desviar a atenção do homem e ficar alerta. Direcionei meu olhar para a porta e vi os brutamontes saírem correndo por ela, com armas em punho. Ouvi o som de mais dois tiros e meu corpo enrijeceu. Minha respiração falhava e eu tentava, a todo custo, fazer com que meu corpo me obedecesse, me abaixar ou me afastar dos sons de tiros, mas eu não conseguia, estava paralisado. Vi uma sombra se aproximar pelo corredor, estava pronto para dar de cara com outro gigante assustador pronto para nos matar, mas não foi isso que apareceu no meu campo de visão.

— Eu falei que não queria essa merda acontecendo por aqui! – sua voz era grossa, mas não de um modo ameaçador.

Ele era totalmente o oposto de tudo que eu esperava que fosse. O homem, que acabará de entrar portando uma arma em uma das mãos, não devia ter mais do que minha idade, só que era mais alto que eu, provavelmente da mesma altura que o sequestrador. Seu corpo aparentava ser magro, mas podia ver pelos seus braços — onde eram visíveis alguns músculos, mesmo que não fossem muito destacados — que ele era forte. Mas, o que realmente me chamou a atenção, foi seu rosto. Ele era incrivelmente bonito. Não apenas bonito, a beleza dele chegava a ser injusta com as demais pessoas na sala. Eu simplesmente não conseguia desviar o olhar do recém chegado e isso era frustrante devido a situação que me encontrava.

Vi quando seu olhar recaiu sobre mim e ele franziu a testa, como se tivesse visto alguma coisa estranha em minha pessoa. E, droga, por que o olhar dele era tão intenso?! Isso não era certo. Não me encare assim!

O olhar dele se desviou para os outros rapazes ali, o que me causou um certo alívio. Agora seus olhos pareciam varrer a sala rapidamente, não demorou o olhar sobre ninguém além de mim. Não sabia se isso era bom ou ruim.

— Esperem um pouco. – ele entrou e foi em direção ao homem sufocado no chão. Puxou o mesmo pelo braço e o arrastou dali como se o sequestrador pesasse menos que um saco de arroz.

Quando ambos sumiram no corredor, pude ouvir outro tiro. Meu corpo se retesou. Vi sua sombra voltando e ele entrou novamente no local. Sua arma não estava mais em punho, ele havia guardado e isso me tranquilizou por um momento. O vi suspirar e seguir em direção ao outro lado da sala, desamarrando os rapazes, um a um.

— Lá fora tem um carro esperando. O motorista irá levá-los para longe daqui. – Avisou.

Dito isso, não demorou para que os rapazes soltos desatassem a correr em direção a saída.

Quando chegou a minha vez, ele olhou atentamente para meu rosto por um tempo. Infelizmente, ele era ainda mais bonito de perto e suas orelhas grandes chegavam a ser um tanto engraçadinhas, o davam um ar menos ameaçador, embora ele não parecesse uma pessoa perigosa, mas as aparências enganam.

Senti suas mãos desamarrem as minhas. Uma vez com as mãos livres, massageei meus pulsos, que estavam com marcas roxas das cordas. Minhas mãos tremiam devido a adrenalina.

— Você pode esperar um pouco? – o ouvi pedir a mim e franzi a testa confuso – Gostaria de falar com você a sós. – não pude evitar de engolir em seco quando ouvi aquilo.

— P-Por q-quê? ‒ essa seria a hora que eu teria que eu implorar pela minha vida por estar no lugar errado e na hora errada?

— Não precisa ter medo. Só quero te fazer algumas perguntas. Prometo que não vai doer respondê-las. – sorriu rápido.

Fiquei em dúvida se aceitava ou não, mas algo em mim disse que aquilo era o certo a se fazer. Afinal, eu precisava de ajuda. Mesmo que ajuda viesse de um rostinho bonito suspeito. E, aliás, ele tinha uma arma e eu não sabia o que ele poderia fazer (e nem queria descobrir) caso eu o contrariasse, então apenas concordei com a cabeça e permaneci sentado recuperando meu fôlego.

O observei libertar os outros garotos e os mandarem ir até o tal carro de fuga. Nenhum deles hesitou em me deixar para trás. Aliás, eles nem sequer olharam para trás enquanto corriam para fora dali. Mas não posso culpá-los, era uma situação de vida ou morte e eles só estavam tentando sobreviver, como qualquer pessoa faria.

