História Versões - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Jikook, Jin, Lemon, Suspense
Visualizações 108
Palavras 2.889
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Festa, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá! Essa é a primeira aqui nessa nova conta e espero que gostem.
Plágio é crime.

Capítulo 1 - Eu sinto frio de novo.


Jin não havia feito nada. Ele era o melhor aluno da turma de medicina e filho do dono da faculdade. Não bebia e nem fumava, ajudava os outros com as tarefas e não pedia nada em troca. Era um bom aluno e uma pessoa de coração gentil. Exatamente por esse motivo que seu pai e nem os outros alunos estavam acreditando na notícia que receberam na noite de domingo. 

Jimin estava com os braços ao redor dos joelhos, sentado no canto da cama e encostado na parede branca e gelada. Talvez tudo estivesse desmoronando aos poucos, mas ele não podia se deixar levar. Sua mente continuava a mil, pensamentos invadiam e desregulavam seu estado emocional, suas mãos trêmulas indicavam o medo ali presente e seus olhos fechados forçavam-se. Sua televisão de tela plana foi uma lembrança de seu pai, estava ligada no canal doze, o canal sobre os desastres e acidentes da semana. Uma foto do Jin estava posicionada ao lado da jornalista, que comentava o ocorrido com uma expressão tristonha no rosto, era impossível não estar abalado com uma notícia tão dolorosa. Jimin conheceu o jovem gentil e toda vez que o via, ambos se cumprimentavam com acenos ligeiros. O barulho de sua porta sendo praticamente arrancada aos socos o despertou e ele abriu os olhos, focando na televisão e logo na madeira marrom trancada com uma chave prata. Levantou-se, passou as mãos no rosto e abriu a porta vendo ali o segurança da faculdade. Este lançou um breve olhar para dentro e voltou-se a analisar o aluno. 

— O diretor deseja ver os alunos em meia hora na frente do bloco teatral. Não se atrase. — E saiu deixando Jimin seguindo o homem com o olhar. 

Voltou e desligou a televisão, estava farto de ouvir o nome do Jin tantas vezes. Puxou os fios de cabelo com força e por sorte não os arrancou. Em seu guarda-roupa, pegou um moletom preto e o vestiu por cima da camisa de malha, trocou sua bermuda por uma calça jeans que geralmente usava para frequentar as aulas e na porta calçou o par de tênis surrado. Não estava com disposição para passar perfume, então saiu assim mesmo, sem a vaidade que costumava ter. No caminho puxou o capuz, suas olheiras estavam tão profundas e não queria que notassem, resultado de uma noite em claro. 

O diretor estava sobre a escada e os alunos se posicionando para ouvir o que ele tinha a dizer. Jimin parou longe não querendo se misturar com os outros e sentiu seu coração acelerar quando duas mãos encostaram em seus ombros. 

— Você não deveria ter vindo. — Tae encostou-se na grade. — Isso vai acabar com o seu emocional. 

— Não sei como você fica tão normal diante disso. — Jimin rebateu no mesmo tom de voz e viu o mais novo dar de ombros. — No final de contas, eu estou bem — mentiu. 

— Você não deveria mentir — sorriu ao dizer e bufou, achando tudo um saco. Em seu pensamento não havia sido com ele o acidente, então não via motivos para estar mal. — E eu não vejo motivo para reunir todos essa hora da noite. 

— O filho dele morreu! — Exclamou irritado. — Você iria fazer o mesmo se fosse com você. 

— Deixa. Cale a boca e não a abra em momento nenhum — dito isso saiu deixando Jimin sozinho novamente. 

Este observou ao redor. O melhor amigo de Jin estava chorando no canto mais afastado com a mão na boca, totalmente abalado. Era tão ruim perder um amigo assim do nada, claro que ele não conseguiria prever que isso ia acontecer, mas o mais velho era tão gentil que não entendia o motivo de terem atirado nele antes do carro cair no rio. Jimin sentiu um tormento no coração novamente e não aguentou por muito tempo ficar parado observando-o. Caminhou em passos lentos, com medo de ser pego no flagra, então colocou sua mão direita no ombro do rapaz. 

— Eu te vi chorando — passou a mão pela nuca sem saber o que dizer num momento tão delicado. — Vou buscar algo para você tomar. 

