História Zero - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Gaara do Deserto (Sabaku no Gaara), Metal Lee, Rock Lee, Shinki
Tags Cachecol Do Yaoi, Fns, Gaalee
Visualizações 131
Palavras 4.122
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Musical (Songfic), Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Essa fanfic é uma songfic da música Zero, de Liniker e os Caramelows. Tal como songfic, Zero é um presente, é dedicada à whatapanda, vulgo Mama da igreja de GaaLee. Quero agradecer muito às meninas do Cachecol e da FNS, obrigada a todas pelo apoio, eu não sei o que faria se não fosse por vocês, meninas! Tenham uma boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único


“A gente fica mordido, não fica?

Mordido! Era justamente essa expressão popular que definia o estado nervoso de Gaara naquele momento. Pela centésima vez que pôde contar, verificava sua aparência, se os fios vermelhos estavam bem arrumados, ajeitando a lisa franja que possuía mais uma vez. Sua mente em caos, seus nervos à flor da pele, o suor frio que passava a escorrer de sua testa, as pernas que balançava para disfarçar seu tremor e seu temor de ir até ele, o dono de seus desejos, pensamentos e coração. Já não havia ensaiado suas ações? Já não conhecia o caminho até a casa dele? Por que estava sentando naquele banco de praça em vez de seguir pela trilha que levava até a residência pintada de verde que ficava próxima? Por que sentia a barriga fria, abaixo de zero? Por que estava sendo mais uma vez covarde em relação ao que sentia? Estava velho para inseguranças, não? Com mais de 30 anos, já não possuía vergonhas, aliás, nunca as possuiu, sempre fora seguro de seus sentimentos e sempre os demonstrou abertamente, mas, quando se tratava do dono da casa verde, perdia toda a sua autoconfiança. Era um conflito, sempre era um conflito, sua mente era um conflito, a bela relação que viviam também era um conflito. Quando suas pernas decidiram obedecer ao sentimento e seguir até a casa de onde se escutava a suave melodia de um saxofone unido ao contrabaixo, sorriu nervoso. Ele ainda escutava o Blues, em partes, ainda compartilhava de sua agonia e, agora tinha certeza, ele esperava por sua chegada. Isso o acalmava, mas ainda não era o suficiente, não para que suas pernas continuassem a marchar para dentro do local, mesmo que a chave do lugar já estivesse em suas mãos úmidas pelo suor. Não se entendia, se estava tão certo de ir até lá, porque não conseguia girar a chave e entrar pelo portão? Por que o cheiro amadeirado que exalava pelas janelas da residência ainda lhe causavam arrepios? Por que bastava o surgir da sombra dele na parede iluminada para que seu corpo estremecesse? Já não havia se encontrado com ele antes? Essa já não era sua primeira experiência, mas acontece que era Lee e era sempre Lee que descompassava as batidas de seu coração, inflamava seu desejo e lhe preenchia com amor. Quando pensou em dar meia volta e voltar para sua casa, ele surgiu, os negros e molhados cabelos que estava enxugando, os fortes braços que lhe fazia sentir-se no paraíso quando entre eles, o sorriso marcante que muito pouco deixava sua face, tudo lhe paralisava, tudo lhe deixava entregue, tudo lhe fazia ir em frente, pois ele era como a luz de um farol e, se não o visse mais, certamente naufragaria ao bater de frente com as pedras de sua saudade.

— Gaara! - apesar de seu chamado sair como um sussurro, sua voz foi capaz de arrepiar e, ao mesmo tempo, despertar um Gaara sempre firme que dormia no berço das indecisões. Um sorriso ainda mais brilhante e contente foi visto, animado, perguntou. - Há quanto tempo está aqui, por que veio? - não tinha idade para jogos, por mais que estivesse nervoso, já havia perdido muito de seu tempo com seus conflitos sentimentais, por isso foi direto.

— Eu vim te ver!