— Esse não é um bom lugar para conversar, não acha? – o rapaz atraente começou. – Poderia me acompanhar? Moro próximo daqui e lá é seguro. – ergui uma sobrancelha a ele. – É, eu sei. Difícil de acreditar devido ao que acabou de acontecer. Mas comparado com aqueles caras, eu até que sou legal. – ele colocou as mãos nos bolsos da calça preta – Meu nome é Park Chanyeol. Que tal começarmos assim? – sua voz era gentil e ele parecia escolher cuidadosamente cada palavra que me dizia.

Fiquei um tempo decidindo se confiaria nele ou não, mas percebi que, na verdade, não tinha lá muito escolha. Ainda precisava encontrar minha irmã e alguém local poderia me ajudar nisso antes que o pior acontecesse. E mais, se ele quisesse me matar ou me sequestrar, teria o feito, não é mesmo? Bem, pelo menos, é isso que eu esperava.

Tudo que eu precisava fazer no momento era escapar daquele cubículo no qual me enfiaram e, por mas que o tal Chanyeol aparentasse ter me salvado, ainda precisava manter em mente que não sabia absolutamente nada sobre ele. Seu nome poderia nem ser esse. E ainda havia a possibilidade gritante de eu estar a sair de uma cilada para me meter em outra. Não podia baixar a guarda.

Cerrei os punhos em uma batalha interna para decidir o que faria. Cogitei a hipótese de sair correndo de volta as ruas, mas tive uma prova de que andar sozinho e sem rumo por aqui era uma péssima ideia. Parece que teria que arriscar acompanhar esse cara e rezar para que o pior não acontecesse.

Sinceramente, não sei se estaria preparado para uma luta física com alguém maior do que eu, então terei que ter o máximo de cautela de não chegar nesse ponto.

Ouvi o suspirar alto.

— Meu nome é Byun Baekhyun. – soltei de pronto, coisa que o fez erguer a sobrancelha, como se esperasse que eu prosseguisse e foi o que fiz – Podemos ir. – rapidamente me levantei e dei um passo a frente, um pouco hesitante.

— Prazer e obrigado por aceitar minha proposta. – não pude evitar a expressão de surpresa quando ouvi isso vindo de alguém que, aparentemente, acabou de matar um cara e a liberar uma sala cheia de reféns. Ele, parecendo perceber a minha descrença, abriu um sorriso cansado – Não esperava que eu fosse educado, não é?

Neguei com a cabeça e ele me indicou a porta. Saímos lado a lado e assim continuamos até a saída daquele lugar. Reparei que a música tinha parado de tocar, provavelmente todo mundo saiu correndo quando escutou os tiros. Mas nem me interessa saber, só queria estar longe dali o mais rápido possível e tentar esquecer que tudo aquilo aconteceu.

Tentava manter meu andar natural, mas um leve tremor percorria meu corpo e impedia que eu obtivesse sucesso nisso. Minhas pernas doíam e vacilavam por conta do susto e das dores por ter corrido e depois ter sido arrastado.

Foi só pensar nela e nas meninas para meu andar se tornar ainda mais lento e a vontade de começar a chorar se tornar tentadora. Não sei se o maior notou meus passos mais lentos, até porque este parecia olhar fixadamente para frente o tempo todo.

Observei-o caminhar pelo canto do olho. Seus passos eram tão leves para alguém tão alto, quase nem ouvia o som dos seus pés tocando o chão. Isso me fez pensar que ele poderia ser uma daquelas pessoas sorrateiras, que você não nota quando se aproximam. E ele tinha essa pose elegante, mantinha as costas retas de forma perfeita, como se usasse uma espécie de armadura por baixo. Isso me lembrou um pouco a Kim Junmyeon. Em muitos aspectos eles eram parecidos, na verdade.

Onde estaria Junmyeon agora? Qual foi seu propósito em tudo isso? Talvez ele só quisesse as meninas e por isso me deixou sozinho. Era o que parecia mais provável.

Vi um carro se distanciado ao longe e presumi que fosse o tal veículo que daria carona aos rapazes. Para onde estariam levando-os? Será que o tal Chanyeol me responderia isso? Mas eu nem precisei o perguntar, visto que sua voz logo preencheu o ar.

— Irão deixá-los na cidade mais próxima. – disse, fazendo-me virar o rosto em sua direção – Em alguma cidade humana, óbvio. – acrescentou e eu franzi a testa tentando entender o que ele queria dizer com aquilo.