Namjoon conhecia Jin desde que se entendia por gente, eram vizinhos e brincavam juntos. Por crescerem colados resolveram cursar as mesmas profissões e o pai do mais velho deu uma bolsa ao amigo de seu filho, pois o conhecia e o admirava. Namjoon e Jin eram inteligentes por natureza e o dono da faculdade venerava isso. O jovem de cabelo tingido de castanho claro e pele levemente bronzeada estudava uma aula extracurricular com Jimin e por isso o conhecia, mesmo que não se falassem muito. O loiro voltou com segurando um copo em sua mão esquerda e esticou-a para o mais velho que agradeceu baixinho e pegou o objeto, virando-o em sua boca ligeiramente. 

— Eu sinto muito. — Jimin botou sua mão nas costas de Namjoon, fazendo um carinho reconfortante ali. Foi o suficiente para o moreno voltar a chorar sem se importar com o outro ali do seu lado. Precisava colocar tudo para fora e o jeito mais fácil que encontrou de fazer isso foi deixando-se lagrimar. 

O diretor bateu no microfone e o mesmo fez um barulho ensurdecedor. Seus olhos indicavam claramente de que ele não havia parado de chorar sequer um minuto e suas bochechas estavam vermelhas por sua pele ser muito clara. Em seu lado o vice-diretor mantinha as mãos juntas em frente de seu corpo e do outro lado a mãe de Jin engolia seu choro e enxugava seu rosto com um lenço delicadamente. 

— Não posso desejar uma boa noite com tudo que tem acontecido desde mais cedo. Descobrimos por meio de notícias na televisão e internet que meu filho e estudante dessa faculdade foi baleado no pescoço e perdeu a direção do carro caindo no rio em seguida. Um momento como esse chocou muitas pessoas, acredito que Jin era bom com todos. Vocês não fazem ideia do quão triste estou nesse momento e como escolher as melhores palavras para dizer tem sido um problema desde alguns minutos passados quando resolvi convocar todos vocês. Muitos não tem nada a ver com isso, mas eu preciso avisar que a semana de aulas vão ser suspensas, então vocês voltarão a estudar somente na segunda da semana que vem, vão para suas casas e descansem. Nesse meio tempo iremos velar o corpo do meu filho na capela particular da cidade e começaremos a investigar sobre o caso. Orem por ele, por nós e pelas suas vidas — ele olhava para o além, seu olhar estava completamente perdido em algum lugar que não era os alunos. Ele estava se segurando para não chorar na frente de todos. 

Todos começaram a se distanciar sem dizer nada, estavam de cabeças baixas e andando sem um rumo. Um grupo se reuniu em um canto para conversar, três meninas sentaram-se no banco vazio perto de uma lixeira, dois professores começaram a discutir algo e Jimin continuava confortando Namjoon em silêncio acariciando suas costas. 

— Você vai para casa? — Namjoon indagou e olhou para Jimin que balançou a cabeça positivamente. — Não sei onde mora. 

— Busan — disse baixo. Somente de pensar que iria passar por onde Jin morreu lhe embrulhava o estômago. — Você vai ficar bem? Se precisar de uma ajuda ou um ombro amigo eu durmo no setenta e um, mas eu posso te passar meu line para conversarmos. 

— Tudo bem — pegou seu celular do bolso de seu casaco preto com o nome do seu curso escrito de branco na frente e entregou para Jimin. 

Alguns segundos se passaram e ambos tinham adicionado os contatos um no celular do outro. Com um aceno se distanciaram e seguiram para corredores opostos no edifício dos quartos. Namjoon pertencia ao cem e era no sexto andar quando Jimin permanecia no quarto.

[...]

Na manhã do dia seguinte, Jimin terminou seu banho e se arrumou para sair e fazer uma surpresa na casa de seus pais. Ele começou seu curso no ano passado e desde então não tinha visitado sua cidade natal. Não que ele não quisesse, mas o maior problema era a falta de tempo. 

Colocou sua mochila nas costas e assegurou-se que tinha trancado a maçaneta quando saiu de seu quarto, caminhou apressadamente pelos corredores e escadas, pulando degraus. Mais um pouco e chegaria atrasado para comprar a passagem e pegar o primeiro ônibus do dia. 

Embarcou e sentou-se na poltrona doze deixando sua mochila sobre seu colo. Colocou os fones e começou a ouvir Shell Suite. Conheceu a canção ao ver um filme e acabou baixando em seu celular. A viagem duraria mais ou menos duas horas e com isso teria como descansar de tudo que estava acontecendo nos últimos dias. Não sabia como lidar com tudo, mas não podia contar para seus pais e nem outra pessoa o que sentia. Fechou os olhos e encheu o pulmão de ar. 