Mal podia acreditar que estava acontecendo, olhou para a vitrola, item antigo mas pelo qual sempre tivera apreço, agradecendo ao som que dela saía, creditando a ele a visita do rapaz que agora entrava em sua casa. Ele ainda tinha a chave que havia ganhado, assim o próprio Lee ainda possuía a vitrola e os discos que haviam comprado juntos, e isso os deixava tocados. Por mais que anos houvessem se passado, por mais que houvessem amadurecido, por mais distantes que estivessem, ainda tinham as lembranças um do outro e as guardavam com carinho. Poucas vezes na vida ficava paralisado ou sem palavras, mas o jeito de olhar de Gaara lançava sobre si um feitiço que tinha tal poder, o deixava mudo. Bastava que mantivessem o mínimo de contato visual para que mergulhasse no denso do oceano turquesa que levava às profundezas do íntimo do visitante, que também se sentia preso no denso seu negro ao qual os olhos do anfitrião lhe remetiam, mas não um céu negro escuro e tenebroso, mas um céu negro repleto de estrelas, que o iluminavam como Lee lhe iluminava. Céu e oceano, seres que estão sempre unidos e, ao mesmo tempo, separados, distantes, opostos. Gaara era um verdadeiro oceano, sempre preso ao chão, dele observando o céu que era Lee, sempre avoado, sempre voando em sua espontaneidade que tanto contrastava com a seriedade de seu par. De tão imersos nos olhos um do outro, podiam se decifrar, podiam ver de forma cristalina os receios, os medos, as mágoas e a saudade que aqueles olharem carregavam. O Blues ainda chorava na vitrola, sofrido como seus amores que, apesar de tão claros, ainda eram temidos e escondidos. Em tantos anos de proximidade, ele sempre esteve ali, escondido, abafado, reprimido, mas ainda assim vivo. O amor estava vivo e respirava ofegante, transpirava esperança, sempre que os dois se tocavam, como agora. Mal a porta atrás de Gaara se fechou e ele já estava se refugiando nos braços que sempre lhe serviam de amparo e proteção, pois, antes de tudo, eram cúmplices, amigos, parceiros que sempre poderiam contar um com o outro, pois estavam conectados pelo amor, pelas lembranças, pela vida. Lee nunca entendera como seu pequeno poço de rebeldia ruiva havia se tornado tão centrado e ganhado uma aparência tão impecável, entendia que a impecabilidade se mantinha aparente, entendia que os muitos pecados que havia cometido ao longo da vida ainda o deixavam moribundo em um inferno mental e sabia que restava a ele ser seu portal para o céu. As personalidades opostas e conflitantes tornavam a convivência difícil, mas os opostos se atraem, não é o que dizem? As diferenças se completam, quando a mente de um se encontra em ruínas feitas de confusão e culpas, somente o otimismo e o cuidado do outro é capaz de o reconstruir inteiro a partir do zero. Zero, ponto de partida, ponto de recomeço, temperatura sentida em seus ventres por conta dos sentimentos tão límpidos e puros como o carinho, mas tão densos quanto a carga emocional de Gaara, que, ao sentir-se amparado, protegido, entre aqueles braços fortes que tanto amava, permitiu-se desabar com o choro que o implodia, enquanto Lee acarinhava seus fios vermelhos, beijando sua testa e dizia:

— Vai ficar tudo bem! - sequer se chocava com suas reações, mas sofria por vê-lo assim, chorando como nunca antes, mas, mesmo que estivessem longe há tempo o suficiente para que Lee estranhasse sua aparência tão séria e arrumada, entendia que vinha de tal seriedade, tal como da carga de responsabilidade traga por ela, sua tristeza.