Este me encarou de volta, parecia que esperava por alguma resposta minha na qual não veio. Subitamente sua expressão ficou séria. Permaneci com a testa franzida, a espera de alguma resposta dele que fizesse sentido para o que eu havia acabado de ouvir.

Observei Chanyeol suspirar e mordeu o lábio inferior, como se tentasse buscar o que dizer.

— É melhor conversarmos em outro lugar. – enfim falou.

— E que lugar seria esse? – as chances dele me responder isso sinceramente eram mínimas, mas não podia apenas ficar calado e segui-lo de cabeça baixa.

Chanyeol soltou um chiado semelhante a um riso nasal.

— Relaxa, não farei nada com você, só…Me siga.

E foi o que fiz. Mesmo me sentindo incrivelmente frustrado e exaurido o segui. Tinha perdido a conta de quantos mistérios perambulavam minha mente, mas Park Chanyeol havia acabado de ocupar o segundo lugar da minha lista.

O maior me guiou até um carro esportivo preto e eu me perguntei que tipo de trabalho ele teria para possuir um veículo como aquele. Talvez ele fosse o dono da cidade, se fosse eu não iria me surpreender, pelo menos não a essa altura do campeonato.

Durante o caminho, o silêncio se manteve inquebrável por um bom tempo. Sentia meu corpo inquieto enquanto estava dentro do carro, que por dentro era tão luxoso quanto por fora. Isso me incomodava um pouco, geralmente pessoas ricas eram as que menos se deveria confiar. Ainda mais as pessoas ricas, bonitas e que tinham uma arma.

Deixei que meus pés ficassem balançando para tentar aliviar um pouco a ansiedade. Mas não estava funcionando. Meu corpo ainda estava cheio pela adrenalina e isso fazia minha mente trabalhar ainda mais rápido. Não conseguia silenciar meus pensamentos para raciocinar direito.

Balancei a cabeça, frustrado, tentando espantar todas as lembranças dos momentos anteriores. Tinha que me focar em achar a Byul e as meninas.

Respirei fundo algumas vezes e senti um aroma gostoso e relaxante ali dentro. Era como uma brisa, que vem de alguma plantação de flores e traz aquele cheiro reconfortante que te faz sentir bem. E, por um momento, aquilo me acalmou um pouco. Talvez fosse alguma espécie de aromatizante para carros que ele utilizava.

Entrelacei meus dedos sobre meu colo e comecei a percorrer o olhar pelo interior do veículo. O painel era bem sofisticado, mas não havia nada de mais. Tive um impulso de abrir o porta-luvas, mas certamente isso me causaria problemas. Olhei para o retrovisor e não encontrei nada no banco traseiro. Era tudo impecável demais e chegava a ser irritante. Como alguém utiliza um carro sem deixar um mínimo traço pessoal? Seja embalagens de doces, roupas, fotos, chaveiros… Era como se tivesse acabado de comprá-lo. Essa seria a única explicação, ou ele poderia ser algum tipo de viciado em organização e limpeza.

Outro fato que me incomodava muito era aquele silêncio incomodo. Tudo que conseguia ouvir era o som leve do motor e minha respiração pesada. Não havia nem mesmo ruídos vindos da cidade.

Mantive minha atenção por onde passávamos. Tudo aparentava ser normal, as luzes estavam acesas, letreiros brilhantes, prédios e construções aparentemente novos. O único problema é que não havia mais ninguém ali. Nem mesmo um carro passando ou alguém andando pelas calçadas. E todos os lugares estavam de portas fechadas. Será que havia algum toque de recolher por ali? Ou se tratava de uma cidade fantasma que ainda não tinha sido aberta para a população? Tal pensamento fez com que um arrepio percorresse minha espinha e com que o medo pinicasse minha pele.

Queria atirar várias perguntas em Park Chanyeol e exigir que me respondesse, mas não sabia qual poderia ser sua reação ou se seria sábio ou estúpido iniciar uma conversa com ele. Não entendia o motivo dele se manter tão calado, era como se ele tivesse esquecido da minha existência ali. Nem mesmo um olhar eu recebi esse tempo todo. Mas, por um lado, o agradeci por isso, até porque ele tinha algo que me atraía. Sentia que, se passasse muito tempo o encarando, acabaria me perdendo em seus olhos.

