História Wo no Ai - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Gintama
Personagens Gintoki Sakata, Kagura, Shinpachi Shimura, Sougo Okita, Tae Shimura (Otae), Toushirou Hijikata
Tags Okikagu, Romance, Timeskip
Visualizações 41
Palavras 6.558
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Comédia, Musical (Songfic), Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


As frases em itálico são a tradução da música Wo no Ai. Eu gosto da mensagem que ela passa, e depois de Kagayaita e Balance Doll, ela é a que eu mais gosto. Esta história também está disponível no Nyah!

Capítulo 1 - Wo no Ai


Fanfic / Fanfiction Wo no Ai - Capítulo 1 - Wo no Ai

Wo no Ai

Era um dia tranquilo em Edo, mais especificamente no distrito Kabuki. Os pássaros cantavam, o vento zumbia, Hedoro cuidava de sua floricultura, e uma jovem menina no auge de sua adolescência caminhava tranquilamente por aquela rua suja, mas acolhedora. Kagura está com dezesseis anos e cantarolava alguma música aleatória, acompanhada de sua sombrinha. Apesar de já estar com o corpo mais amadurecido, sua mente ainda mantém um pouco da alegria da jovem menina que vivia por ali.

“Hoje perdi o controle do meu coração

Ele se tornou o coração de uma dama tremendo

No luar da noite

Palpita como se houvesse alguém atrás de nós

Kagura se via pensando em várias coisas durante sua peregrinação. Quando encontrou os velhos conhecidos com quem costumava brincar nos seus dias de calmaria, se lembrava das diversas disputas de chutar lata, das brigas infantis e das disputas de besouros, quando... Espera?Besouros lembram... Kagura balançou a cabeça, como se tivesse um terrível dilema. Foi até uma venda procurar por sukonbu, seu alimento favorito. Mas por alguma desgraça do destino, não tinha nenhum sukonbu para que ela pudesse comprar. Mas ela poderia procurar em outro lugar, não?Sim. Mas quando Kagura percebeu, havia comprado um pacote de chiclete no qual ela mastigava avidamente enquanto caminhava pelo distrito.

—Chiclete?Eu sou algum tipo de pirralha, por acaso?-Gritou completamente irritada. O chiclete não era o fato de ela manter seu estresse, e sim o fato de quem o alimento lembra. As pessoas olhavam assustadas para a garota, que inconscientemente se mostrava agitada.

O motivo de tais sentimentos foi por que Kagura percebeu estar desenvolvendo sentimentos estranhos pelo policial de cabelos cor de areia, com quem estava acostumada a brigar sempre. Desde o retorno tanto da shinsengumi (na qual a maioria dos membros voltara a trabalhar para o governo) quanto da paz que reinava na terra dos samurais, Kagura continuou a viver uma vida pacífica no Yoruzuya, em meio a brincadeiras, trabalhos e ajudando todo o tipo de pessoa possível. Ela obviamente voltara a ter suas rixas com o ex-capitão da primeira divisão, entretanto, de algumas semanas para cá, ela vinha pensando nele o tempo todo, desde associar todas as coisas que via a ele (como um gato ou um dango, coisas que o jovem gosta) até relembrar fatos do passado. Quando ela se encontra com ele para brigar ou trocar ofensas, seu coração dispara tanto que parece que iria sair pela boca. Ela, que nunca se sentira realmente ofendida com os xingamentos dele, começou a ficar pensativa querendo saber se ele realmente achava aquilo dela.

—Isso é patético. –Ela corou violentamente ao pensar que se sentia incomodada com a troca de ofensas. Ela mesma não estava nem se quer aguentando lutar com ela por muito tempo, pois quando seus olhos batiam nos olhos avermelhados do loiro, ela sempre dava um jeito de bater retirada. –Ele vai me achar patética e fraca, e não vai querer mais lutar comigo, não?Ah, como se eu me importasse com esse maldito!-Ela gritou irritada, apertando a cabeça. Ela sentia como se seu peito fosse explodir com tal sentimento. –Eu tenho que falar com Anego. Ela com certeza sabe me dizer o que eu tenho. O Gin-chan só complicaria as coisas.

  Decidida, Kagura foi em direção ao dojo de Shimura Tae, que começava a deslanchar de popularidade, tendo alguns alunos jovens interessados na arte do kendo. Após a aula que Shinpachi lecionava, Tae apareceu oferecendo chocolate macadâmia aos jovens alunos pelo esforço.

—Kagura-chan?-Shinpachi foi falar com a amiga, que parecia meio agitada.  Ele usava as roupas de treino e limpava o suor da testa com um pano.

—Não quero nada com você megane. Meu assunto é com a Anego.

—Credo, que bicho te mordeu hoje?-Ele ergueu a sobrancelha, curioso e meio ofendido. Estava acostumado a ser insultado por ela, mas ela sempre o faz de tom de chacota. Dessa vez ela parecia que queria evitar a conversa com ele.

—Calado!Ei, Anego. –Kagura foi até a direção da mulher e sussurrou algo para ela, que acenou positivamente. Ela então foi em direção ao irmão e entregou o chocolate em suas mãos. –Eu e a Kagura-chan temos assuntos importantes a tratar. Termine de distribuir os chocolates, sim?-E entregou nas mãos do irmão, que nos segundos seguintes estava atolado de crianças em cima dele (literalmente) em busca de chocolates.