— Me perdoa, Lee… - seu pedido soou como um sussurro, o assustando antes que entendesse ao que ele se referia, sorrindo leve. Ele ainda pensava no passado, nas dores, confusões e rancores passados, muitos deles já esquecidos pelo homem que beijou sua testa, sobre a tatuagem, feita durante a fase de rebeldia adolescente que contrastava com sua atual fase tão serena e calma. Amor, marcado na pele, nas lembranças, na alma. Enquanto todos viam Gaara como um poço de arrependimentos e culpas, apenas Lee conseguia ver que, na verdade, ele era inteiro amor, um amor contido pelas vontades alheias, pela necessidade que sentiu de se desculpar por todo o mal feito de sua juventude e que por muito tempo o assolou como um demônio, um amor que, apesar de reprimido, ainda era forte. Não adiantava sufocar, o amor era mais forte, por mais que rodasse e girasse, vagando por vários caminhos, sempre acabava ali, no marco zero. Se, na língua materna dos dois, zero se escreve com o mesmo inscrito de rei, essa curiosidade era como um sinal. O ponto zero seria o ponto rei, soberano do recomeço de uma história que nunca foi destruída por completo, mas que precisa voltar ao marco zero para seguir plena. Para tanto, ainda necessário o perdão, não para o ferido, que apenas compreendia a armadilha do destino, mas para o agressor, que sequer conseguia dormir lembrando que, ao feri-lo, feriu mais a si mesmo. - Me perdoa, eu não devia ter te deixado, eu devia ter enfrentado tudo por nós dois. - soluçou o abraçando forte, apertado, enquanto a abertura dos lábios de Lee se assemelhavam a um zero, devido a surpresa. Ele ainda carregava essa culpa? Sim, carregava e ela era a carga mais pesada, mas seu peso, um número com tantos zeros à direita, ainda não era superior que o amor e a compreensão do outro, que fizeram com que todos os zeros, um a um, passassem para a esquerda enquanto se afastava, o olhando nos olhos e secando suas lágrimas, lhe dirigindo um terno sorriso e um olhar alegre, como sempre.

— Eu te perdoo! - se o número antes tinha muitos zeros, agora ela possuía apenas um, o zero de sua extinção. O abraço antes sôfrego agora era feliz, leve, aliviado, com ambos os ventres em zero grau, com ambos os olhares agora risonhos. Lee não guardava rancores, não guardava mágoas, compreensivo como ninguém mais, entendia que, se no passado, ele havia rejeitado seus sentimentos, ignorando e deixando para trás todos os planos feitos em conjunto para o futuro, foi pela oportunidade de deixar de ser maldição e passar a ser benção no seio de sua família. Fora injusto que ele precisasse abdicar da própria felicidade para se adequar aos pedidos de seus familiares, mas também seria egoísmo seu tirar dele a chance de fazer Rasa feliz em seus últimos anos de vida, de ser orgulho e não tormento. Sabia que a dor que feria seu peito enquanto acenavam um para o outro, um do trem e outro da plataforma, doía imensamente mais nele e isso não lhe era um acalento, pelo contrário, nos 7 anos passados, não houve uma única noite de chuva em que não se lembrasse do chocolate quente que dividiam, um dia em que olhasse para os vasos de cactos e não esperasse que ele retornasse para cuidar deles junto de si mais uma vez, uma noite de luar que não se lembrasse do sorriso tão branco e alegre que sempre mascarava as dores da alma do homem que apenas queria ser feliz mas que também queria, ao menos uma vez na vida, provar do gosto da aceitação paterna, mesmo que isso o condenasse a anos de sofrimento. Era a família, o pai tão amado, não podia se pôr como obstáculo entre ele e esse sonho,mole isso não conseguiu lhe pedir para que ficasse, para que não partisse para Suna, para viver a vida normal que tanto queriam que ele tivesse, apenas esperou. Seu falecido pai sempre lhe disse que tudo o que era seu um dia voltaria para suas mãos, por isso esperou pacientemente e, como uma vitória, agora o tinha em seus braços novamente e não mais o deixaria ir. A vida estava a lhe dar uma nova chance de ser feliz, a agarraria, não a deixaria escapar novamente como se fosse areia a escorrer por entre seus dedos. Segurou seu rosto com carinho, novamente mergulhavam na imensidão do olhar um do outro, olhares que transbordavam seus mares, que escorriam em finos fios por seu rosto, a forte ressaca de suas ondas interiores agora se acalmava e Lee via isso no sereno dos olhos de Gaara, por isso se deixou perder, se deixou levar pelo impulso. Há tanto esperava por aquele beijo do qual tanto sentia falta, precisava provar do sabor ardente como as areias do deserto novamente, assim como o outro sentia que precisava provar do frescor das folhas de hortelã mais uma vez, foi então que suas necessidades explodiram em um calmo mas intenso beijo, sem malícia alguma, mas repleto de carinho e amor, o mesmo amor que agora estava em seus olhares. Colaram as testas, um sorriso de alívio brotou em ambos os lábios, as almas gritavam o desejo de novamente estarem conectadas, mas ainda haviam coisas a esclarecer.