Chegou nove horas da manhã e viu a fachada de sua casa como era desde que se entendia por gente. O gramado baixinho e as paredes de tijolinhos brancos faziam parte da fachada bonita. Sua mãe foi uma renomada bailarina nos anos oitenta e tinha um bom reconhecimento nos dias atuais, seu pai era dono de uma empresa de finanças e sua condição não era ruim. Os dois se conheceram em uma apresentação de ballet e se apaixonaram incondicionalmente. Esse era um dos motivos que fazia Park Jimin acreditar no amor verdadeiro, a vida de seus pais era linda, ele tinha orgulho disso. Estar de volta era bom, mesmo que fosse passar somente uma semana ali. 

Tudo continuava organizado na parte de dentro, sua mãe não trancava a porta da sala durante o dia e por isso entrou com facilidade. Nenhum sinal dos mais velhos na sala de estar e nem na sala de jantar. 

— Mãe? — Indagou e fechou a porta. 

Seu cachorro foi o primeiro a dar sinal de vida, vindo do andar de baixo para pular em Jimin. Era um labrador esbelto chamado "Iron Man", escolheu o nome ainda sem ter noção direito das coisas e pegou, seu animal tinha uns nove anos e mesmo assim continuava sendo alegre e bondoso. 

— Onde meus pais estão? — Ajoelhou-se para fazer carinho no cachorro. — Eles não iam sair e te deixar — disse mais para si mesmo do que para Iron Man. 

O animal saiu e subiu a escada fazendo Jimin o seguir, sua mãe estava com fones de ouvidos no andar de cima lavando peças de roupas e seu filho sorriu ao vê-la tão animada cantarolando baixo frases em inglês. 

— Iron! — Ela exclamou ao sentir o cachorro aconchegar-se entre suas pernas e riu virando-se. — Jimin! — Sorriu e tirou os fones. — Iron veio me avisar? 

— Melhor mordomo. — O jovem olhava encantado para seu cachorro. — Meu pai saiu? 

— Sim, ele foi resolver alguns problemas com a documentação da casa do nosso novo vizinho — ela saiu do cômodo e fez menção para descerem. — Eu soube do acontecimento com o filho do dono da faculdade. Por isso veio? 

Jimin não estava afim de lembrar da morte de Jin. 

— O período vai começar na semana que vem exatamente por isso, então ele nos liberou — explicou. — Quem são os novos vizinhos? 

— Um casal de idosos, eles moravam em Roma. Uma mudança e tanto — fez um gesto com as mãos. — Mas são coreanos. 

— Entendi. Vou deixar minhas coisas no andar de baixo e cochilar. — Sua mãe assentiu e Jimin saiu da sala de estar. 

Dormia no subsolo desde adolescente. Teve uma fase de sua vida resumida em rebeldia e decidiu ficar longe dos pais, então montou tudo que precisava no andar de baixo e passou uma hora trancado no quarto, mas sentiu o estômago roncar e foi obrigado a subir. Desde então se acostumou a passar a maior parte do tempo no subsolo onde seus pais não iam com tanta frequência, agora havia virado a casa de Iron Man. Falando no animal, este se acomodou na cama de casal de Jimin e o jovem se deitou logo cobrindo-se e aconchegando-se. A cama na faculdade não era tão macia quanto aquela. 

No entanto dormiu duas horas e acordou com uma falação vindo do andar de cima. As vozes não eram de seus pais, mas sim de outras pessoas. Esticou-se na cama e alcançou seu celular sobre o criado-mudo. Onze e meia. Ouviu sua mãe o gritar na beirada da escada e levantou-se arrastado. 

— Venha almoçar! Temos visitas — ela disse e ele assentiu mesmo sem vê-la. — Não demore!

Observou-se no visor de seu celular e passou as mãos no cabelo bagunçado. Calçou os chinelos e subiu vendo seu pai na cozinha arrumando uma louça.

— Precisa de ajuda com isso? — Indagou e seu pai balançou a cabeça negando. — Quem veio almoçar?

— Uns amigos do trabalho, achamos que seria bom socializar com o filho deles, ele vai começar a faculdade em Seul semana que vem. 

Mais um não — pensou Jimin. 

Colocou um sorriso falso no rosto e foi para a sala de jantar vendo todos sentados ao redor da mesa devidamente arrumada. De um lado estava o casal desconhecido para Jimin, na ponta sua mãe e do outro lado o filho do casal. Seu pai se sentaria na outra ponta, o que restou para o jovem se sentar ao lado do desconhecido. 