Kagura e Tae entraram no dojo e Kagura se sentou no kotatsu. Enquanto Tae buscava um chá para a sua convidada, Kagura mexia com os dedos de forma ansiosa. O quão patética ela estava se sentindo não dá para ser descrito aqui nessa história. Em um impulso, ela decidiu que era uma bobeira isso e que ela fosse embora e batesse a cabeça com força em algum poste ela esqueceria essa maluquice, ou então entraria em coma (como ela é um Yato, essa possibilidade pode ser descartada)

—Aonde pensa que vai, Kagura-chan?Você não queria falar algo comigo?

—Ah Anego, esqueça. É besteira, e... Eu não quero chatear você com meus problemas.

—Você não chateia ninguém, Kagura-chan. Além do mais, você é como uma irmãzinha que eu nunca tive, por isso eu quero te ajudar no que puder. –Tae fez à ruiva se sentar e então serviu o chá, para depois se sentar junto a ela. –Você parece perdida. O que eu posso fazer por você?

—Ahh, eh... –A garota começou a se embaraçar. –É que alguns... Algumas coisas estão erradas com meus pensamentos e talvez conversando com você isso passe. Ou talvez, se a Anego batesse bem forte na minha cabeça...

—Não acho que um problema possa ser resolvido com pancadas. –Respondeu dando uma risada. –Por mais que eu batesse em certo stalker, ele até o fim continuou xeretando aonde não devia.

—Anego, você não está entendendo... É um sentimento se submissão terrível, no qual eu preferia morrer a sentir isso.

—E o que seria esse sentimento.

—É que... Toda vez que eu penso em certa pessoa, meu peito começa a palpitar forte, como se eu tivesse corrido uma maratona. Minha barriga começa a formigar, minha garganta fica seca e eu sinto meu rosto ferver e eu não consigo comer a droga de um dango sem pensar nessa pessoa.

—Ah, eu não acredito!-Tae gemeu surpresa, colocando a mão na boca.

—É muito grave Anego?Será que eu deveria ficar de quarentena?

—Não é nada grave, Kagura-chan. Você está descrevendo simplesmente o sentimento de amor.

—Quê?Não!Não!Não pode ser algo do tipo!Deve ser alguma doença de verão, ou eu devo estar... Eu...

—Kagura-chan, é perfeitamente normal você se apaixonar na idade em que está. Tudo é novo, e essa paixão que você tem é maravilhosa, saiba disso. Quem sabe, ele não retribua seus sentimentos?

—A-Anego, você não entende a situação. Essa pessoa é sádica, desprezível, arrogante, sádica, indiferente, é um bastardo sem coração e sádica e ele fez algo terrível comigo... E... Anego, me dê mais adjetivos!

—Ora Kagura-chan. É muito normal que o ódio um dia vire amor. Acontece nas melhores famílias!E fazer algo terrível não é adjetivo. -Tae bebericou tranquilamente o chá. –E por essa descrição tão amorosa, eu tenho um palpite de que você esteja gostando do Okita-san, certo?

—Ahn... Como?Está tão na cara assim?-Ela perguntou entrelaçando os dedos e olhando para baixo. –Bem, quando eu conheci o Dai-kun*(*Cap 419/422), eu realmente não entendia a diferença entre amor fraternal e amor romântico. Eu levei a vida, sem me preocupar muito com isso. Mas de uma hora pra outra eu me vejo sentindo esse sentimento estranho por um cara que eu via como rival... O que nele tem de tão amável?

—Eu não sei Kagura-chan, não sou eu que estou apaixonada por ele. –Sorriu. –Provavelmente você deve ter visto algo nele que te atraia e acabou acontecendo. Você deveria contar isso a ele.

—Nem morta!-Gritou. –Se eu contar isso pra ele, eu com certeza estarei decretando a minha derrota. E ele com certeza não me vê mais como um passatempo, assim como aquelas vadias que segue ele por ai como cadelas.

—Kagura-chan, você está claramente com ciúmes dele. É tão lindo!-Tae se divertia com as reações da garota, e por mais que doesse, sabia que Tae estava certa em cada palavra que proferia. –Se você não quer se declarar para ele, tudo bem. Mas você não vai poder reclamar depois, caso ele arranje alguém.

—Obrigada por me ouvir Anego. O chá estava ótimo. –Ela se levantou e saiu pela porta com uma expressão pensativa. A primeira paixão era sempre difícil, principalmente por que costuma não ser correspondida, mas Tae sabia que não era o caso e que Kagura não iria perder tão facilmente.

—Ah, que lindo o desabrochar do amor. Esse tipo de coisa faz eu me sentir até mais disposta. –Ela pegou sua Naginata e a admirou por cinco segundos, para depois enfiá-la no chão do tatame, quase acertando certo stalker com uma cicatriz no rosto escondido embaixo do assoalho do tatame. –Não concorda Kondo-san?

 “A grama do verão treme numa miragem

Um tiro distante vai girando, girando

Respiro perturbada em meus sonhos

Fazendo do dia uma desilusão perturbada”

 

—Ah, que tédio. –Sougo comia dangos em uma lojinha qualquer, enquanto admirava a paisagem. Ele coçava a cabeça, enquanto observava as pessoas correr, conversar, namorando. Bem, não era exatamente uma visão que o agradasse, pois ele nunca se imaginou nesse açúcar todo.