Era realmente necessário um cara como ele ter essa beleza? É como um perfeito predador a espera de uma presa. E ainda tem essa educação e traços de gentileza. Pela aparência ele poderia ser considerado um príncipe, mas precisava lembrar que só parecia. Não podia me deixar levar por isso, por mas que fosse difícil não admirar aquele rosto.

Tentei bolar um plano de fuga do carro, caso precisasse, mas parecia ser impossível sair dali. Eu nem ao menos possuía algo para usar como arma. Teria que confiar em mim mesmo se viesse a acontecer algo e eu tivesse que fugir as pressas.

Abri a boca involuntariamente quando nos aproximamos do hotel Lotto, as palavras acabaram saindo de minha boca antes mesmo que eu me desse conta:

— É aqui que ele está! Eu preciso entrar! – virei meu rosto na direção do maior assim que notei que tinha quebrado seu silêncio. Preparei meu corpo para qualquer sinal de ataque, mas nada veio.

— Quem seria “ele”? – ergueu uma sobrancelha me fitando por um tempo, mas depois voltando a atenção ao volante.

Desviei o olhar para o vidro e pensei se deveria ou não contar a ele. Mas aquilo não parecia que criaria problemas para mim ou algo parecido e era algo que eu teria que arriscar, querendo ou não:

— Kim Junmyeon. – respondi retornando a fitá-lo. Para minha surpresa, ele riu quando ouviu tal nome.

Manteve o divertimento no rosto mesmo depois de rir. Ele não me olhou depois disso e eu percebi que não tinha a intenção de dizer mais nada. O encarei, sentindo a irritação crescendo conforme os minutos passavam. Logo tive a confirmação que ele realmente não diria mais nada.

— Qual é a graça? – indaguei com o olhar firme em sua direção, mas vacilei um pouco quando seu rosto se virou em minha direção com aquele sorriso cheio de escárnio.

— É que eu achei que não existia quem acreditasse nas táticas horríveis de persuasão dele. – voltou a olhar para frente ainda com aquele sorrisinho que me fez trincar os dentes para conter a minha língua.

Ele estava me chamando de idiota?

Virei o rosto novamente para a janela ao meu lado sem acreditar que estava sendo caçoado por ele. Mas, por um lado, foi bom ele ter tido essa reação. Confirmou minhas suspeitas de que Kim Junmyeon estava, realmente, só me enganando e me atraindo para sua armadilha.

Senti a raiva me queimando por dentro, mas não por conta de Chanyeol, e sim, por eu ter sido tão burro a ponto de acreditar nas palavras de Junmyeon. Eu sabia – e sentia – que tinha algo de errado com aquela proposta dele, mas o que eu fiz?

Exatamente. Nada.

Queria chorar de nervoso por tudo isso ter sido minha culpa. Se eu não tivesse conversado com um estranho na estrada, se não tivesse ignorado minha intuição, se tivesse sido mais atento… Se tivesse feito tudo diferente, nada disso teria acontecido e eu não teria perdido minha família e acabado preso num carro com um cara que poderia ser tão perigoso quanto era bonito. Isso tudo era minha culpa. Como eu pude não ter percebido? Como pude ter caído tão facilmente em algo tão estúpido?!

Trinquei os dentes quando senti as lágrimas brotando nos olhos. Não podia chorar agora. Já parecia ser idiota o suficiente aos olhos de Park Chanyeol. Eu não o daria o gostinho de me ver de forma ainda mais patética. Mesmo que eu fosse patético, precisava aparentar ser mais forte ou ele tiraria ainda mais proveito da situação.

Ele se aproximou do hotel e estacionou o carro próximo a calçada. Havia outros veículos ali, todos do mesmo porte do dele. Pelo visto o lugar era muito mais que bem frequentado.

— Acompanhe-me. – pediu da mesma forma gentil de antes e eu logo abri a porta, saindo do carro, aliviado em estar em um local aberto novamente.

Inspirei o máximo de ar que consegui e, felizmente, também consegui engolir meu choro. Meus olhos, provavelmente, estão vermelhos, mas não tinha como impedir isso no momento.

O maior indicou com a cabeça para que eu o seguisse e eu o fiz. E, só então, prestei atenção na fachada enorme do hotel. Paralisei por uns instantes e senti meu queixo cair involuntariamente.

Era deslumbrante. De uma forma que jamais tinha visto em nenhum lugar.