— Lee, eu… - mas Lee não queria esclarecer nada, apenas queria viver o belo momento tão esperado, apenas queria te-lo novamente, por isso o abraçou forte, o confortando ainda mais em seus braços, o refugiando em seu peito. Sabia que seu pequeno poço de culpas queria libertação total, por isso abriu seu coração de forma a findar de uma vez por todas tal assunto. - Eu entendo que você não foi embora por mal, doeu ver você partir quando eu achava que você ia ficar, mas só o que me importa agora é que você está aqui, Gaara, você voltou pra cicatrizar essa ferida aberta e agora não vai ter nada que tire você de mim!

Gaara ainda se recuperava do choque inicial do perdão, mas, quando finalmente conseguiu ter noção do que havia sido dito, sorriu abertamente enquanto Lee limpava seu rosto e depositava beijos em sua bochecha, provando do salgado de suas lágrimas. A pior parte já havia sido feita, mas e agora? Agora o silêncio lhe era ensurdecedor, lhe incomodava, mas como mudar tal situação? Não possuía palavras, não possuía assunto em mente, mas foi ao ser puxado novamente para um abraço ainda mais forte que notou que elas não eram necessárias. O que eram palavras comparadas a atitudes? O que era o sôfrego passado comparado ao tão feliz futuro que podia vislumbrar? O que era o antigo e culpado ser comparado ao novo ser liberto pelo perdão? Nada e era isso o que tinha que falar, nada! Não precisava dizer nada a Lee, pois ele não precisava ouvir “eu te amo” ele precisava sentir-se amado. Sentir que apesar da distância, apesar das mudanças dos dois, apesar de tudo, o amor ainda era o mesmo. Ambos se beijavam, sentindo o sabor um do outro novamente, mas agora o beijo também tinha o acalento do perdão dito e isso o deixava mais saboroso ao paladar do visitante, assim como a esperança de que, ao fim dele não mais se iam separar, o tornava um manjar dos deuses para Lee que ainda não tinha a total noção de que tudo era real. O tocava como a uma obra de arte, pois Gaara, em sua visão, era delicado como tal, temia que seu toque o transpassasse, que fizesse dissipar sua imagem e que lhe fizesse encarar que, aquela realidade, não passava de mais um dos sonhos que havia tido enquanto separados. Se era um sonho que ele estava ao seu lado, em seus braços, pedindo perdão e, pelo o que via em seus olhos, disposto a ficar, não queria acordar, queria morrer dormindo, sonhando aquele sonho bom. A mordida recebida em seu lábio inferior era como uma comprovação de que aquela não era uma ilusão e ele não era um espectro, por isso sorriu entre um beijo e outro, agora acariciando os cabelos da nuca do homem que se assustou quando notou que os fios estavam fora de ordem. Por um momento, e graças aos impulsos de organização que vinha tendo, consequência dos últimos anos se policiando para estar sempre impecável, como se fosse uma estátua sem erros, os quis pentear, mas suas mãos um tanto quanto delicadas foram impedidas de fazê-lo pelas grossas e fortes que as seguravam cúmplices, o fazendo mirar os negros olhos de seu dono e então vê-los curiosos, mas, ao mesmo tempo, nostálgicos.