     Sougo retornou a ação logo após toda a história ser resolvida e apesar da Shinsengumi não atuar oficialmente perante a lei, todos os que são membros do esquadrão se mantém com o coração firme nos códigos e em seus corações, a Shinsegumi sempre existirá. Mesmo que Kondo não continue a comandar a polícia, Sougo continuaria o seguindo da mesma forma. Então não era de se esperar que ele não seja muito diligente, agindo de forma irresponsável como sempre e tentando matar Hijikata-san nas horas vagas (Sougo não tinha muitos hobbies). Além de Hijikata, ele tinha a pirralha chinesa para brigar.

    Se bem que ficava cada vez mais difícil ter uma luta decente com a chinesa. Há algumas semanas, durante uma luta intensa, Sougo acabou escorregando e caindo com a cara nos peitos (que cresceram magicamente de acordo com o mesmo), o que a deixou tremendamente encabulada, por mais que tentasse disfarçar. E pra piorar, ele soltou um murmuro “macio”. Ah, mas ele foi chutado com tanta força, que o garoto voou como uma lata para o outro lado do parque.

—A cara dela foi bem engraçada na hora. -Sougo falou para si próprio enquanto mastigava o palitinho de dango. Mas o sorriso se desmanchou quando se lembrou de que após isso ela começara a ficar meio que receosa com ele, terminando as lutas na metade ou fugindo dele. Paralisou. Só poderia ser isso. –Os peitões dela devem estar atrapalhando-a na hora da luta!Ela não quer perder para mim, por isso foge. Patética!

    Sougo teve esse pensamento por que sabia que a chinesa nunca o veria como um pretendente. Na verdade, desde que a conheceu havia algo nela que chamava a sua atenção. Mas na época era muito pequena, então não tinha nenhum interesse além de disputar sua força com ela. Mas quando ela foi crescendo e ele a via brilhando ao lado de seus companheiros, a cada batalha passou a admirar ela como uma verdadeira guerreira e demorou até perceber que gostaria de ser algo a mais dela. Mas Sougo não queria se mostrar fraco e tomar um pé ou ser zoado por ela.

—Antes era fácil ignorar. –Ele resmungou consigo. –Mas agora ela está super turbinada. Se eu não tivesse encostado, eu juraria que é silicone. Com certeza vai atrair um monte de tarados... –O pensamento de Kagura namorando ou com um tarado era nojento e intimidante ao mesmo tempo. Sougo olhou para os dangos em eu prato e pensou se havia algum alucinógeno naquela coisa que o fizesse ficar pensando naquela retardada o tempo todo.

  Sougo pagou pelo lanche, deixando-o incompleto e saiu para fingir que trabalhava um pouco. Passou a caminhar por entre as pessoas com desinteresse, como se as pessoas não estivessem lá. Viu algumas vagabundas acenando para ele, mas ignorou completamente. Não estava muito interessado nisso naquela hora.

    Chegou até o parque, onde conhecera Kagura na disputa de Jan-Ken-Po e se sentou em um banco. Ela o derrotara completamente, por isso acreditava que ainda tinham que decidir quem era o mais forte. No começo era uma birra infantil para ver quem era o mais forte, tanto que ele a tratava com descaso, mas quando viram, eles acabavam separando um tempo da vida deles para lutar.

—Ora, ora, se não é a China Girl. –Sougo falou alto, chamando a atenção da garota. Era impressionante como ela conseguia aparecer em qualquer hora.

— É assim que você retribui os nossos impostos?Vagabundeando por ai? –A sombra de Kagura tapou o policial, que despertou da sua alucinação causada (de acordo com ele) pelos dangos maléficos de uma lojinha qualquer. Ela parecia nervosa, mas agia da mesma forma de sempre.

—Nunca ouviu falar de horário de almoço, pirralha?Além do mais, uma estrangeira ilegal não tem direito a reclamar do serviço. -Sougo levantou do banco, o que fez Kagura recuar um pouco. Era o calor, ou ela estava ficando vermelha?-Quer brigar?Prepare-se, por que vou limpar o chão com seu cabelo!

—Ahh... Como se eu fosse perder meu tempo com um fracassado como você. Adeus. –Ela se virou com tudo e passou a caminhar na direção contrária.

—Oh, você anda fugindo bastante de mim nos últimos dias China. Não me diga que é para não estragar as próteses?

—Pró-Próteses?Do que está falando?

—Dessas suas tetonas que cresceram de um dia para outro. Você está realmente patética, acha que alguém vai te querer?-As palavras ásperas foram como uma faca no coração de Kagura. Ela havia há poucos minutos se aberto com a sua Anego sobre os novos sentimentos e ser “rejeitada” dessa forma doeu mais do que percebia. Uma onda de ira atravessou o corpo da garota, que o encarou com um olhar gelado.

—Como ousa a falar algo assim para mim, seu bastardo de merda?-Ela gritou e mirou um soco que acertou perfeitamente no nariz do policial, quebrando-o na hora. Sougo percebeu que ela realmente ficara ofendida.

“A velocidade aumenta

Enquanto andamos nos vento

Que mundo cruel é esse, mas esta muito longe

Eu não preciso de nada (vamos, baby)

Outra além de você (diga me, baby)

Me desculpe (por que não, baby)”

 

    Uma rajada de vento fez os cabelos de Kagura, que estavam soltos nos ombros balançarem. Fazia uma contrapartida à cara de fúria que Kagura emitia para Sougo, que acabou se estressando.