— Jimin dorme muito, estava descansando da viagem — disse sua mãe com um sorriso no rosto e o casal sorriu delicadamente. — Ele cursa fotografia e na extracurricular faz espanhol. 

— Não quis seguir os passos do pai? — A mulher perguntou e Jimin balançou a cabeça negando educadamente. — Entendo. O sonho do meu pai era que eu fizesse engenharia civil, mas cursei algo nada a ver com isso. 

Jimin não estava interessado, mas agiu educadamente e assentiu sorrindo. 

— Foi horrível o falecimento do filho do dono da faculdade — comentou o homem. — Ele tinha motivos para ter sido morto?

Park sentiu a garganta fechar e uma onda de choque percorreu seu corpo, mas rapidamente tratou de a afastar. 

— Ele era uma boa pessoa, o Jin nunca disse "não" para os outros e gostava de ajudar. Ele nem mesmo bebia e fumava — explicou. 

— Estranho, não acha? Mas vão achar e prender quem fez isso com ele. — A mãe de Jimin disse. — E o filho de vocês? Ele continua calado desde que chegou. 

Jimin olhou para o garoto sentado ao seu lado mexendo no celular. Tinha uma franja ondulada, o cabelo naturalmente escuro, um nariz avantajado e usava trajes casuais. 

— Ele vai cursar engenharia de alimentos. Esse garoto vive no mundo da lua — sua mãe sorriu e seu filho a olhou. — Jimin poderia mostrar o campus para ele. 

— Uma ideia maravilhosa. — O pai dele surgiu na sala de jantar com um prato em mãos. 

— Tudo bem. — Jimin concordou mesmo não muito convincente. Odiava bancar o guia turístico na faculdade, mesmo que isso tivesse acontecido com ele apenas uma vez.

— Não preciso de uma pessoa me seguindo. — O garoto murmurou fazendo todos ali presentes olharem para ele, inclusive Jimin que não sabia se estava feliz por isso ou indignado com a falta de educação que ele possuía. 

Um silêncio surgiu no local. Nenhum ali sabia o que dizer ou como agir, estavam envergonhados pela ignorância do filho e os pais de Jimin estavam parados encarando um ao outro. 

Uma lembrança então invadiu a vasta mente de Park. Era uma segunda, início da semana letiva no ano e não sabia qual caminho seguir dentro da universidade. Encontrou Jin com um cartaz escrito seu nome e sorriu satisfeito, aproximou-se lentamente em seguida e cumprimentou o mais velho que disse estar ali para guiar o mais novo em suas aulas, durante o primeiro dia. 

Jimin sentiu-se derrotado diante de todos ali presentes no almoço. Não lembrava que tinha sido Jin o responsável por lhe ajudar a se acomodar no campus, agora sua cabeça retornara ao turbilhão de pensamentos. Sentiu um embrulho no estômago e levantou-se correndo, indo ao banheiro perto da cozinha. Vomitou e sentou-se no chão, ao redor do vaso sanitário. 

— Jimin! Não me disse que estava passando mal — sua mãe disse perto do batente. — Tudo bem? 

Ele balançou a cabeça em confirmação, mas na verdade não estava nada bem. Estava tonto, o estômago dolorido e com um sentimento horrível. Seu celular tocou em seu bolso e ao o pegar viu o nome de Taehyung no visor. Desejou mil vezes rejeitar a chamada, mas atendeu. 

— Oi — disse desanimado, com a fala quase falha. — O que houve? — o outro estava bufando do outro lado da linha como se tivesse corrido uma maratona. 

— Se vacilar mais uma vez vai se ver comigo. — E desligou.

Park levantou e lavou sua boca na pia, passou por sua mãe sem dizer mais nada e seguiu para o andar de baixo, pegou a mochila e voltou para a sala. Saiu correndo sem uma direção certa, apenas queria esquecer tudo o que aconteceu. 

Quando menor, ia para uma colina onde via Busan toda e o mar. Foi onde ele parou. Sentou-se na grama e tirou de sua mochila um maço de cigarro, acendeu um e tragou. Soltou a fumaça pelo canto da boca deixando ir, com ela, todos os problemas. 

Uma brisa revigorante bateu em seu cabelo bagunçando-o, as ondas do mar ficaram mais intensas e o fluxo de carros nas ruas aumentaram. O começo de uma nova fase em sua vida estava acontecendo. Jimin não era mais a mesma pessoa de um ano atrás. 


Notas Finais




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