O hotel possuía uma arquitetura que lembrava um castelo, mas não como aqueles medievais sombrios, era como aqueles luxuosos onde vivem os grandes sultões. Toda a construção era pintada de dourado e as luzes faziam parecer que reluzia como ouro. Por um momento me perguntei se era mesmo possível ser pintado de ouro, mas não, as paredes não tinha essa textura. Era mais uma questão da iluminação certa. Na entrada havia quatro pilares e as portas duplas de vidro, não havia maçaneta ou puxadores nela. Por dentro podia ser visto o chão coberto por um carpete vermelho e alguns homens de terno circulando calmamente por ali.

Finalmente algum sinal de vida além de Chanyeol e eu!

Fui despertado pelo som da risada do maior, que estava a alguns passos a minha frente, me fitando com curiosidade. Balancei a cabeça voltando a caminhar e tentando esconder o constrangimento por ele ter me pego com uma expressão de uma criança que acabou de achar algum tesouro escondido.

Quando chegamos perto das portas, ambas se abriram automaticamente. Parece que não é só o carro que tinha tecnologia refinada.

Meus pés tocaram o carpete macio e senti o ar aquecido e confortável sobre mim. Era incrível como havia tantas coisas aparentemente convidativas nesse lugar. Me pergunto quantos outros acabaram caindo nessa mesma armadilha. Park Chanyeol também tentava atrair pessoas ali? Se ele zombou dos métodos de Junmyeon, era porque fazia o mesmo. Provavelmente ele era alguma espécie de chefe desse departamento. Realmente sinto pena de quem quer que o maior tenha seduzido até aqui, ele era bem difícil de se resistir.

Senti as batidas de meu coração se acelerando quando pensei nas possibilidades do que fariam comigo ali. Poderiam me forçar a algum tipo de escravidão? Um lugar desse tamanho deve requisitar uma lista longa de empregados. Embora não tenha visto nenhum por enquanto.

Uma sensação sufocante foi se apossando de mim e, por um momento, duvidei que fosse conseguir respirar. Tentava acompanhar os passos do maior de forma desengonçada enquanto abaixava a cabeça e respirava devagar, tentava fazer com que minha respiração voltasse ao ritmo normal.

1, 2, 3…

Notei que os passos de Chanyeol haviam parado e ergui o olhar, encontrando o mesmo me fitando com cautela, como se estivesse esperando que eu fosse desmaiar ou alguma coisa do tipo. Ergui o tronco, ficando reto e balancei a mão a minha frente, indicando que estava bem para prosseguir, embora eu não estivesse. Nem um pouco.

Ele voltou sua atenção para frente e caminhou mais um pouco até chegar na porta do elevador. Haviam três ali, um ao lado do outro. Ele parou a frente do que estava no meio. Não aparentava ter nada de diferente e eu me perguntei para que servia este, já que normalmente só era necessário um que desce e outro que sobe.

Não demorou para o elevador se abrir e entrarmos no mesmo. Era um espaço amplo e eu tratei de ficar o mais distante possível do outro. O local era revestido por espelhos e pude olhar meu estado pela primeira vez. Como o esperado, eu estava péssimo.

Meu rosto estava muito pálido e alguns fios de cabelo molhados por conta do suor, que ainda escorria um pouco pela minha testa. Notei que minha calça estava rasgada nos joelhos, que ainda sangravam em alguns pontos, praguejei mentalmente. Provavelmente teria ralado boa parte da pele também. Minha aparência demonstrava exatamente como me sentia por dentro: Um completo desastre.

Não pude disfarçar a expressão de espanto quando ouvi a voz grossa de Park Chanyeol ressoando pelo elevador.

— Esse elevador é exclusivo para o último andar. – explicou abaixando o olhar até mim e eu dei um aceno com a cabeça tentando não parecer assustado demais com sua voz – É apenas onde eu moro. – acrescentou com a intenção de me tranquilizar, mas não funcionou.

— Por que está me levando para lá? – questionei vendo que não me restava outra opção.

— É o local mais seguro. – retrucou, olhando calmamente ao redor como se procurasse alguma coisa – Em outras palavras, – as portas do elevador se abriram – o único lugar no qual confio. – sorriu de canto de uma forma que o fez parecer quem tem milhares de tramas em mente.

Park Chanyeol cheirava a manipulação, e parecia ser bom nisso. Mesmo sabendo disso, ainda não conseguia apagar aquela maldita atração por ele.