—Isso doeu sua maldita!Ta saindo muito sangue!

—Foi bem merecido!-E virou de costas novamente. Tinha que sair dali rápido.

—Não me diga que a MissPig ficou ofendida com um simples elogio. –Ele riu enquanto secava o jorro de sangue, que não parava. –Bem, eu também não pretendo perder depois de levar esse golpe. –A agarrou pelo ombro e desferiu um murro igualmente forte. Kagura surpresa e irada devolveu um direto no estômago, que foi revidado com um chute na costela. Foi nesse momento que Kagura percebeu que não passava de um saco de pancadas para ele. Ele não media esforços para esmurrá-la.

—Qual é a sua, seu imbecil?-Ela não estava se divertindo. Seus golpes não tinham precisão e seu rosto mostrava-se muito frustrado. Sougo então parou o golpe dela a segurando pelos braços e a encarando bem de perto. Perto demais.

—O que você tem China?Não quer mais lutar comigo?-Ele encarou os olhos azuis dela, que pareciam duas piscinas profundas. Ela corou ao sentir o hálito doce batendo no rosto e desviou o olhar.

—Eu... Só cansei disso, sim? Eu não vejo mais a lógica de ficarmos nos espancando. Você deve ter coisas melhores pra fazer e eu também tenho.

—Sério?Então por que não fala isso olhando pra minha cara?-Ele falou, segurando o queixo dela no rumo de seu rosto, a fazendo gemer de dor. O rosto dela corou com a imagem do policia que mesmo sujo de sangue, ainda conseguia ser belo. O cabelo cor de areia bagunçado, os olhos vermelhos profundos, a curva dos lábios dele. Sougo acabou caindo na mesma armadilha que trilhou, olhando para todos os detalhes do rosto da ruiva, até perceber que a segurava no lugar que tinha um ferimento de soco. Largou a ruiva na hora que viu isso. As palavras que ela proferiu foram como facas no peito dele.

—Pode parecer que eu estou fora da personagem, mas eu sou uma garota, sim?Por mais que eu não ligue, eu sou uma maldita garota!Eu... –Ela apertou os punhos. –Eu gosto de ser bem tratada às vezes. Eu gosto de receber elogios às vezes. Eu não sou o monstro que você idealize que eu seja.

—Mas eu não...

—Você tem todas aquelas vadias para maltratar. Eu pensei ser algo além de um passatempo, ou um saco de pancadas ambulante... Eu não quero mais ser um brinquedo.

“No meu mundo
O cenário é maravilhoso
Por que o cenário é você, reviva

Oh, baby, venha pra perto
Oh, baby, deixe-me ser”

 “Você é a razão do aumento do meu batimento
Quando você chega perto tudo fica leve
E as batidas não param
Eu viro um relógio tiquetaqueando

Não entendo
Me afogando
Fui enganada por sua sedução
Cai na armadilha (venha, baby)
Estou cativa (diga-me, baby)
Isso é bom (por que não, baby)”

   Sougo passara a semana toda de mau humor. Seus colegas do trabalho não se limitavam a tentar perguntar algo e o pobre Hijikata como sempre, era a forma de alívio da raiva do rapaz, que sempre dava um jeito de escapar (apesar de que Sougo estava pegando pesado naqueles dias). Mesmo com sua vida correndo risco, ele estava preocupado com o garoto e sabia que havia algo errado com ele. Mas se não fizesse nada, o garoto iria matá-lo e no dia anterior ele quase conseguiu, pois o machucou na cabeça o obrigando a tirar licença de alguns dias.

—Oh... –Uma voz soou ao seu lado.

—Hum?-Hijikata olhou para o lado e viu Gintoki carregando algumas porcarias nos braços. Hijikata estava pegando lenços de papel por que assistiria uma maratona de filmes de drama, já Gintoki deu um olhar zombeteiro ao ver o moreno pegar o objeto. –N-não é o que você está pensando!

—E por que eu pensaria algo errado, Hijikata-kun?Ah não ser que você esteja planejando algo safado essa noite.

—Não estou planejando nada!Isso é... Pra quando eu me sujar de maionese, eu poder me limpar. –A frase não ficou muito boa.

—Maionese... Sei...

—E você?Também está interessado em lenços de papel. Não me diga que pretende fazer algo sujo?

—Diferente de você e sua vida solitária rodeada por um condimento nojento, eu tenho uma adolescente em casa que por algum motivo está a uma semana presa em casa tomando sorvete e assistindo filmes de drama. Parece algo parecido com dor de cotovelo, mas prefiro pensar que não.

—Claro que não. É algo normal na idade dela assistir filmes de drama e chorar bastante... Digo, em todas as idades é normal, e...

—Corta o papo furado, Hijikata-kun. Melhor que você não passa vergonha. –Ele olhou para a cabeça enfaixada do policial. –Huh?O que houve?

—Não que seja da sua conta, mas o moleque do Sougo quase me levou pro saco de vez. Ele está cada dia mais violento, já tem uma semana isso.

—Oh... Deve ser algo como puberdade tardia, ou talvez seja menopausa.