— Deixa eu bagunçar você, Gaara! - era quase que um clamor para que deixasse a carga emocional de lado, para que se permitisse ser novamente o jovem por quem se apaixonou, para que fosse novamente o seu Gaara. Sem esperar resposta, suas mãos bagunçaram inteiramente os fios ruivos, assim como passaram a retirar suas roupas, o puxando para um beijo ardente, atos tão selvagens que, em um primeiro momento, o assustaram, mas logo fizeram despertar o rebelde aprisionado sob a máscara comportada que agora caía pelas mãos de Lee e então chegava ao chão juntamente com as vestes que antes cobriam seu corpo, mais ainda não o deixando completamente nu, uma vez que estava coberto por seu carinho. O cheiro da terra molhada que agora chegava às narinas denunciava que do lado de fora caía a chuva, mas o vento gelado que por conta dela passava pela janela ainda aberta não era capaz de resfriar seus corpos inflamados pelo desejo que por tanto tempo foi contido e que, agora, explodia com o toque intenso de suas peles que vibravam em êxtase. Entre os beijos dados nas bocas, pescoços e bochechas, sorrisos de encanto, alívio e, principalmente, felicidade. O fios úmidos e negros agora também eram bagunçados, a nuca era arranhada pelo pouco das unhas que ainda não haviam sido roídas, o oceano turquesa agora se turvava em emoções libidinosas que não provinham de nenhum impulso promíscuo, mas do amor declarado, que finalmente deixou de causar nós em sua garganta, uma vez que estava livre para ser exposto, livre para ser vivido, livre para lhe libertar. Sentia como se voasse em seu aberto, o céu escuro como o negro olhar tinha estrelas de amor que iluminavam seu caminho, não tinha medo de cair, pois sabia que, caso viesse a perder altitude, teria seu conforto e amparo, cairia em seus braços, em sua vida, em sua cama. O oxigênio, mais precisamente a sua falta, os fazia separar os lábios, que agora eram mordidos, mas seus corpos ainda estavam unidos, inseparáveis, pois era um o oxigênio do outro e ambos não queria, perder o fôlego por separação alguma naquele momento, pelo contrário, só a fusão dos corpos possuía tal direito. Na vitrola tinha o blues, o som choroso do trombone se unia ao som das roucas vozes que saíam desconexas por entre seus lábios, Lee intentou falar algo, mas foi a vez de Gaara lhe calar com um dedo, lhe olhando com olhos que diziam tudo, mesmo que nenhuma palavra fosse dita. Não era hora de falar, dizer palavras que o gélido vento poderia levar consigo, era hora de amar, amar em atos que seriam inesquecíveis, mesmo que suas idades chegassem a altos números e tivessem à direita vários zeros. Os zeros… Novamente eles se faziam presentes, o relógio digital marcava-os, às 00:00 os dois másculos corpos caiam sobre a macia cama do anfitrião que beijava seu visitante no pescoço, enquanto ele, por sobre si, o dominava, o deixando à sua mercê, como sempre fora. Enquanto o acariciava, sorria contente ao ver sua boca tornar-se como um zero, surpreso em descobrir que ele ainda conhecia seu corpo, mas isso era algo que Gaara não esqueceria mesmo que sua memória se igualasse a zero. Os estímulos percorriam seu corpo, assim como seus olhos percorriam o corpo do outro, ainda com o fascínio, mas com a angústia de quem pensa que está a viver um sonho, uma mera ilusão de seu subconsciente. Precisou pegá-lo, acariciá-lo, beijá-lo mais uma vez, mesmo com o temor de transpassá-lo, precisava confirmar novamente que ele estava ali em carne e osso e, ao ter tal certeza, foi a sua vez de se jogar em seus braços, de se entregar por inteiro. Deitados na lateral, com os olhares conectados, as mãos escorriam em perfeita sincronia pelas peles, carícias provocantes e ainda assim amáveis, que evoluíam aos poucos para a forma carnal e erótica de demonstração de afeto. A simples união não bastava, mais do que nunca sentiam a necessidade de se fazerem um só. Dominado pelo prazer, Lee tomou a iniciativa, lhe devolvendo o carinho, o fazendo apoiar-se na cama, com as mãos atrás do corpo, com a cabeça girando embriagada dos baixos beijos que lhe eram distribuídos. Novamente seus lábios se tornavam zero, mas não era uma reação, era a causa que levava o amante ao céu novamente, por conta das úmidas carícias que agora se intensificaram. A mão esquerda de um, por puro instinto, foi parar nos negros fios do outro, os segurando firme como sua voz já não era. O céu era tocado, as nuvens como