O moreno estendeu a mão para mim quando saiu do elevador, ainda com aquele sorrisinho nos lábios grossos. Uma parte de mim implorava para tocar em sua pele, mas eu me neguei. Sabia que tocá-lo seria extremamente perigoso, era difícil o suficiente apenas ter seu olhar em minha direção.

Saí do elevador e passei direto por sua mão, parando ao seu lado e cruzando os braços como forma de proteção. Pensei que ele ficaria irritado com aquilo, mas apenas voltou sua mão ao bolso da calça e deu uma risada suave, franzindo a testa como se estivesse curioso sobre a minha recusa. Seu olhar fazia-me sentir como se estivesse queimando. Era como se ele pudesse ver dentro da minha mente, nem ao menos piscava enquanto me encarava. Isso me deixou intimidado.

Quebrei nosso contato visual desviando o rosto para olhar ao redor. Estávamos em um corredor pequeno, onde levava a apenas uma porta dupla de madeira clara.

— Siga-me, por favor. – pediu passando por mim e eu senti um arrepio na nuca ao senti-lo tão próximo, mesmo que por alguns segundos.

O vi retirar uma chave solitária do bolso e logo ouvi o clique da fechadura se abrindo. Ele empurrou as portas para dentro e depois olhou para mim sobre o seu ombro.

Levei meus passos hesitantes até dentro do seu apartamento. Fiquei parado bem próximo a porta e meu corpo congelou quando ouvi a mesma se fechando atrás de mim. Mas, para meu alívio, o local não possuía nada de assustador ou perigoso, não era nenhuma casa de tortura ou cela de prisioneiro. Na verdade, era um apartamento bem comum e aparentemente normal. Óbvio, com tudo bem mais sofisticado, mas ainda sim, normal.

A sala de estar era ampla e de tons claros, cores pastéis para ser mais exato. Coisa que tornava o ambiente agradável e reconfortante, algo bem diferente do que eu esperava. Havia um sofá acinzentado no centro, que ficava de frente a televisão grudada a parede. No canto, próximo a janela de vidro, havia duas poltronas – também acinzentadas – e uma mesinha entre ambas com uma garrafa em cima. Provavelmente seria uma bebida cara que eu não saberia o nome.

— Sente-se, por favor. – pediu indo em direção as poltronas e me oferecendo uma delas – Sinta-se em casa. – lá estava aquele sorrisinho de canto que estava me irritando. Era como se ele soubesse de tudo, como se visse claramente tudo que acontece ao seu redor.

Dei alguns passos até a poltrona indicada e me sentei. Ela era tão confortável quanto aparentava e meu corpo agradeceu pelo pequeno descanso. Só então comecei a sentir outras partes doloridas de meu corpo e o cansaço me engolindo, deixando minhas pernas fracas.

Park Chanyeol sentou-se na poltrona a minha frente, de pernas cruzadas e com os braços apoiados no encosto. Era como um rei sentado em seu trono. Até mesmo seu olhar exalava poder. Era extremamente intimidante e ao mesmo tempo extremamente sedutor.

Ele era intenso, você não conseguia sentir algo equilibrado quando o olhava. Ou ficava com muito medo ou muito atraído. Era um inferno ter que lidar com isso!

— Onde exatamente eu estou? – minha respiração estava presa na garganta, por algum motivo temia a resposta que eu sabia que ele daria.

— Em Underworld, mais conhecido como o berço dos demônios ou simplesmente como o lugar onde os fracos não tem vez. – assim que Chanyeol terminou sua fala, um raio cortou o céu. Instintivamente encolhi os ombros enquanto sentia meu coração batendo dolorosamente em minha caixa torácica. Por algum motivo, algo na voz dele me assustou.

Chanyeol devia está brincando, não é? Ele adorava brincar, isso devia ser uma brincadeira de mal gosto. Mas por que ele não estava rindo? Por que o sorriso irritante não mais enfeitava seu rosto, por que ele parecia analisar cada expressão minha?

— Você não sabe mesmo onde se meteu, não é? – um riso cínico se desprendeu de sua garganta. – Até lamentaria por você ter parado aqui, mas aprecio a sua companhia e sou meio egoísta. – fez biquinho, que eu até julgaria fofo, mas não havia fofura em Chanyeol, não naquele momento. – Então, tudo o que tenho a dizer é: Bem vindo ao meu inferno.


Notas Finais


E aí??? Gostaram??? Próximo teremos mais interações chanbaek e aparição dos outros membros!


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