—Menopausa? –O moreno ergueu a sobrancelha devido ao absurdo que ouviu e decidiu tragar um cigarro. Hijikata olhou para o cigarro que tirava da caixinha e seu olhar o fez despertar para algo. –Ei, Gintoki. –Chamou Hijikata, que não chamava mais o prateado por Yoruzuya. –Eu poderia fazer uma visita até a sua casa?

“Do meu lado

Você me asfixia

O céu e como eu te amo”

—Desculpe te decepcionar Hijikata-kun, mas diferente do que o fandom pensa você não é bem o meu tipo...

—Não fale idiotices!Eu quero conversar com a China Girl.

—Ein?Por quê?Você quer tentar algo pervertido com ela?Saiba que eu não vou permitir e...

—Pare de dizer bobagens!Eu quero conversar com ela. Talvez eu consiga animá-la. -Hijikata espalmou a cara do albino, que mesmo desconfiado, acabou concordando com a estranha visita. Eles pagaram as compras e passaram a andar lado a lado pelas ruas em um silêncio bem constrangedor. Gintoki estava com um pé atrás em relação ao mayora, mas tinha a impressão que ele de alguma forma sabia como lidar com uma adolescente deprimida.

—Oi Kagura, cheguei. –Gintoki tirou os sapatos e Hijikata repetiu o ato.

—Gin-chan, trouxe o bargain dash?-Kagura gritou. Ela estava com o cabelo com o cabelo todo bagunçado e estava de pijama com um cobertor sobre as suas pernas e recostada em Sadaharu.

—Você vai acabar morrendo de tanto sorvete, pirralha.

—Cale a boca e me dê logo!

—Ora sua... Certo. Olha, temos visitas. O mayora veio lhe ver.

—Pare de me chamar de mayora, seu viciado em açúcar!

     Kagura se mostrou exaltada, com medo do mayora estar acompanhado de certa pessoa a qual desejava evitar para sempre. Após a briga, Kagura percebeu que fora extremamente estúpida ao dizer aquelas coisas ao jovem de cabelos cor de areia e que ele definitivamente nunca mais queria olhar na cara dela novamente e ela, morrendo de vergonha, também queria se mostrar afastada dele.  Mas como ele estava sozinho, ela apenas suspirou e maneou com a cabeça.

—O que um ladrão de impostos gostaria na minha casa?

—Bem... –Hijikata apagou o cigarro e foi para perto da jovem. Gintoki olhava com um olhar bem desconfiado. –Gostaria de conversar com você sobre alguns dramas bons. Parece que você passou a semana assistindo alguns e... Eu queria uma recomendação, já que estou de licença por alguns dias...

—Mas o que?-Gintoki ficou por cerca de meia hora vendo Hijikata jogar todo o seu personagem sério no lixo e conversar sobre vários dramas e romances com Kagura, que aparentemente se mostrava interessada na conversa. Quando menos percebeu, Kagura ria como não ria já tinha uma semana e isso fez um arrepio percorrer a espinha do samurai, que estava muito confuso com a situação. –Eu devo estar pirando. –Disse ao abrir a porta para pegar um pouco de ar. Da sacada ele viu um jovem policial, que parecia estar divagando lá embaixo. –Ah,Okita-kun?

—Boa tarde Danna. –O loiro respondeu ao albino, ao vê-lo indo em sua direção.

—Parece estar preocupado. Muito trabalho?

“Um sorvete colorido (oh, baby, venha pra perto)

Um encontro que dói tanto (oh, baby, deixe-me ser)

Coloco facilmente um (oh, baby, você não vê)

Por favor (oh, baby,me ame)”

—Bah, nem tanto. Eu apenas não estou conseguindo descansar muito bem.

—Te entendo, te entendo. Kagura-chan também está me dando muita dor de cabeça.

—Oh?-Sougo tentou se mostrar desinteressado, mas seu coração estremeceu ao ouvir pela primeira vez desde aquela discussão o nome daquela mulher.

—O mayora e ela estão ali em cima há um tempão conversando coisas estúpidas. Mas... De certa forma, ele conseguiu fazê-la sorrir e ela está tratando-a tão bem de forma que eu nunca imaginei que o vice-comandante demoníaco faria.

—Ah... Hijikata-san?-O coração de Sougo doeu de forma que nunca imaginou sentir. Hijikata novamente estava querendo pegar algo que era seu?Mas espera... A menina nunca fora sua, certo?Ele não sabia como agir com ela e também não conseguia entender a súbita mudança de comportamento dela, então por que doía tanto?

—Bem, os deixei por que ele parecia estar fazendo muito bem para ela. Ele inclusive pediu para que viesse até em casa para vê-la.

—Entendo Danna. Eu...

—Não quer subir até lá em cima?O mayora conversando com a Kagura está me dando nos nervos, e você poderia sei lá, jogar uma bomba nele.

—... –Sougo pensou por alguns segundos e abaixou os olhos. –Não. Eu tenho que ir para casa Danna. Até a próxima. –E se afastou, indo para outra direção, com a cabeça baixa. Gintoki o observou desaparecer pelas ruas com aparente interesse.

—Estranho... –Gintoki coçou o queixo.

“Eu te amo

Por favor

Eu te amo

Por favor

Eu te amo (oh, baby, venha pra perto)

Por favor (oh, baby, deixe-me ser)

Eu te amo (oh, baby,você não vê)

Você me ama? (oh, baby,me ame)”

      Quando Gintoki saiu pela porta, Hijikata olhou bem disfarçadamente por ela e se virou para a menina, que limpava os olhos com uma lágrima involuntária que escorria pelos seus olhos. Era a chance perfeita de conversar com a garota e confirmar suas suspeitas.