algodão macio lhe eram ao toque das mãos, mas isso ainda não bastava, não queria ir às nuvens, queria ir às estrelas. Cuidadosamente o fez parar e lhe mirar os olhos, que dessa vez diziam um “eu te quero”, o fazendo assentir. Não que não estivesse nervoso, pelo contrário, novamente estaria fazendo amor com seu grande amor, mas também estava ansioso e isso o fez ser urgente ao tatear as gavetas em busca do que precisavam para finalmente realizar seus desejos. Lhe entregou o item um pouco trêmulo, não precisava pedir por gentileza ou carinho, Gaara jamais lhe machucaria, era o homem mais gentil que conhecera, aquele que agora lhe fazia relaxar, massageando suas largas costas, beijando seus ombros e pescoço enquanto, com os dedos, lhe espalhava o cuidado, lhe dando uma leve amostra do que era tê-lo novamente em si e isso o arrepiava, o deixava ainda mais ansioso, por isso subiu em seu colo, pois não queria perder o contato visual tão intenso que mantinham desde que a porta de sua casa fora aberta, queria se entregar mais uma vez a ele e também ver que ele estava entregue a si. Se era o que ele queria, era isso que o visitante iria lhe entregar, por isso se preparou enquanto ele se apoiava em seus ombros, com ambos mordendo os lábios, um por conta do prazer, o outro por conta da dor. O beijou na testa, lhe passando calma, logo tomando seus lábios apaixonado como na primeira vez que se fizeram em um só. Leves sorrisos eram dados, lentamente Lee compartilhava do prazer sentido, a falta de ritmo advinda pelo tempo sem prática causava algumas risadas cúmplices dos dos, que agora colavam as testas, com as mãos de Gaara o ajudando a guiar seus quadris, os acariciando e apertando, sugando a pele de seu pescoço com desejo, logo tendo o seu próprio beijado, assim como seu queixo mordido. Se apoiando melhor na cabeceira da cama, agora era capaz de estimular a tesa extensão que necessitava de atenção. Se quando chegou possuía receios, agora, liberto deles, era inteiro ousadia, ao menos ali, ao menos com ele, podia se permitir ousar, pois entre eles não haviam tabus, entre eles havia amor, paixão e um desejo que incendiava o quarto, mas ainda assim deixava as barrigas em temperatura zero. Entre eles haviam diferenças, isso ficava evidente nos traços um do outro, tão diferentes que em nada combinavam, no jeito mais sério de um e no extrovertido do outro, que sempre levava a face do outro a se tornar vermelha por conta da vergonha de suas confusões, na família que pressiona um e na que apoia os dois, mas isso não importava. Ainda haviam as semelhanças, os planos, as risadas. Ainda havia o Blues, os cactos, os sonhos. Por tanto tempo Gaara buscou ser perfeito, mas agora, vendo nos olhos de Lee o carinho em meio ao arrasador ápice que faziam os corpos se contorcerem e abraçarem mais, percebia que sempre fora perfeito para ele, pois para ele, assim como ele era para si, era um ponto zero, tal como a noite de amor se marcou como o zero da nova caminhada que teriam. Já não ligavam para quem os julgaria, não, isso não era importante, mais importante era a união, mais importante era a família que, mesmo não ligada por sangue, era ligada por corações, já que Shinki e Metal, que vieram anos após a redenção de seus pais adotivos, conseguiam lhes mostrar ainda mais o quão mais valoroso era o sentimento que fazia com que seus corações pulssassem fortes. As diferenças ainda permaneciam vivas, umas gritantes, as divergências eram muitas, mas bastava um olhar, bastava o toque do Blues, que agora servia de trilha sonora para os domingos em família na estufa de cactos onde agora estavam os quatro, brincando felizes, para que novamente entendessem que elas eram nada mais do que um zero à esquerda perto da felicidade com incontáveis zeros à direita. O que era a pesada e pequena mala de mão que carregava as diferenças comparada à extensa bagagem de momentos únicos que os tornavam ideais um para o outro? Nada mais do que zero, só o que não era zero era a vontade de estarem sempre conectados, só não era zero o romance, só não era zero o amor, por isso jogaram longe a mala de mão, ela já não importava, pois seu valor era zero.


“Peguei até o que era mais normal de nós

E coube tudo na malinha de mão

Do meu coração…”


Notas Finais


Espero que tenham gostado! Deixe seu comentário e faça uma autora mais feliz hehe. Beijos!


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