—Tudo bem, a mala açucarada já foi. O que houve entre você e o Sougo?

—D-do que está falando Toshi?Eu não tenho nada a ver com aquele bastardo!Vamos voltar a falar do drama que passou na semana passada.

—Eu adoraria, mas eu quero falar algo primeiro antes que seu papai volte. O Sougo está muito triste esses dias, eu nunca o vi dessa forma. E acredito que não tenha sido algo qualquer, já que ele quebrou o nariz.

—E-eu... Eu só...

—E um Sougo infeliz quer dizer um Hijikata infeliz. Sabe como é você reservar sua noite de folga e de repente quando você entra em sua casa ela está cheia de armadilhas?É terrível!Deveria se abrir com ele e encerrarem essa briga que tiveram.

—Mas Toshi, o que você quer que eu faça?Esse cara é um desgraçado que só me trata como um saco de pancadas!Como você quer que eu seja verdadeira com alguém assim?

—Ele nunca te viu como um saco de pancadas. De certa forma, ele é muito tímido, sabe?Mesmo que seja um sádico, acredito que essa seja sua forma de demonstrar o amor que sente por você. –Hijikata proferiu encostado em Sadaharu ao lado de Kagura. O cachorro gigante dormia tranquilo, enquanto o homem olhava para o teto com um novo cigarro preso em seus lábios.

—Mayora, você foi abduzido por um alien ou algo do tipo?

—Oe, eu estou tentando apenas nos ajudar!Além do mais, eu me preocupo com aquele moleque.

—Entendo... –Kagura abaixou os olhos. –Anego me disse coisas semelhantes. Eu devo pensar nisso com calma, sim?

—Tá certo. –Ele falou, soprando a fumaça pelos lábios.

—Ei, estou de volta. –Gintoki entrou pela porta e viu os dois aparentemente juntos, como se fosse amigos. Bem, pelo menos pareciam.  Uma veia saltou na cabeça do samurai. –Ei, desde quando vocês são tão amigos assim, huh?

—Desculpe pelo incômodo. Eu já estou indo. –Hijikata deu um sorriso para a garota e saiu pela porta. –Não se esqueça do que eu disse.

—Toshi...

—Oe, Kagura. –Gintoki a essa altura estava muito estressado. Que confiança toda era aquela?

—Sim, Gin-chan?

—Esse cara não fez nada pervertido com você ou algo do tipo não,neh?E o que foi aquilo de “Não se esqueça do que eu disse?” O que diabos ele te falou?

—Ah... Eh... Bom, ele me falou pra assistir um filme de ação estranho. Yakuza VS Alien. Eu disse que não é bem meu estilo, mas que o filme valeria a pena. –Kagura sempre foi horrível para mentir, então pegou um trecho da conversa de antes (que provavelmente Gintoki não havia prestado a atenção.) e repetiu.

—Tá bom. –Ele respondeu desconfiado. O que aquele maldito queria, afinal de contas?

“ No meu mundo

O cenário é maravilhoso

Por que o cenário é você, reviva ”

—Sougo!Já faz algum tempo. –Kondou carregava uma sacola de coisas quando viu o policial com uma expressão completamente amarga no rosto, enquanto comia dangos em uma birosca qualquer. Percebendo que não estava nada bem, ele perguntou. –O que está havendo?

—Nada, Kondou-san. Apenas estou cansado de todo esse trabalho que tenho que fazer. Tenho saudades de quando era o senhor que nos comandava.

—Sim, eu também sinto falta disso!Mas sabe como é, um homem de trinta anos como eu deve se concentrar em algo menos arriscado. Como ajudar o dojo da mulher que eu amo hahahaha!

—Hijikata-san também tem quase trinta anos e continua a encher-me a paciência na polícia.

—Mas eu creio que ele já esteja preste a achar a sua cara metade, hahahahaha!Quem sabe não achou?Aposto que ele seria exigente com as mulheres com quem sair. Será que ele gosta de morena?Ou talvez, uma ruiva...

 -E... Ele não ousaria... –Seus punhos eram forçados com força e ele desferiu um murro na parede. –Ele não ousaria tocar na minha China!

       Minha... China?Ele realmente havia falado (gritado) algo tão vergonhoso assim no meio da rua para todo mundo ouvir?Era possível que Sougo finalmente havia decidido levar esse tipo de sentimento a sério?Kondou arregalou os olhos, e depois sorriu alegre para o garoto.

—Então ela finalmente se declarou?Já estava na hora... Os sentimentos por você estavam realmente a incomodando. Que bom que ela ouviu Tae-san.

     Declarar?Como assim?Pensou Sougo desesperado. Uma fagulha de esperança se estendeu no seu peito ao ouvir as palavras de seu antigo mestre. Ela realmente gostava dele?Ela estava se sentindo daquele jeito por causa dele?Ao parar para pensar, ela lembrou-se das brigas e da forma com que ela o olhava. A maldita paixão dele fez com que ela achasse que ela não significava nada para ele, e isso fez seu coração latejar dolorosamente.

—E-ela gosta de mim?

—Ahn?Ela não te falou nada?

—Não.

    As mãos do gorila foram para a boca e seus olhos quase saltaram das órbitas. Quando acidentalmente ouvira a conversa de Kagura e Tae, a mulher o fez prometer que não contaria nada ou suas bolas seriam arrancadas. –Por favor, não conte que eu te falei!Otae-san arrancará minhas bolas se ela descobrir.

—Eu... Eu preciso falar com a China. –Ele decidiu voltar ao caminho, mas lembrou-se de Hijikata e das falas do mestre do Yoruzuya. Deveria ir atrás dela mesmo?Será que ela viu que era uma perda de tempo gostar dele e resolveu sair com Hijibaka-san. Não sabia o que fazer. –Kondou-san... Eu estou com medo.

—Medo?Medo de quê?

—Eu realmente gosto dela. Gosto muito... Desde sempre. Mas eu não sou o tipo de cara que a trata como deveria, sabe?Eu a forcei a brigar comigo por que eu queria sua atenção, mas ela realmente deve estar muito irritada comigo.

—Sougo...

—E só de pensar na possibilidade do Hijikata-san gostar dela me dói por completo. É tão intenso quanto lembrar que ele gostava da Aneue.

—É normal Sougo. Você está com ciúmes. Mas ficar assim só vai piorar as coisas, se você me permite dizer.

—O que eu devo fazer então Kondou-san?-Ele olhou-o com os olhos perdidos e levemente marejados. Kondou coçou o queixo e respirou fundo ao ver o jovem abaixar o rosto e limpar a face. Ele estava em seu limite. –Ela não sai de casa e nem quer olhar na minha cara. Eu também não acho que vou conseguir conversar com ela com o Danna por perto.

—Eu tenho um plano. –Ele disse então.

“Um sorvete colorido (oh, baby, venha pra perto)

Um encontro que dói tanto (oh, baby,deixe-me ser)

Coloco facilmente um (oh, baby, você não vê)

Por favor (oh, baby, me ame)”

 

  Kagura caminhava em direção a um ponto no qual Anego havia marcado um encontro. Ficou um pouco desconfiada quando o gorila ligou em sua casa passando o aviso dele para ela encontrar Otae em uma praça afastada do distrito. Desconfiada, mas crendo que o gorila nunca faria algo que Tae desaprovasse, ela foi até a direção indicada.

    Por uma semana ficara presa em casa assistindo dramas e chorando enquanto tomava sorvete. Aquela não era ela!Gostava de ficar do lado de fora, sentindo o vento batendo no seu rosto e de se divertir com as outras pessoas, de conversar e de rir. Não podia se tornar uma pirralha patética que chorava por causa de um garoto igual às meninas dos dramas, que só conseguem pensar naquela pessoa 24 hrs por dia e perdem toda uma vida pensando em quem não pensa nelas.

—Patético. –Suspirou enquanto olhava para baixo. Sentiu alguém se aproximar, e se sentar ao seu lado. –Oe Anego, finalm... Quem é você?

—Oh, eu vi você de longe e acreditei que gostaria de companhia. Talvez pudéssemos nos divertir juntos.

—“Droga, um tarado. Era só o que faltava.”. –Pensou Kagura ao ver o homem se sentar ao seu lado. Devia ser um cara na casa dos quarenta, aparentemente forte e com algumas cicatrizes no rosto. Kagura esperava o movimento dele e dependendo do que ele tentasse fazer, ela daria uma surra bem dada nele.

—Por que alguém como você está sozinha aqui?-A voz rouca do homem soou nos seus ouvidos e ela viu que o velho ronin estava perigosamente próximo a ela, quase a tocando. A mão dele que vinha em sua direção se virou com um “clec” após uma pessoa atrás dela segurar a mão do tarado e a quebrar.

—Ahh, minha mão!Você quebrou a minha mão!

—Você não sabe respeitar uma mulher, idiota?Eu deveria prendê-lo por assédio sexual!-Kagura arregalou os olhos ao ouvir a voz. Okita se mostrava sério quando olhou para o homem caído, que perdera sua expressão de força ao chorar como uma menininha. -Caia fora!

—Droga, um policial!-O homem saiu correndo com a mão quebrada.

—S-sádico?O que faz aqui?-Kagura perguntou com a voz falha.

—Quero conversar com você seriamente.

—N-não dá agora. Estou esperando a Anego e ela deve estar pra chegar a qualquer momento.

—Não, não está. –Ele a olhou profundamente quando os olhos azuis se arregalaram. –Pedi para que o Kondo-san mentisse e a fizesse vir em um lugar para podermos conversar propriamente.

—A-aquele gorila maldito!-Kagura apertou os punhos. –Ele não vai se safar dessa, e... –Ela paralisou ao vê-lo se ajoelhar em sua frente. –O-o que está fazendo?

—Saímos muito do personagem nessa fic, acho que não tem importância extrapolarmos mais um pouquinho. –Ele falou com as bochechas coradas, e ao encarar o rosto dela tão profundo e curioso, ele se afastou encabulado e coçou o pescoço. –Bem, eu queria te pedir desculpas. Eu... Eu realmente gosto de brigar com você, mas eu não a vejo como apenas uma diversão. Eu a vejo como uma rival forte e uma pessoa incrível... Mas eu não pude ver que aquele monstro glutão cresceu e talvez não se interesse mais por essas coisas. Perdoe-me!-E curvou a cabeça para ela, quase a encostando no chão.

—Sádico tudo bem sair do personagem, mas nem tanto!Levante a cabeça, sim?

—Você me ajudou muitas vezes, e mesmo que nós tenhamos aprontado um contra o outro, foi tudo muito divertido. Sabe, eu realmente não quis te matar naquele dia do funeral, só queria te dar um susto, por que eu fiquei desesperado quando soube que você estava doente e tremendamente furioso ao ver que era mentira.

—Sádico, pare...

—Mas eu não esperava que eu fosse me sentir dessa forma. Eu quero de alguma forma me desculpar com você por tudo... E não só isso, eu preciso dizer...

—Pare!-Kagura se ajoelhou na altura dele e o segurou pelos ombros. As lágrimas já escorriam pelos olhos dela.  –Já basta. Está tudo bem. A verdade é que... Eu não ligo de lutar com você, não ligo de nos falarmos mal ou de competirmos, mas a verdade é que um sentimento estranho brotou em mim e eu não quero que você me odeie!Seria doloroso demais para mim!

—China...

—A verdade é que eu gosto de você, seu sádico estúpido. Gosto de você e não queria estragar o que tinha entre a gente me declarando. Mas, acabei estragando mesmo assim. Como eu sou estúpida... Eu nem deveria... –Ela foi interrompida quando o rosto do loiro se aproximou e roubou um beijo dela.

    A sensação de beijá-lo se espalhou como chamas desde seus lábios até a sua bochecha, que ficou vermelha como sangue. Os lábios dele tocaram os seus por alguns leves segundos, e ele a segurava pelos ombros como se tivesse medo de ela escapar de alguma forma. Kagura não conseguiu fechar os olhos, enquanto os de Okita estavam completamente fechados e apertados.

—Meu primeiro beijo... –Kagura tocou os lábios quando ele se separou dela. As mãos dele deslizaram para o chão e ele encarava o terreno com uma feição envergonhada. –Sádico, desde quando... ?

—Eu fiquei muito feliz sabe?Acabei não me segurando. –Okita olhou para cima. Suas bochechas estavam coradas e para Kagura, era a visão mais fofa do sádico até aquele instante. –Eu achei que tinha te perdido para sempre. Pior, perdido você para o Hijibaka-san.

—Do que você está falando?-Ela ignorou a vergonha e perguntou.

—Danna falou que ele estava na sua casa e que ele estava conseguindo fazê-la sorrir, que a estava tratando-a com valor. Coisa que eu nunca consegui.

—Você é idiota?-Ela deu um tapa na cabeça dele, que gemeu de susto. –Ele estava lá justamente para tentar me convencer a ser franca com você. Ele disse que você estava sofrendo por causa disso.

—É... Mas mesmo que o Kondo-san tenha dito que você gostava de mim, eu me senti completamente inseguro. –Disse, se esquecendo de que o gorila havia pedido para ele não falar que ele havia o contado sobre os sentimentos dela.

—Como assim, o gorila sabia que eu gostava de você?

—Ele ouviu a conversa sua com a chefa. A chefa tinha ordenado que ele não contasse, mas acabou escapulindo.

—AQUELE GORILA MALDITO!VOU MATÁ-LO!-Kagura se levantou com fogo nos olhos e Okita abafou uma risada. Kagura fechou a cara ao encará-lo. –Do que você está rindo?

—De você. –Ele falou com um sorriso. –Finalmente voltou a ser a China Girl que eu conheço.

—E desde quando eu deixei de ser eu mesma, idiota?-Ela riu e sacou a sombrinha na direção dele. –E eu acho que te devo uma batalha, certo?Nós ainda não decidimos quem é o mais forte!Agora que tudo se esclareceu, eu definitivamente vou te derrotar!

—Não é necessário. –Ele foi em direção a ela, que ficava corado a cada passo dado pelo loiro. A mão dele ia em direção a ela, e diferente do ronin anterior, ela não sentia nojo ou medo da mão dele, que foi em direção à mão desocupada dela. –Você definitivamente acabou comigo, China.

—E-eu não me lembro de ter feito algo do tipo. –Ela olhou para baixo, evitando olhar nas mãos unidas dos dois, que se entrelaçaram.

—Mas você fez sim. –Ele encostou a testa na dela e quando ela olhou, ele roubou mais um beijo apaixonado dela, dessa vez se demorando mais na maciez dos lábios macios dele. Ela dessa vez fechou os olhos, desfrutando a sensação latente que era ter os lábios do cobiçado Okita Sougo sobre os seus. –Me derrotou completamente quando fez eu me apaixonar perdidamente por você.

—I-idiota!Não diga algo tão constrangedor assim!-Ela corou e desviou o olhar do dele. -Se for dessa forma, estamos empatados, sim?

—Só você mesmo China. –Ele se pôs ao lado dela, ainda com as mãos unidas a dela. –Vamos tomar um sorvete. Dessa vez eu vou deixar o Hijikata-san desfrutar dos seus dramas em paz.

     O vento bateu forte no rosto de ambos, fazendo seus cabelos balançarem com o vento. Kagura então deu um sorriso e concordou com ele, ambos andando juntos, partiram unidos pelo sentimento puro e verdadeiro que desenvolveram um pelo outro.

 

 “Você me quer

Oh, baby, perto de mim

Você precisa de mim

Oh, baby, deixe-me ser

Você me quer

Oh, baby, você não pode ver?

Você me ama?

Oh baby, me ame”

 



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